Da dívida ao investimento: o que o brasileiro procura antes de chegar à Bolsa?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
18/09/2026 às 11:56
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
São Paulo, 18/09/2026 - O investidor pessoa física ampliou sua presença na Bolsa em agosto, enquanto o mercado acionário brasileiro também ganhou força. A base chegou a 5,8 milhões de CPFs no mês passado, alta de 8,3% em um ano, segundo a B3.
Já o volume financeiro médio diário negociado totalizou R$ 30,3 bilhões, ou quase 34% mais frente a julho. No período, o estoque de fundos alcançou R$ 5,822 trilhões, avanço de 19,2% na comparação anual.
Para André Milanez, diretor-executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores da B3, os números mostram uma recuperação importante, após um mês de julho sazonalmente mais fraco.
"Observamos uma retomada consistente nos derivativos e a continuidade do crescimento dos mercados de balcão e renda fixa, que seguem demonstrando resiliência e relevância", disse o executivo.
Antes de investir, organizar
Mas o crescimento da base de investidores é apenas uma parte da jornada financeira do brasileiro. Antes de chegar à Bolsa ou escolher um produto para colocar seu dinheiro, a maioria das pessoas ainda está tentando resolver questões mais básicas, como, por exemplo, a organização do orçamento, a quitação de dívidas ou como realizar um sonho.
É o que mostra o levantamento "O que a Faria Lima não vê", que acaba de ser divulgado pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar) e que analisou como os brasileiros buscam informações sobre dinheiro na internet.
Foram analisadas 6,431 bilhões de perguntas indexadas no Google, 467 milhões de consultas únicas e 392 mil menções públicas nas redes sociais realizadas por 47,3 milhões de usuários únicos ao longo dos últimos cinco anos.
Segundo os dados, 76% das perguntas feitas sobre dinheiro começam a partir de uma situação ou objetivo, enquanto apenas 15% já dizem respeito a um produto financeiro específico.
"A oportunidade está colocada. As pessoas sentem necessidade de encontrar um ponto de apoio confiável. Enquanto não buscarmos formas de nos conectar com as pessoas nesse momento em que mais precisam, deixaremos passar a oportunidade de criar um vínculo realmente duradouro com nossos clientes", avalia Ana Leoni, CEO da Planejar.
Medo do julgamento
A maior parte da trajetória financeira das pessoas é solitária, aponta o estudo, porque elas temem errar, ser julgadas ou incapazes de explicar o que estão vivendo.
Nesse cenário, expressões como "ganho pouco" ou palavras que remetem a questões sobre o "dinheiro no relacionamento" são algumas das mais presentes no levantamento. Termos como ansiedade financeira e orientação financeira também ficaram entre os mais buscados na internet no período.
Para Renato Dolci, diretor de dados da Timelens e autor do estudo, há uma lacuna na relação entre o mercado financeiro e o cliente. "Quando o mercado entra apenas no momento em que a pessoa já está escolhendo onde investir, chega tarde a uma conversa que começou muito antes", diz

