Grupo Natura &Co (NTCO3) 4T24: misto; incremento na receita, mas com queda de margens
BB analisa resultado do 4T24 do Grupo Natura &Co.
Publicado por: Análise BB

BB analisa resultado do 4T24 do Grupo Natura &Co.
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
14/03/2025 às 15:34
Consideramos o resultado do 4T24 do Grupo Natura &Co misto. Apesar de, no consolidado, a companhia ter mostrado um aumento relevante de receita, as vendas de Avon América Latina ainda decepcionam e fatores operacionais e outros referentes à operação da Avon International pressionaram as margens, tanto bruta como EBITDA, o que fez com que a companhia apresentasse prejuízo por mais um trimestre.

As ações NTCO3 registram alta de 6,3% desde o início do ano, até o fechamento de ontem (13), acima da performance do Ibovespa. Entretanto, durante o pregão de hoje, o mercado reage mal ao anúncio dos resultados do 4T24 da companhia e o papel chegou a cair quase 30%. Os bons números de Natura Brasil e mercado hispânico não foram suficientes para compensar o forte impacto negativo da Avon International no balanço da companhia, somado a um resultado fraco de Avon América Latina.
Com o futuro da Avon International ainda incerto, o mercado precifica os fatores detratores da operação e penaliza o papel na bolsa. Além disso, o cenário macroeconômico para o setor de varejo como um todo tende a se deteriorar ao longo dos próximos meses, desenhando um ambiente menos favorável para bens de consumo não essenciais como os que a Natura &Co comercializa. Por esses motivos, optamos por manter nossa recomendação Neutra e o preço-alvo em R$ 17,30 para o final de 2025.

A receita líquida consolidada do Grupo Natura &Co somou R$ 7,7 bilhões no 4T24, aumento de 63,1% na comparação anual, acima de nossas expectativas (+25,6% r/e). Em moeda constante, o incremento foi de 16,1%*.
O aumento foi puxado especialmente pela Natura Brasil (+21,1% a/a), que refletiu os ganhos de produtividade, o incremento de volume impulsionado pelas vendas cruzadas e os investimentos de marketing e inovação realizados na região. Já a receita líquida da Natura América Hispânica registrou aumento de 33,5% a/a, considerando Argentina, proveniente de melhorias das tendências nos países onde a Onda 2 já foi implementada e da aceleração do crescimento da receita do México na comparação anual.
A Avon Brasil registrou ligeira queda na comparação anual (-1,0% a/a), impactada por uma base de comparação desfavorável. Já a Avon América Hispânica teve um incremento de 1,7% a/a em sua receita, sendo que ex-Argentina, a receita teria caído 16,5% na comparação anual. Apesar dos países da Onda2 terem apresentado uma menor retração quando comparada ao registrado no 3T24, a receita da região foi impactada (i) pela integração Natura e Avon, (ii) no México, pelos ajustes de portfólio e (iii) na Argentina, pelo fechamento do centro de distribuição (CD).
Em relação à categoria Casa & Estilo, houve redução de receita tanto no Brasil (-35,8% a/a) como no mercado hispânico (-17,1% a/a), totalizando uma queda de 24,6% na comparação anual. Essa tendência já era aguardada, dado que a categoria está passando por uma redução planejada de portfólio com a consolidação de Natura e Avon.
Por fim, a companhia reportou um prejuízo de R$ 439 milhões, fortemente impactado pelos R$ 843 milhões de despesas referentes ao processo de reestruturação voluntária (Chapter 11) e por mais R$ 114 milhões negativos provenientes de operações descontinuadas. Excluindo esses e outros efeitos não-operacionais, o lucro líquido ajustado da companhia seria de R$ 238 milhões.

Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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