BB-BI analisa a Simpar sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB

Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
23/12/2024 às 14:00
A Simpar é uma holding controladora de diversas empresas que atuam em setores da economia como transporte, logística, locação de veículos e gestão de frotas. A companhia foi criada em 2020, a partir de uma reorganização corporativa do Grupo JSL, com o objetivo de criar uma estrutura mais eficiente para gerenciar suas diferentes áreas de atuação.
As principais empresas do grupo são: (i) JSL, que atua em logística integrada, com soluções para transporte rodoviário, gestão de armazéns, serviços dedicados, dentre outros; (ii) Movida, que atua em aluguel de carros e gestão de frotas; (iii) Vamos, especializada em locação e venda de caminhões, máquinas e equipamentos pesados; (iv) CS Infra, especializada na gestão de concessões em mobilidade urbana, rodovias, saneamento e resíduos sólidos; (v) CS Brasil, que fornece serviços para o setor público, como transporte urbano e gestão de frotas; (vi) Automob, que atua na comercialização de veículos novos e seminovos; (vii) BBC Digital, que oferece soluções financeiras como crédito e seguros; e (viii) Ciclus Ambiental, que atua na gestão de resíduos.
A Simpar possui gestão descentralizada, de modo a permitir que cada empresa do grupo opere de forma independente, mas com suporte estratégico da holding. O modelo de negócios foca em crescimento e diversificação de receitas, dando prioridade aos negócios atrelados a contratos de longo prazo, de modo a elevar a estabilidade e a previsibilidade dos fluxos de caixa da companhia. Devido à natureza de suas operações, a companhia faz uso intensivo de capital, utilizando recursos de terceiros para compor grande parte de seus investimentos. No 3T24, a dívida líquida consolidada da Simpar era de R$ 38,7 bilhões, com uma alavancagem financeira de 3,7x Dívida líquida / EBITDA UDM*, patamar abaixo do limite de 4,0x estipulado para fins de covenants, mas elevado do ponto de vista de risco de crédito para o investidor, em nossa opinião.

No 3T24, a Simpar apresentou um resultado consolidado positivo, em nossa opinião, com destaque para a Movida, que avançou em itens como recomposição de tarifas, yield (receita/valor do ativo) e volumes de aluguel, principalmente no GTF (gestão e terceirização de frota), mas também no RAC (aluguel de veículos), o que levou a companhia a um EBITDA de R$ 1,2 bilhão (+44% a/a) com ROIC de 12,4% (+4,4 p.p. a/a). A Vamos, em contrapartida, foi o destaque negativo, impactada pelos negócios relacionados ao setor agro, tanto no fraco desempenho de vendas nas concessionárias, quanto na inadimplência dos contratos de aluguel de máquinas e caminhões, e encerrou o trimestre com EBITDA de R$ 871 milhões (+28% a/a) com ROIC de 13,9% (-4,8 p.p. a/a). Por fim dentre as principais investidas, a JSL apresentou resultado neutro, com destaque para o segmento Asset-Heavy, impulsionado pelo Projeto Cerrado (da Suzano), para o qual a JSL tem operação logística dedicada, porém, com impacto negativo da venda de ativos, com volume fraco de vendas, refletindo as tendências recentes observadas no setor, encerrando o período com EBITDA de R$ 450 milhões (+15% a/a) e margem de 19,7% (-0,5 p.p. a/a). Devido à baixa representatividade relativa das demais investidas do grupo, não fazemos análise de seus resultados trimestrais.
Com relação ao endividamento da Simpar, temos uma percepção de perfil de crédito de alto risco. A companhia possui R$ 38,7 bilhões em dívida líquida (+22% a/a) com prazo médio de vencimento de 4,8 anos, sendo R$ 7,1 bilhões vencendo no curto prazo (<= 1 ano), e custo médio de 12,7% (excluindo o benefício fiscal gerado pelas despesas financeiras), levando às seguintes métricas de alavancagem no 3T24, calculadas com base nos critérios de covenants: (i) 3,7x Dívida líquida / EBITDA – Bond; (ii) 2,3x Dívida líquida / EBITDA-A – Dívidas locais; e (iii) 3,4x EBITDA-A / Despesa financeiro líquida – Dívidas locais. Os números estão dentro dos limites restritivos estipulados: (i) máx 4,0x; (ii) máx 3,5x; e (iii) mín 2,0x, respectivamente. Contudo, a proximidade desses limites reduz espaço para novas captações, o que pode restringir futuros investimentos e limitar a margem de crédito disponível para a companhia em cenários de estresse financeiro/operacional que possam se apresentar nos próximos anos. Além disso, a recente retomada do ciclo de alta de juros no Brasil pode elevar o custo de rolagem de dívida e pressionar as despesas financeiras, ampliando os desafios para a empresa.
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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