GPA (PCAR3) pede recuperação extrajudicial: o que isso significa?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
10/03/2026 às 11:06
Por Gustavo Boldrini e Júlia Pestana, da Broadcast
O GPA (PCAR3), dono das redes Pão de Açúcar e Extra, protocolou nesta terça-feira um pedido de para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais.
O movimento era esperado por parte do mercado, mas pode gerar dúvidas nos investidores. Afinal, o que é essa recuperação extrajudicial? Qual é a diferença em relação a uma comum? E como ficam as ações da empresa depois desse anúncio?
Tire suas dúvidas a seguir:
O que é recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é um acordo celebrado entre a companhia devedora e seus para renegociar suas dívidas. Durante as negociações pode-se chegar, por exemplo, a um desconto nos vencimentos, ao alongamento dos prazos, redução de parcelas etc.
O nome extrajudicial significa que essa negociação é feita diretamente entre devedor e credor, sem a necessidade da Justiça, como ocorre na recuperação judicial. Ou seja, em tese, é um processo menos burocrático e mais rápido, com foco na resolução voluntária do problema de endividamento em acordo com credores.
Em entrevista à Broadcast , o presidente do GPA, Alexandre Santoro, disse que a medida conta com adesão de 46% dos credores da empresa. Segundo a companhia, o plano abrange dívidas sem garantia, que "não constituem compromissos correntes ou operacionais".
Por que o GPA pediu recuperação extrajudicial?
O alto nível de endividamento do GPA tem sido motivo de preocupação. No seu último , divulgado em 24 de fevereiro, a auditoria da Deloitte apontou uma "incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia".
Com apenas dois meses no cargo, o CEO Alexandre Santoro disse à Broadcast que a recuperação extrajudicial tem por objetivo reorganizar o perfil de endividamento da companhia sem afetar a operação do negócio.
"Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais. Ela não envolve pagamento a fornecedor, aluguel de loja ou salário de colaborador. A operação segue funcionando normalmente", afirmou.
Já o diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, que assumiu o cargo na semana passada, destacou o alto nível de dívidas vencendo no curto prazo. Segundo ele, cerca de R$ 500 milhões vencem em maio, enquanto entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm vencimento previsto para julho.
Como ficam as ações do GPA?
As ações do GPA iniciam o desta terça-feira em forte queda acima dos 8%, acumulando baixa de 34% no ano.
Segundo o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a situação é parecida com a vivida pelo Grupo Casas Bahia (BHIA3) em 2024, quando a companhia buscou uma recuperação extrajudicial e entendeu que o prazo de seu endividamento era apertado.
(Colaborou Cecília Mayrink)

