Na guerra dos galpões, Shopee passa Amazon, enquanto Mercado Livre dispara
Publicado por: Broadcast Notícias
4 minutos

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Atualizado em
25/07/2025 às 15:40
Por Circe Bonatelli e Júlia Pestana
A competição entre as empresas de vendas online está em seu ápice, o que vem dando novos contornos ao mapa logístico do Brasil. Neste setor, quem tem mais galpões para armazenagem e distribuição de mercadorias entrega mais rápido e gasta menos para chegar à casa do cliente, uma estratégia que acirrou a busca por imóveis do gênero.
O Mercado Livre, que já era o maior ocupante de galpões no País, disparou na liderança nos últimos meses. A multinacional atingiu a marca de 2,3 milhões de metros quadrados (m²) de área ocupada, o equivalente a 280 campos de futebol. Em um ano, essa área cresceu 50%, abrindo ainda mais distância em relação aos concorrentes.
Na segunda colocação, a novidade é a Shopee, que ultrapassou a Amazon. Em um ano, a Shopee cresceu 54% e chegou a 897 mil m² (menos da metade do Mercado Livre), enquanto a Amazon avançou em ritmo mais brando, de 15%, somando 592 mil m².
Os dados são da consultoria imobiliária Newmark e levam em conta apenas a ocupação em condomínios logísticos. Ficaram de fora da contagem os galpões isolados, que muitas vezes são imóveis antigos e com menor capacidade de armazenamento; ou que envolvem contratos específicos com o proprietário (por isso alguns números podem destoar da contagem de cada empresa).
"As grandes empresas estão crescendo e, para isso, ocupando mais áreas em galpões", afirma a diretora de pesquisa de mercado da Newmark, Mariana Hanania. "A competição no comércio eletrônico é ditada justamente por essa capilaridade logística. Vai vencer quem fizer as entregas mais rápidas."
Mariana destaca que Shopee e Mercado Livre estão bastante ativas na busca por novos territórios. "A velocidade com que a Shopee vem crescendo é bem expressiva. Até 2021, praticamente não se conhecia a marca. Hoje, está na segunda posição e correndo atrás para ganhar mercado."
O responsável pela área de Expansão da Shopee, Rafael Flores, diz que, em cinco anos de operação no Brasil, a empresa estruturou 13 centros de distribuição (CDs), além de 150 polos de distribuição rápida e 2,8 mil pontos de coleta, retirada e devolução.
Já o Mercado Livre anunciou recentemente um plano bilionário de investimentos e que envolve a abertura de novos pontos de estocagem e envio de mercadorias. A multinacional opera 19 CDs e prevê a abertura de mais sete até o fim do ano, chegando a 26.
A Amazon, embora tenha caído para a terceira colocação, mantém uma operação relevante, com 200 polos logísticos distribuídos por todos os Estados. "Estamos acelerando nossa expansão e investindo em tecnologias que criam uma rede logística capaz de atender até as áreas mais remotas", afirma o líder de operações da Amazon Brasil, Ricardo Pagani.
Outro ponto importante é que as empresas de vendas online têm acelerado o crescimento fora da Região Sudeste, com foco em imóveis próximos a grandes centros consumidores do Nordeste, Centro-Oeste e Sul. A diretora da Newmark resume: "Estamos vendo uma descentralização".
Como resultado, a taxa de vacância dos galpões caiu para 7,8%, abaixo do ponto de equilíbrio do mercado, que varia entre 10% e 12%. Ou seja, o cenário está mais favorável para os proprietários desses imóveis, que aproveitaram para reajustar os preços de aluguel em 12% ao longo do último ano, avanço bem acima da inflação anual, de 5,5%.
O avanço das multinacionais gerou um desafio adicional para as empresas brasileiras, que se distanciaram do pódio. O Magazine Luiza manteve a quarta colocação, com 523 mil m², uma expansão de 18% em um ano. É a empresa brasileira de comércio eletrônico mais bem colocada nesse ranking, com um total de 21 centros de armazenagem e 23 polos de entrega. Segundo a empresa, isso representa uma área de 970,9 mil m².
Em 11º lugar aparece o Grupo Casas Bahia (que também engloba as marcas Extra e Ponto), com 271 mil m², estável na comparação anual. Já a Americanas figura na 15ª posição, com 217 mil m², uma retração de 12% e a única entre as grandes a reduzir operações.
Fora do universo dos marketplaces , a primeira colocada é o GrupoSC, dono das redes de medicamentos SantaCruz, Panpharma e Oncoprod. A companhia ocupa a quinta posição geral, com 372 mil m². Em seguida aparecem empresas especializadas em logística: DHL, com 368 mil m², e ID Logistics, com 331 mil m².
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