Gripe aviária inspira cautela para quem investe em ações do setor de proteínas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos

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Atualizado em
19/05/2025 às 10:21
Por Patrícia Queiroz, do Broadcast
O primeiro caso de gripe aviária (influenza aviária de alta patogenicidade - IAAP) em uma granja comercial na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul, acendeu um alerta no mercado tanto pelo viés da saúde pública quanto pelo dos negócios. Atendendo a protocolos sanitários internacionais, o Ministério da Agricultura resolveu suspender temporariamente as exportações brasileiras de frango para a China e União Europeia.
O ministro da pasta, Carlos Fávaro destacou que os embarques anteriores seguem válidos. "Não há prejuízo comercial para carne de frango que foi produzida e exportada até ontem". O ministro disse ainda que o governo trabalha para reverter a situação o quanto antes: "Esperamos restabelecer a normalidade antes dos 60 dias previstos no protocolo de autosuspensão".
Segundo informações do Ministério, o caso confirmado, que se refere a um matrizeiro (granja de produção de ovos férteis) de aves comerciais é o primeiro foco de IAAP detectado em sistema de avicultura comercial no Brasil.
Desde 2006, ocorre a circulação do vírus, principalmente na Ásia, África e no norte da Europa, segundo informações da pasta, que reforça ainda que a doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves e ovos.
"A população brasileira e mundial pode se manter tranquila em relação à segurança dos produtos inspecionados, não havendo qualquer restrição ao seu consumo", informou o Ministério.
O risco de infecções em humanos pelo vírus da gripe aviária é baixo e, em sua maioria, ocorre entre tratadores ou profissionais com contato intenso com aves infectadas vivas ou mortas, acrescenta a pasta.
O registro do primeiro caso de IAAP acontece no mesmo dia em que foi anunciada a incorporação da BRF (BRFS3) pela Marfrig (MRFG3), duas gigantes do setor do País. A fusão, que deve resultar na construção da terceira potência global em proteínas, como era de se esperar, reverbera no mercado com as ações da Marfrig subindo quase 20% ao longo de toda manhã na B3.
O CEO da BRF, Miguel Gularte, afirmou que o episódio de gripe aviária deve ter impacto limitado sobre as operações da companhia e destacou a capacidade de resposta do País a esse tipo de ocorrência.
"A sanidade brasileira é muito robusta e deve permitir que esse episódio seja superado em um espaço de tempo curto", afirmou, em teleconferência com analistas.
Segundo o executivo, a primeira medida tomada pelo Ministério da Agricultura foi regionalizar o município afetado por meio da Portaria 795, com um raio de isolamento. A partir de agora, o Brasil dará início à comunicação com a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e à negociação com os países importadores sobre os protocolos específicos.
Gularte relembrou a experiência recente com a Doença de Newcastle, também no Rio Grande do Sul, em que o Brasil inicialmente se autossuspendeu dos mercados, mas conseguiu reverter a situação com a aplicação de um plano de regionalização.
"Na maioria dos países, o foco foi isolado em um raio de 10 quilômetros, e, uma vez eliminado, as exportações foram reabertas", explicou.
Sobre o caso atual, o executivo reforçou que a BRF monitora o cenário com atenção. "Estamos trabalhando para que isso tenha o mínimo de repercussão possível", disse.
Lucas Tambellini, gestor de renda variável da Lifetime Asset, acredita que é preciso cautela antes de qualquer movimento com as ações. "É fundamental acompanhar as notícias dos próximos dias para entender se haverá desdobramentos ou mais implicações', diz.
A tese da observação e cuidado é defendida por Claudio Felisoni, economista e professor da FIA Business School, segundo o qual há que se ter atenção ao 'índice do medo'. "É claro que, caso haja evolução do cenário de gripe para outras frentes e cidades, ocorre uma tendência de rebaixamento do valor dos papéis das principais companhias do setor, mas ainda é prematuro fazer qualquer saída de carteiras ou posições pelas notícias de hoje", avalia.
Tambellini, da Lifetime, entende que o investidor que tenha recursos aportados em posições no setor de proteína deve ficar mais atento à fusão entre Marfrig e BRF. "Esse negócio tem muito mais impacto nesse momento, podendo render ganhos no curto e médio prazo, que esse primeiro caso de gripe aviária".
A percepção é a mesma de Hugo Queiroz, sócio fundador da advisory L4 Capital. "Não se pode esquecer que essas empresas atuam em níveis globais. Se a planta brasileira, por qualquer motivo não puder atender, podem realocar as demandas para outras localidades, fora daqui", avalia e reforça: "Não há motivo para entrar em desespero".
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