Copasa 3T25: queda de volumes e aumento de custos; negativo.
BB analisa resultados do 3o TRI 25 e apresenta novo preço-alvo para as ações.
Publicado por: Análise BB
4 minutos

BB analisa resultados do 3o TRI 25 e apresenta novo preço-alvo para as ações.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
04/11/2025 às 16:28
A Copasa divulgou ontem (3/11), após o fechamento do mercado, seu resultado referente ao 3T25, trazendo dinâmica semelhante à do trimestre anterior e mais fraca em relação ano anterior. Houve mais uma vez queda de volumes distribuídos e custos crescendo acima da receita, ainda que os custos gerenciáveis tenham seguido de perto a receita. A maior pressão de alta foi sobre os custos não gerenciáveis que são repassados para a tarifa, o que somado à revisão tarifária que será aplicada em janeiro, deve trazer dinâmica mais favorável em 2026.
Aproveitamos para atualizar nossa avaliação da companhia, alterando a data de referência para o preço-alvo de dezembro de 2025 para dezembro de 2026 e incorporando os dados preliminares da revisão tarifária em fase de conclusão e premissas macroeconômicas atualizadas. Nosso novo preço-alvo é de R$ 32,30 por ação CSMG3 mas reduzimos nossa recomendação para Venda após a forte alta de aproximadamente 90% no ano.

A receita líquida excluindo receita de construção veio em R$ 1,8 bilhão no 3T25, alta de 3,4% na comparação anual, com as quedas de 1,7% e 0,9% do volume medido de água e esgoto respectivamente, ofuscando o reajuste tarifário médio anual de 6,42% de janeiro. No 9M25, a receita ex-construção somou R$ 5,4 bilhões (+4,7% a/a), ainda beneficiada pelo avanço de volumes faturados de água (+4,1% a/a) e esgoto (+4,4% a/a) no 1T25 e pelo reajuste tarifário anual, válido a partir de janeiro, com incremento médio de 6,42%, diluindo o impacto da queda de volumes medidos verificadas nos últimos dois trimestres.

O total de custos e despesas operacionais ex-depreciação somou R$ 1,1 bilhão no 3T25 (+6,0% a/a) e R$ 3,2 bilhões no 9M25 (+6,2% a/a), puxado principalmente por serviços de terceiros, que avançaram 12,3% a/a no 3T25, após alta de 8,8% a/a e 20% a/a verificada nos dois primeiros trimestres do ano. Destaca-se maiores custos com consultoria empresarial. O custo com pessoal avançou ligeiramente acima da receita no 3T25 (+3,8% a/a) com a alta de salários superior a 4% compensando a redução de 2% no número de funcionários. Entre os custos não gerenciáveis a alta foi puxada por energia elétrica com impacto de revisões tarifárias, bandeiras tarifárias e alta dos preços de energia no mercado livre.
Assim, o EBITDA do 3T25 veio em R$ 721 milhões, apresentando ligeira queda na comparação anual (- 0,4% a/a) e somou R$ 2,2 bilhões no 9M25 (+2,6% a/a), com perda de margem como consequência da dinâmica desfavorável de receita e custos. A margem EBITDA ficou em 39,3% no 3T25, com perda de 150 pontos base em relação ao 3T24 e ficou em 40,5% no 9M25, com perda de 84 bps na comparação anual.

Desempenho da Ação. As ações da Copasa apresentam forte valorização de 90% ao longo de 2025 até o fechamento de ontem, impulsionadas pela perspectiva de privatização com o avanço do projeto de lei 4.380/25 e de emenda constitucional 24/23 aprovadas pela Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais em setembro e em primeiro turno no plenário em outubro. A aprovação e possível execução da privatização da companhia pode abrir caminho para a renovação de seu principal contrato de prestação de serviços de saneamento, com a capital do Estado, Belo Horizonte, de acordo com o Novo Marco Regulatório do Setor. Ainda que a conclusão desse processo possa agregar valor econômico significativo para a companhia, a incerteza sobre se e como ele ocorrerá nos impede de incorporá-lo em nosso modelo de avaliação por enquanto, e portanto, reduzimos nossa recomendação para Venda neste momento.
Atualizamos nosso modelo de avaliação da Copasa com novas premissas macroeconômicas e a atual realidade de receita e custos demonstrada nos resultados trimestrais de 2025, bem como dados preliminares da revisão tarifária que entrará em vigor em janeiro de 2026 e novos valores do programa de investimentos para atingir a universalização do saneamento no Estado de Minas Gerais.
A revisão tarifária em fase de conclusão deve elevar as tarifas em aproximadamente 5,5% acima da inflação a partir de janeiro e deve elevar a margem Ebitda de aproximadamente 41% para aproximadamente 46%. A regra de reconhecimento dos investimentos na base de ativos regulatórios anualmente a partir do próximo ciclo tarifário e a intensificação do investimento em expansão para cumprir a meta de universalização no Estado de Minas Gerais devem permitir ainda algum ganho adicional de margem ao longo do ciclo tarifário, aproximando-a de 50%. Assim estimamos o retorno sobre capital investido (ROIC) acima de 12% nos próximos anos, acima do WACC que utilizamos em nossa avaliação, de 11,2%.
Apresentamos novo preço-alvo para as ações CSMG3 para o fim de 2026 de R$ 32,30 (antes R$ 27,50) e estimamos retorno via dividendos de 6,2% em 2026. No entanto, a forte alta das ações em 2025, superando os 90% de valorização acumulada no ano até o fechamento de ontem, não oferece potencial de valorização ao nosso novo preço-alvo e portanto reduzimos nossa recomendação de Neutra pra Venda.
Nossa avaliação consiste no desconto dos fluxos de caixa livres projetados para a firma até 2032, data de vencimento do maior contrato de prestação de serviços de saneamento da companhia, na capital do Estado, Belo Horizonte, considerando como valor terminal a base de ativos regulatórios estimados ao final deste período, também trazido a valor presente pelo WACC estimado. Assumimos a distribuição de 50% do lucro líquido como dividendo e/ou JCP.
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.


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