Fim da novela: Braskem (BRKM5) transfere controle da Novonor para IG4; como ficam as ações?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos

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Atualizado em
20/04/2026 às 14:52
Por Gustavo Boldrini e Cynthia Decloedt, da Broadcast
Após cerca de oito anos de espera, finalmente a Novonor, antiga Odebrecht, conseguiu oficializar a venda do controle acionário da Braskem (BRKM5). Em fato relevante divulgado nesta segunda-feira, 20, a petroquímica confirmou a assinatura do contrato que transfere a fatia majoritária de 50,1% das suas ações ordinárias para a gestora IG4.
A IG4 assumirá as ações da Braskem por meio do Fundo de Investimento em Participações (FIP) Shine. A transação já foi aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além de autoridades antitruste do México, União Europeia e Estados Unidos. Resta ainda o aceite do Foreign Subsidies Regulation (FSR), da Comissão Europeia.
O FIP Shine, da IG4, também celebrará um novo acordo de acionistas com a Petrobras, que detém outra fatia relevante de ações ordinárias da Braskem. Esse acordo estabelecerá os novos padrões de governança da Braskem. Dentro dos próximos 30 dias, também será eleito um novo Conselho de Administração e nomeada uma nova diretoria executiva para a companhia.
As ações da Braskem (BRKM5) acumulam alta de 12% ao longo deste ano, refletindo o otimismo do mercado a respeito da conclusão da venda do controle por parte da Novonor.
A tentativa da Novonor de vender o controle acionário da Braskem remonta a 2018, quando a companhia ainda se chamava Odebrecht. Na ocasião, a empresa de engenharia, que buscava se reerguer após uma crise causada pela Operação Lava Jato, teve negociações fracassadas com a holandesa LyondellBasell.
Nos anos seguintes, outras conversas também não se concretizaram, com empresas como o fundo Apollo, a Unipar, o Grupo Ultra e a J&F Investimentos, além do investidor Nelson Tanure.
Após diversas tentativas sem sucesso, finalmente a Novonor conseguiu fechar acordo com a gestora IG4 em dezembro de 2025. A aprovação do Cade ocorreu três meses depois, em março deste ano, e na última sexta-feira (17) ocorreu a assinatura do contrato entre a gestora e a antiga Odebrecht.
Com a finalização do negócio, a IG4 passará a controlar as ações ordinárias da Braskem, o chamado capital votante, que dá maioria de votos nas assembleias da empresa. A Petrobras, por sua vez, seguirá como acionista minoritária, mas com uma fatia relevante de ações.
Em comunicado, a Braskem informou que a transação de transferência das ações prevê "governança equilibrada" entre os novos controladores e a Petrobras, o que implica consenso nas deliberações do Conselho de Administração e dos acionistas. A petroquímica também afirmou que IG4 e Petrobras deverão conduzir a reestruturação financeira e operacional da companhia.
Caso não haja nenhuma mudança no acordo de acionistas assinado entre as duas partes, a composição do capital votante da Braskem deverá ficar assim:
Somente 2,86% das ações ordinárias da Braskem (BRKM3) estão em circulação no mercado no chamado free float , o que torna a negociação desses papéis muito pouco usual para o investidor pessoa física comum.
Para essa classe de investidor, a ação da Braskem que mais interessa é a de maior liquidez, que é a preferencial classe A (BRKM5). Ela não dá direito a voto, mas à preferência no recebimento de proventos.
Segundo dados da Broadcast referentes a esta segunda-feira, 20 de abril, mais de 77% das ações PNA da Braskem estão em circulação no mercado.
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