BB-BI analisa a Oncoclínicas sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
19/02/2026 às 18:05
A Oncoclínicas é uma das maiores companhias no Brasil dedicadas exclusivamente ao tratamento do câncer, com atuação por meio de um modelo de negócios integrado de equipes de saúde médicas e assistenciais e uma estrutura de clínicas de oncologia, laboratórios de genômica, anatomia patológica e cancer centers, que totaliza 148 unidades de atendimento em 44 cidades. Entre as ações voltadas para a inovação contínua no tratamento oncológico e acesso às melhores práticas globais, desde 2014, a companhia mantém parceria com o Dana-Farber Cancer Institute, afiliado à Harvard Medical School, para fomentar a troca de conhecimentos, qualificar equipes de maneira multidisciplinar e desenvolver projetos nas áreas de ensino, pesquisa e assistência clínica.
Fundada em 2010, em Belo Horizonte (MG), suas primeiras expansões ocorreram nos estados de São Paulo e Pernambuco. A companhia ganhou tração em 2015 com o aporte financeiro de um fundo de investimento em participações, que viabilizou o crescimento das operações de radioterapia por meio de inaugurações e aquisições. Após uma nova rodada de investimentos em 2018, já sob um novo modelo de governança corporativa e com uma equipe de gestores reformulada, a companhia inaugurou o primeiro centro integrado de oncologia (cancer center) na cidade de Nova Lima (MG).
A oferta pública de ações (IPO), em 2021, permitiu transações estratégicas, adquirindo empresas notáveis do setor e agregando infraestruturas relevantes em sua atuação, ao passo que acordos de exclusividade de longo prazo com hospitais e operadoras de saúde, como Unimed Nacional e Porto Seguro, apoiaram as projeções de crescimento. Em 2023, uma oferta subsequente envolvendo distribuição primária e secundária de ações, gerou nova captação de recursos para a companhia com a finalidade de acelerar projetos de expansão.

Contexto operacional recente e análise financeira
Além de rodadas de investimentos, abertura de capital e oferta subsequente de ações, a emissão de títulos corporativos (debêntures e CRIs) no mercado de capitais foi um importante mecanismo de financiamento de projetos e aquisições que fundamentaram o crescimento da companhia. Porém, no período entre o 4T23 e o 1T24, a companhia alcançou níveis mais críticos de endividamento e devido a uma maior necessidade de caixa ocasionada principalmente pelo (i) incremento do volume de glosas, (ii) aumento do prazo de pagamento de algumas fontes pagadoras e do (ii) hiato operacional gerado pela migração da carteira de beneficiários de um cliente relevante, anunciada no início do mês de março e concluída no início de abril, que afetou de forma significativa o volume de recebimentos dessa fonte pagadora durante o último mês do 1T24. Nos trimestres seguintes, iniciativas voltadas para (i) otimização e pulverização da carteira, reduzindo a exposição a alguns planos e operadoras de saúde com prazos de recebimento mais longos, ainda que alguns desses clientes oferecessem margens de contribuição mais elevadas do que a média, visando privilegiar a dinâmica de capital de giro e geração de caixa e o (ii) reforço de gerado pelo aumento de capital no montante total de R$ 1,5 bilhão, resultaram em reduções graduais da e alavancagem.
Neste contexto, em 2024 a companhia registrou um novo avanço da receita bruta, com um crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior, alcançando R$ 6,8 bilhões, influenciada principalmente pelo aumento de 9,0% a/a no número de procedimentos realizados e de 4,4% a/a no . Por outro lado, a elevação dos custos em relação ao percentual da receita bruta, levou à uma redução de 2 p.p. na margem bruta, que foi de 33,3%. No 4T24, o teste de recuperabilidade referente ao ágio pago nas aquisições passadas indicou que o valor recuperável dessas operações foi inferior ao seu valor contábil. Assim, foi reconhecida uma perda não recorrente e não caixa por , no montante de R$ 796,1 milhões, com impacto no e no . Excluindo os efeitos não caixa da apuração do valor justo do plano de incentivo de longo prazo (PILP) e do Impairment, o EBITDA totalizou R$ 1.030 milhões em 2024 (-3% a/a) e o lucro líquido, R$ 106,3 milhões (-70,4% a/a).
Ao final de 2024, a companhia registrou uma dívida líquida, incluindo aquisições a pagar, de R$ 3,4 bilhões e alavancagem financeira, medida pelo indicador dívida líquida/EBITDA ajustado¹, de 2,9x, ambos abaixo dos valores observados ao final do ano anterior, refletindo uma posição de caixa e equivalente de caixa reforçada principalmente pelo aumento de capital realizado no ano.
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