ETFs atingem R$ 75 bi em patrimônio e 850 mil investidores no Brasil, mostra B3
Publicado por: Broadcast Exclusivo
6 minutos
Atualizado em
12/11/2025 às 17:19
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
A indústria brasileira de fundos negociados em bolsa (ETF, na sigla em inglês) ultrapassou a marca de R$ 75 bilhões em patrimônio consolidado e 850 mil investidores, dos quais 81% são pessoas físicas. É o que mostra o relatório anual de ETFs da B3, lançado nesta quarta-feira.
"Esse mercado vem crescendo de forma consistente desde 2020, passando de 30 produtos listados para mais de 500 atualmente, o que mostra o aumento de opções à disposição dos investidores na Bolsa", comentou Bianca Maria, gerente de produtos de cash equities da B3.
Novas tendências
O relatório destaca que há um apetite crescente por novas teses e estratégias de ETFs entre os investidores brasileiros, o que fez de 2025 um ano recorde em termos de inovação neste mercado, na avaliação da B3.
Entre as novidades, a administradora da Bolsa brasileira destaca o lançamento do GOAT11, primeiro ETF híbrido do mercado brasileiro - ou seja, combinando renda variável e renda fixa em uma única cota.
Outro destaque foi o lançamento do programa ETF Connect Brasil-China, que conectou a B3 às bolsas de Xangai e Shenzhen, possibilitando uma listagem recíproca de produtos e dando ao investidor acesso a ETFs chineses, como o PKIN11 (que segue o índice CSI 300), o TECX11 (que acompanha o ChiNext) e o SILK11 (que segue o índice MSCI China A 50 Connect Index).
"Essa sofisticação reflete uma mudança no comportamento do investidor. A prateleira de mais de 500 produtos listados, dando acesso aos mercados de ETFs locais e globais, agora permite estratégias mais complexas de alocação", afirmou a Bolsa.
ETFs temáticos e de nicho
Os ETFs abrem a possibilidade de aporte em teses de longo prazo antes inacessíveis ao investidor comum. A B3 destaca ETFs de temas como inteligência artificial (BAIQ39), blockchain (BKCH39), data centers (DTCR39) e energia nuclear (BURA39).
"Além disso, a oferta inclui outros ETFs de nicho, responsáveis por ampliar liquidez em mercados, como o de crédito privado (MARG11) e o de micro caps (TRIG11)", acrescenta a entidade.
ETFs de smart beta: uma nova opção
Os ETFs com estratégia chamada de smart beta também estão entre as novidades deste ano. Eles funcionam de forma diferente de um ETF tradicional, de gestão passiva, que replica um índice ponderado por capitalização de mercado.
O Smart Beta traz uma "terceira via" entre os ETFs passivos e os de gestão ativa: ele permite que o gestor reorganize e filtre os ativos com base em critérios quantitativos que buscam melhorar o retorno ajustado ao risco. Dentre os fatores, estão o valor, a qualidade, o tamanho e o momento desses ativos.
Vale ressaltar que os ETFs de gestão ativa ainda não são regulados no Brasil. Neles, o gestor pode fazer realocações nos fundos mensalmente, escolhendo índices nos quais acredita que pode ter melhor desempenho.
Em evento no começo de outubro, a diretora da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Julya Wellisch, afirmou que a regulação dos ETFs ativos segue no radar, mas ainda não deve sair neste ano.
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