Dia da Mulher: porcentual de investidoras cresce acima de homens e elas tomam menos risco
Porcentual de mulheres que investem subiu de 33% em 2022 para 35% em 2023, enquanto o de homens permanece em 40%, segundo a Anbima
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos
Atualizado em
08/03/2024 às 16:07
Por Gustavo Boldrini e Bruna Camargo, do Broadcast
O número de mulheres brasileiras que declaram aplicar em algum produto financeiro cresceu pelo segundo ano consecutivo, de 33% em 2022 para 35% em 2023. Em 2021, o total de investidoras era de 28%. Apesar da alta, o público feminino ainda é menor do que o masculino, que manteve no ano passado o mesmo porcentual de 2022 (40%). Os dados são da sétima edição do "Raio X do Investidor Brasileiro", pesquisa realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.
"O número de mulheres investidoras vem crescendo principalmente pelo crescimento de informações sobre educação financeira", afirma Aline Soaper, especialista em educação financeira e fundadora do Instituto Soaper. "A mudança de ambiente da forma de negociações de ações também tornou o mercado de ações mais amigável para as mulheres, e a facilidade de comprar investimentos através dos aplicativos de bancos de corretoras, com mais mulheres ensinando outras mulheres a investir também contribuem para este quadro", acrescenta Soaper.
Ainda que o número de investidoras esteja crescendo, o fato de muitas mulheres serem responsáveis pelas finanças da casa e dos filhos, além de todas as outras atribuições, tem levado a um aumento do endividamento delas nos últimos anos. Segundo um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em janeiro de 2023, 80% das mulheres brasileiras estavam endividadas.
"Além do ambiente predominantemente masculino, a cultura de que o homem é o responsável pelo dinheiro da família não favorecia a participação das mulheres no mundo dos investimentos", comenta Aline Soaper, pontuando que essa cultura vem mudando. Ela própria é um caso de investidora com autonomia sobre sua vida financeira, tendo nascido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro (RJ), e hoje autora de mais de oito livros sobre finanças pessoais.
Busca por segurança é o que move investidoras
O principal objetivo das mulheres ao investirem seus recursos é a segurança financeira, com a possibilidade de juntar uma reserva. Segundo a Anbima, 38% das investidoras têm esse objetivo, que lidera as motivações das mulheres desde a primeira edição da pesquisa, em 2018. Entre os homens, a busca pela segurança financeira tem proporção menor, de 33%. Por outro lado, apenas 17% das mulheres investidoras afirmaram buscar retornos financeiros ao aplicar seus recursos, contra 25% dos homens.
- A caderneta de poupança ainda é o investimento mais usado pelo público feminino, com 26% das respostas, mesmo resultado de 2022. Títulos privados vêm em segundo lugar, com leve crescimento de 3% para 4% em 2023. Já os fundos de investimento e a compra e venda de imóveis seguiram com 3% das citações cada.
A compra de um imóvel é o destino mais citado dos recursos investidos tanto pelas mulheres quanto pelos homens (34% e 32%, respectivamente). Manter os recursos aplicados é a resposta que vem na sequência, também para ambos os públicos (18% e 21%, na mesma ordem).
Tesouro Educa+ cresce entre mulheres
Um dos títulos de maior segurança que o mercado oferece é o Tesouro Direto, que oferece às investidoras e investidores a possibilidade de alocar seus recursos na dívida do governo federal. Para incentivar suas clientes a investirem no título Tesouro Educa+, que é voltado para a educação, o Banco do Brasil lançou neste ano o Educa+ Mulher, que inclui mulheres de 16 a 75 anos que investirem nesse título na apólice do BB Seguro de Vida Mulher, de forma automática e gratuita. A promoção vai até 28 de junho.
"Em pouco mais de 30 dias desde o lançamento da parceria, houve um incremento de 145% na média diária de mulheres investindo em títulos do Tesouro Educa+. Antes da ação, as mulheres representavam 35% do número de investidores nessa modalidade do Tesouro. Hoje, elas chegam a quase 58% do total de clientes", afirma Francisco Lassalvia, vice-presidente de Negócios de Atacado do Banco do Brasil.
Mulheres tendem a ter desempenho melhor que homens nos investimentos
Um fator interessante e que pode motivar mais mulheres a entrarem para o mundo dos investimentos é o de que, quando as mulheres investem, tendem a ter um desempenho melhor do que os homens. Segundo estudo da Warwick Business School, o rendimento dos investimentos das mulheres na Bolsa de Londres superou o dos homens em 1,8% ao ano. Um outro estudo da gestora Fidelity publicado, em 2021, mostrou que as investidoras tiveram um desempenho 0,4% superior aos investidores.
O fato de as mulheres geralmente terem menos agressividade em seu perfil de investimento é visto como um dos motivos para esse melhor desempenho, já que elas tendem a cometer menos erros de alocação. "As mulheres não são necessariamente avessas ao risco, mas muitas vezes são mais calculistas na tomada de risco", avalia o banco suíço UBS em relatório recente.

