Férias de janeiro: veja como se planejar financeiramente e evitar dívidas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
03/08/2026 às 11:55
Por Soraia Budaibes, especial para Broadcast
São Paulo, 03/08/2026- As férias proporcionam para muita gente oportunidades de renovar as energias, descansar e, se possível, fazer aquela viagem bacana e guardar boas recordações em família.
O recesso escolar de julho acabou de acontecer e se não deu para aproveitar o período como gostaria, que tal começar a organizar o de janeiro do ano que vem? Para isso, é crucial fazer um bom planejamento para que a temporada caiba no seu orçamento e seja prazerosa.
Com a definição de estratégias, você não é pego de surpresa com dívidas na volta à rotina. Mas por onde começar? Especialistas dão o caminho a seguir:
Liquidez e previsibilidade
O planejamento deve começar pelo bolso e não pelo destino da viagem, com a definição do teto de gastos, afirma Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em finanças pessoais.
"Ele requer liquidez e previsibilidade, para que as férias não virem uma dor de cabeça financeira. Organizar as finanças antes delas não só evita dívidas, mas também garante uma experiência mais tranquila e prazerosa", enfatiza.
De acordo com profissionais da área, quem planeja as férias tem até 40% menos chances de enfrentar problemas financeiros ao voltar à rotina.
Como planejar as férias?
Para Mariana Brandileone, sócia fundadora da Alocc, as férias devem ser tratadas como um objetivo, e não um gasto inesperado. "Quando a viagem é planejada, ela deixa de competir com outras prioridades e passa a fazer parte de um projeto de vida", diz.
Para ela, o passo inicial é estabelecer um orçamento total antes de fazer as reservas. Com o valor da viagem e considerando todos os gastos envolvidos, como alimentação, transporte, passeios, seguro e compras, a pessoa evita depender do crédito para financiar as férias.
Patzlaff concorda com Mariana e orienta que o ponto de partida é começar com uma espécie de Raio-X financeiro. Posteriormente, analisar a renda e definir com clareza quanto você consegue poupar todos os meses até dezembro, sem comprometer as contas essenciais e a reserva de emergência.
Segundo o planejador financeiro, a conta que vai definir se o momento comporta uma viagem em um estilo mais luxuoso ou um roteiro mais econômico, é o quanto a pessoa consegue poupar nesses meses que antecedem janeiro.
Por exemplo: se a pessoa consegue guardar R$ 400 por mês ao longo desses cinco meses restantes, tenha certeza que o seu orçamento real para as férias é de R$ 2 mil.
Por outro lado, se a pessoa consegue poupar R$ 800 por mês entre agosto e dezembro, isso lhe dará R$ 4 mil mais algum rendimento, se esse montante mensal for aplicado em um investimento com liquidez.
"Com esse orçamento real definido, você passa a procurar destinos, passagens e hospedagens que caibam nesse limite", acrescenta Patzlaff.
Ele ainda recomenda, caso seja possível, reservar uma margem extra no valor da viagem, cerca de 10% a 15% do custo total, para o caso de algum imprevisto. "Se não houver imprevistos, esse recurso pode se tornar o primeiro aporte para as férias do ano seguinte", orienta.
Onde investir para as férias?
A partir do momento que o valor mensal a ser poupado para as férias é definido, o próximo passo é proteger esse dinheiro, ou seja, aplicar em investimentos conservadores, com liquidez diária, resgate imediato e sem perdas, caso a pessoa precise antecipar o pagamento de uma passagem ou um hotel.
Patzlaff cita como algumas opções de investimento o Tesouro Selic, os CDBs de bancos sólidos que paguem no mínimo 100% do CDI, ou Fundos DI com taxa de administração zero ou até mesmo as caixinhas/cofrinhos dos bancos.
Viagens nacionais e internacionais
Para Patzlaff, a estrutura de um planejamento independe se o destino é nacional ou internacional. O importante é poupar todo mês e não gastar mais do que se tem.
Em uma viagem nacional, explica, o vilão é a inflação e a alta demanda da temporada. "A estratégia é usar o dinheiro que você já tem ou consegue antecipar para travar os preços o quanto antes. Comprar passagens nacionais com meses de antecedência protege seu poder de compra dos reajustes sazonais", diz.
Com o cenário atual da taxa básica de juros (Selic) alta, de 14,25%, a pessoa pode deixar o restante do dinheiro rendendo até o dia da viagem.
Já para viagens internacionais, o maior obstáculo é a variação do dólar. "Como a moeda americana oscila com frequência, não dá para contar com a sorte e tentar adivinhar se a divisa estará barata ou não em janeiro, enfatiza o especialista.
Muitas pessoas deixam para comprar os dólares na véspera da viagem, e para não correr riscos, Mariana, da Alocc, afirma que o melhor é fazer aportes periódicos em um fundo cambial referenciado em dólar, reduzindo o risco de ser surpreendido por uma alta da cotação justamente próximo à data da viagem.
"Essa abordagem traz mais previsibilidade ao orçamento e evita que a variação do câmbio comprometa o planejamento financeiro", diz.
Além disso, manter uma reserva pequena é prudente caso surjam imprevistos para que as despesas de última hora não comprometam o orçamento.
Importância do planejamento
Para Mariana, da Alocc, o maior benefício não é apenas evitar dívidas, mas preservar a tranquilidade antes, durante e depois da viagem.
"O patrimônio deve ser visto como um instrumento para proporcionar qualidade de vida, segurança e a realização de projetos pessoais. Viajar faz parte desses objetivos e, quando existe planejamento, é possível aproveitar a experiência com tranquilidade, sem comprometer metas financeiras importantes, como a formação de patrimônio, a aposentadoria ou a reserva para emergências", defende.
No mesmo sentido, Patzlaff explica que o viajante que deixa para resolver tudo em cima da hora, em dezembro, por exemplo, paga grande parte da viagem no cartão de crédito e, sem teto de gastos definido, consome por impulso.
"No retorno à rotina, em fevereiro, ele se depara com a fatura do cartão somada às despesas clássicas de início de ano, como IPVA, IPTU e matrículas escolares. O orçamento aperta, ele não consegue pagar a fatura integral e cai no rotativo do cartão. O estresse dessa ressaca financeira destrói instantaneamente toda a paz mental e o descanso que as férias deveriam proporcionar", completa.
Já o viajante que planeja, assimila a importância da antecipação e começa a se organizar agora. "Ele estipula metas mensais de investir até o final do ano. Mais do que apenas guardar, ele aloca esse dinheiro em ativos de renda fixa com liquidez diária, aproveitando a taxa de juros alta. O valor do rendimento pode ser um jantar ou um passeio de barco que não estava nos planos iniciais", avalia.
Fazer uma organização financeira é importante porque "não é sobre se privar, mas sobre garantir a sua liberdade e o retorno real do seu investimento que, nas férias, é o seu descanso e bem-estar", completa.

