Fim do cessar-fogo: quem perde e quem ganha na B3 com volta da guerra?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
09/07/2026 às 12:36
Por Gustavo Boldrini e Maria Regina Silva, da Broadcast
São Paulo, 09/07/2026 - O retorno das hostilidades entre os Estados Unidos e o Irã tem dominado o noticiário nesta semana, trazendo de volta alguns elementos que estavam saindo do radar dos mercados após a assinatura do memorando de entendimentos entre os dois países em 17 de junho.
A Bolsa brasileira não deve ficar de fora dos efeitos dessa nova realidade, que não é tão nova assim. A seguir, veja quais setores podem ganhar ou perder com o retorno do risco geopolítico sobre os mercados:
Petróleo em alta
Depois de uma forte queda em decorrência do possível acordo de paz entre EUA e Irã, chegando à mínima desde o início do conflito na faixa dos US$ 71, o petróleo Brent voltou a subir nesta semana e chegar próximo aos US$ 80, com a volta do risco de desabastecimento do mercado e dúvidas sobre a navegação no Estreito de Ormuz, rota crucial para a commodity.
A recuperação do petróleo já mexeu positivamente com as ações da Petrobras (PETR4 e PETR3), que acumulam ganho acima de 3% na semana, até as 11h30 (de Brasília) desta quinta-feira.
As demais petroleiras listadas - Brava Energia (BRAV3), Prio (PRIO3) e PetroReconcavo (RECV3) - também sobem na semana e podem se aproveitar da recuperação do petróleo.
A questão dos subsídios
A subvenção do governo federal aos preços dos combustíveis, especialmente a gasolina, também está no foco dos investidores. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse mais cedo que terá mais cautela para analisar a retirada do subsídio da gasolina, após a volta do risco geopolítico.
"Ontem o petróleo voltou a subir para US$ 80 e aí temos que adotar com cautela a retirada de subsídio. Essa semana eu ia anunciar a retirada da gasolina, vou analisar a retirada na próxima semana porque o preço da gasolina já está com um impacto diferente do que eu estava prevendo", afirmou Durigan à Rádio Gaúcha.
Segundo Rafael Stephano, advisor da Blue3 Investimentos, uma retirada do subsídio pode resultar em pressão na inflação e consequentemente na política monetária. "O preço do combustível pode aumentar e isso tende a colocar pressão, dificultar o trabalho do Banco Central no processo de queda dos juros", diz.
Aversão a risco
O clima é de maior aversão a risco nos mercados globais ao longo desta semana, o que costuma ser mais desfavorável a papéis cíclicos - mais ligados aos juros e aos ciclos econômicos.
- Nesta primeira semana após o fim do cessar-fogo, o setor imobiliário foi o que mais sofreu na B3, com o índice IMOB acumulando perda acima de 5%.
A questão dos juros também pode voltar ao radar, uma vez que a alta do petróleo tende a mexer com as perspectivas de inflação. Nos EUA, investidores seguem em dúvida sobre as próximas decisões de juros do Federal Reserve (Fed), outro fator que mexe com o apetite dos investidores por risco.

