BB-BI analisa a Equatorial sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB

Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
25/02/2025 às 12:08
A Equatorial S.A. é uma holding brasileira, fundada em 1999, que atua de maneira integrada no setor elétrico, com longo histórico operacional no segmento de Distribuição, onde detém 7 concessões, se posicionando como um dos maiores expoentes do segmento no país, e posterior expansão para os segmentos de Geração, com foco em renováveis já somando 1,2 GW de capacidade instalada, e de Transmissão cuja receita anual ultrapassará R$ 1 bilhão após a entrada operacional completa dos ativos já conquistados. A companhia expandiu recentemente sua atuação também para o setor de saneamento básico, conquistando uma concessão no Amapá e se tornando acionista de referência da Sabesp com a aquisição de 15% do capital na oferta de ações ocorrida em julho de 2024 que efetivou sua privatização.
A estratégia da Equatorial foca a expansão, tanto via aquisições de ativos e concessões estressadas com grande potencial de melhoria operacional e financeira, quanto pela consolidação e crescimento orgânico de suas concessões. Nos últimos anos a companhia priorizou também a diversificação de seus negócios, com desenvolvimento de ativos de geração renovável, transmissão de energia e saneamento básico. Sua gestão tem ênfase na busca do ganho de eficiência operacional, possuindo histórico comprovado de redução de perdas e despesas operacionais e disciplina na alocação de capital, amparados por uma governança corporativa robusta a partir de uma estrutura acionária sem controlador definido e um sólido balanço financeiro.
A companhia levantou um empréstimo-ponte garantido com prazo de 18 meses no montante de R$ 5,7 bilhões para a compra de participação na Sabesp, mas já realizou venda de ativo – uma transmissora, em julho, por R$ 1,2 bilhão - e uma capitalização via subscrição privada de R$ 2,5 bilhões desde então, sendo esta última utilizada integralmente para pré-pagamento parcial do empréstimo-ponte.
Os setores de energia elétrica e de saneamento no Brasil são caracterizados por infraestrutura robusta e forte regulação, com contratos de longo prazo que proporcionam previsibilidade de receitas. A transição energética tem impulsionado investimentos em fontes renováveis, enquanto as empresas enfrentam desafios ligados a inadimplência, necessidades de modernização e mudanças regulatórias. Nesse contexto, a Equatorial se destacou no 3T24 com forte crescimento da receita líquida na comparação anual, registrando crescimento de 19,5%, e também da margem bruta, que exclui itens da receita e de custos sem impacto no caixa, apresentou alta de 12,6% a/a, estimulada pelo aumento no consumo de eletricidade devido ao clima mais quente elevando o volume de energia distribuída (+6,7% a/a) e por resultados de revisões tarifárias, com destaque para o da Equatorial Goiás, além do impacto da expansão recente no segmento de geração renovável. O EBITDA ajustado atingiu R$ 2,9 bilhões (+16% a/a) enquanto o lucro líquido ajustado apresentou alta de 25% a/a, alcançando R$ 790 milhões no trimestre.
No fechamento do 3T24, portanto ainda antes da capitalização de R$ 2,5 bilhões via subscrição e da amortização parcial das notas de crédito que financiaram a aquisição de 15% de participação na Sabesp, o prazo médio da dívida era 5,1 anos e a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda dos últimos 12 meses encerrou o 3T24 em 3,2x, mas ressalta-se que as disponibilidades em caixa superavam em 2 vezes os vencimentos da dívida no curto prazo. E estas métricas já estão melhores a partir desses fatos ocorridos no último trimestre de 2024. Destacamos também essa facilidade de acesso aos mercados de capitais, tanto para capitalização via subscrição ou oferta de ações, quanto para captação de dívida, como um ponto forte da companhia e demonstra a boa visão que o mercado tem nos ativos e na gestão da companhia.
Por outro lado, a incerteza que ainda existe relacionada à renovação das concessões de distribuição de energia com vencimento nos próximos anos, reduz a previsibilidade de parte da geração de caixa da Equatorial, pois caso a companhia não concorde com os termos da renovação não sabemos como se daria a transferência para novo concessionário e o recebimento dos montantes referentes à base de ativos regulatórios não depreciados. As duas concessões com vencimento em julho de 2028 (Maranhão) e agosto de 2030 (Pará) respondem por aproximadamente 45% do Ebitda do segmento e do total de base de ativos regulatórios da Equatorial. Ressaltamos, no entanto, que a base de ativos regulatórios dessas duas concessões superam com folga seus respectivos endividamentos, e esse valor representa a indenização que a companhia teria direito a receber no caso de não ocorrência da renovação das concessões.
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.
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