Fundos têm maior captação líquida em 5 anos no 1T26, diz Anbima; renda fixa é destaque
Publicado por: Broadcast Exclusivo

Publicado por: Broadcast Exclusivo
Atualizado em
14/04/2026 às 15:04
Por Gustavo Boldrini e Bruna Camargo, da Broadcast
Os fundos brasileiros tiveram uma captação líquida de R$ 159,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano, maior quantia para o período registrada nos últimos cinco anos, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
O número representa um forte salto em relação aos R$ 8,3 bilhões apurados pelo setor nos primeiros três meses de 2025 e foi puxado pela renda fixa, que captou R$ 130,3 bilhões no período.
Segundo Pedro Rudge, diretor da Anbima, o resgate de cotas de investimentos no Banco Master pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ajuda a explicar o salto na captação.
Com isso, "apesar do momento desafiador, a indústria de fundos foi capaz de ter captação líquida" - ou seja, mais entradas do que saídas de recursos.
A forte captação levou o patrimônio líquido (PL) acumulado dos fundos brasileiros a terminar o primeiro trimestre deste ano em R$ 10,8 trilhões, um crescimento de 12,9% em relação a igual período do ano passado.
A classe de multimercados também registrou entrada líquida de recursos, de R$ 11,2 bilhões, com movimento de R$ 11 bilhões concentrado em um fundo do tipo investimento no exterior - o nome do instrumento não foi divulgado pela Anbima. O PL da classe se manteve estável ano a ano, em R$ 1,5 trilhão.
Já os fundos de ações viram saída líquida de R$ 6,4 bilhões no primeiro trimestre. Além dos sucessivos recordes do , que induzem a mais investidores sacando recursos para realizar lucros, o dado também pode ser explicado pelo aumento da aversão a risco diante das incertezas geopolíticas, disse Pedro Rudge.
Apesar da baixa na captação, o PL da classe chegou a R$ 709,5 bilhões em março de 2026, uma alta de 25,9% nos últimos 12 meses, com recuperação no número de fundos e de contas, segundo a Anbima.
Outro destaque positivo no período, segundo a Anbima, foram os fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês), que registraram captação líquida de R$ 17,8 bilhões - R$ 15,5 bilhões desse total na categoria de renda fixa. O PL de ETFs, com isso, chegou a R$ 103,5 bilhões.
"[O ETF] é um tipo de fundo que tem custos mais competitivos e que não conta com , então tem benefício interessante para o investidor. E as gestores têm lançado mais produtos voltados à renda fixa, o que explica esse crescimento em 12 meses", afirmou Rudge.
O quadro geopolítico conturbado e as eleições no Brasil, em outubro, além do processo de cortes de juros pelo Banco Central, tendem a elevar as incertezas ao longo dos próximos meses, de acordo com o diretor da Anbima.
Ainda assim, a tendência neste cenário, com a flexibilização monetária à frente, é de uma "realocação de produtos mais conservadores para produtos mais arriscados", avaliou Pedro Rudge.
Quer dar uma nota para este conteúdo?