BB-BI analisa a Vero sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
05/09/2025 às 17:35
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A Vero é uma das principais provedoras de serviços de internet no Brasil (ISPs), destacando-se no segmento de banda larga de fibra óptica, com presença em municípios de médio e pequeno porte nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. A companhia surgiu em 2019 após a fusão de 8 provedores ISPs localizadas no interior de Minas Gerais e hoje atende a mais de 1,4 milhão de clientes dos campos empresariais (B2B) e varejo (B2C) em centenas de cidades através de 53,5 mil km de fibra ótica (FTTH). Sua estratégia tem sido pautada pela consolidação do mercado de ISPs, pela rentabilização de clientes e pela expansão geográfica acelerada, buscando ampliar o número de usuários e fortalecer a presença tanto em áreas urbanas quanto no mercado corporativo.
O plano de expansão da Vero combina crescimento orgânico e inorgânico, com inúmeras aquisições realizadas desde a sua fundação. Em dez/2023, a Vero concluiu a fusão de suas operações com a America Net via troca de ações, com foco na ampliação da rede de fibra óptica, avanço no segmento B2B e diversificação do portfólio de serviços oferecidos, como soluções de TI, telefonia móvel e pacotes combinados de internet (streaming) e TV. A adoção de redes neutras, em complemento, tem apoiado a empresa no processo de penetração em capitais, como Belo Horizonte e Goiânia.
Para viabilizar esses movimentos, a companhia realizou captações no mercado de dívida, destinando recursos à melhoria da infraestrutura e à entrada em novos mercados. A emissão de R$ 900 milhões, realizada em out/2024, permitiu o alongamento do prazo médio da dívida, reduzindo a pressão sobre o fluxo de caixa no curto prazo. No entanto, o nível de alavancagem medido pela relação dívida líquida¹ / EBITDA ajs.² em 3,3x ao encerramento de 2024 requer atenção considerando os limites estabelecidos através dos covenants financeiros - índice de 3,75x que passa a ser de 3,50x a partir de 2025. Em um ambiente de forte concorrência e de juros e inflação em patamares elevados, o equilíbrio entre crescimento e gestão da estrutura de capital se torna essencial frente a necessidade constante de investimentos para manutenção de competitividade.

Contexto operacional recente e análise financeira
O crescimento das provedoras de serviços de internet (ISPs) no Brasil impulsionado pela demanda por conectividade de alta velocidade, sobretudo devido à digitalização e ao aumento do consumo de dados pós-pandemia da Covid-19, tem alterado a dinâmica do setor de telecomunicações e TI. Historicamente, este setor apresentou concentração, com grandes operadoras dominando a maior parte do mercado, especialmente nos segmentos de telefonia móvel e banda larga fixa. Nos últimos anos, contudo, a infraestrutura de fibra óptica (em substituição aos fios de cobre) e a implementação da rede 5G têm desempenhado papel decisivo para atender consumidores, criando um ambiente competitivo entre as empresas. Sob essa perspectiva, a estratégia da Vero tem sido pautada pela consolidação do mercado de ISPs, pela rentabilização de clientes e pela expansão geográfica acelerada, buscando ampliar o número de usuários e fortalecer a presença tanto em áreas urbanas quanto no mercado corporativo.
O plano de expansão da companhia combina crescimento orgânico e inorgânico, com inúmeras aquisições desde a sua fundação. Em dez/2023, a Vero concluiu a fusão de suas operações com a America Net via troca de ações, com foco na ampliação de sua rede de fibra óptica, avanço no segmento B2B e na diversificação do portfólio de serviços oferecidos, como soluções de TI, telefonia móvel e pacotes combinados de internet (streaming) e TV. A adoção de redes neutras, em complemento, tem apoiado a empresa no processo de penetração em capitais, como Belo Horizonte e Goiânia. Com presença em 426 cidades, passou a deter market share em torno de ~22% nas praças onde atua e ser a terceira maior ISPs em conexões conforme dados da Anatel em fev/2025.
Em 2024, a Vero registrou crescimento em sua receita refletindo a consolidação dos números da America Net. A companhia estima ter alcançado cerca de 162% das metas de sinergias (receita, capex/opex, entre outras) previstas com a fusão para o ano. Comparando ao ano anterior, a receita combinada das duas empresas cresceu 4,6%, um aumento tímido, em linha com a inflação do período. Contribuíram para esse resultado (i) o avanço do novo portfólio de produtos, (ii) a migração de clientes para serviços digitais premium e (iii) a expansão no segmento B2B, resultando em incremento das adições líquidas (diferença entre novas assinaturas e cancelamentos) e da receita média por usuário (ARPU), além da redução da taxa de churn (evasão de clientes). Por outro lado, houve prejuízo líquido de R$ 23 milhões no exercício, refletindo o impacto negativo das despesas financeiras (serviço da dívida). A emissão de debêntures no volume de R$ 900 milhões, realizada em out/2024, colaborou para reduzir a pressão sobre o fluxo de caixa no curto prazo. No entanto, o nível de alavancagem medida pela relação dívida líquida¹ / EBITDA ajs.² em 3,3x ao encerramento do ano de 2024 requer atenção considerando os limites estabelecidos através dos covenants financeiros - índice de 3,75x que passa a ser de 3,50x a partir de 2025. Em um ambiente de forte concorrência e de juros e inflação em patamares elevados, o equilíbrio entre crescimento e gestão da estrutura de capital se torna essencial frente a necessidade constante de investimentos para manutenção de competividade.
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