BB-BI analisa a Engie sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
21/11/2024 às 13:00
A Engie Brasil Energia é uma das maiores geradoras de energia elétrica do Brasil, exclusivamente por fontes renováveis, e nos últimos anos expandiu sua atuação para o segmento de transmissão de energia elétrica e transporte de gás. Ela é controlada pelo grupo francês Engie, líder global em produção independente de energia e atuante em 30 países, com faturamento superior a EUR 82 bilhões em 2023.
Possui capacidade instalada de ~10GW em 81 usinas, representando ~5% da capacidade nacional, totalmente proveniente das fontes renováveis hídrica, eólica, solar e biomassa e mais de 3.800 km de extensão em linhas de transmissão de energia - sua acionista controladora, Engie, tem participação de 40% no capital da usina hidrelétrica Jirau com 3.750 MW de potência e deve transferir essa participação para a Engie Brasil (elevando a capacidade instalada da companhia, mas, considerando a estrutura de dívida de Jirau, podendo refletir também sobre sua alavancagem). No segmento de transporte de gás natural, se tornou a detentora, em parceria com sócios, da malha mais extensa do país, de 4.500 km a partir da aquisição da Transportadora Associada de Gás - TAG, em 2020. Em 2023 a companhia vendeu 15% do capital social da TAG mas ainda mantém participação de 17,5%.
As concessões de Geração são contratos de 35 anos e as de Transmissão de 30 anos que normalmente demanda grandes investimentos apenas no início desse período, com pouco investimento residual ao longo da concessão após sua construção finalizada. Os fluxos de caixa gerados são robustos e previsíveis, sendo reajustados anualmente pelo IPCA acumulado no período, conferindo-os previsibilidade, estabilidade e proteção contra inflação. Frente a um ciclo mais intensivo de investimentos, a Engie vem mantendo alavancagem financeira controlada com índice dívida líquida / EBTIDA UDM* de 2,7x no 3T24.

Contexto operacional recente e análise financeira
A Engie anunciou nos últimos dias de 2023 a venda de 15% de participação no capital da TAG, dos 32,5% adquiridos em 2020, pelo montante de R$ 3,1 bilhões, que passou a contribuir com menor resultado de equivalência patrimonial aos números consolidados em 2024. Este fato, adicionado ao menores preços médios de venda de energia e ao impacto do curtailment, restrições técnicas para a geração de energia, principalmente no nordeste do país, por excesso de carga e falta de capacidade de transmissão e escoamento de energia para outras regiões, tem impedido crescimento mais intenso da receita e reduzido a geração de caixa e o lucro líquido nos últimos trimestres, no que pese a robustez e previsibilidade das receitas - exceto no 1T24, que contou com impacto positivo de R$ 1,3 bilhão decorrente do lucro na venda de participação na TAG.
Atualmente, 85% da receita líquida da Engie é proveniente dos ativos de geração, sendo que ~77% da capacidade instalada referem-se a hidrelétricas e 18% a parques solares, sendo os demais 5% compostos pelas fontes solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. O segmento de transmissão contribui com cerca de 12% da receita, mas deverá aumentar sua participação assim que os dois novos projetos em construção entrarem em operação, sendo o restante derivado das atividades de trading de energia - a companhia tem reforçado sua estratégia de expansão em geração renovável e transmissão elétrica, com investimentos que somam mais de R$ 7,5 bilhões em 2024 e preveem mais de R$ 6 bilhões entre 2025 e 2026. Já a participação no ativo de transporte de gás, contribui via equivalência patrimonial e após a redução da participação no capital da TAG para 17,5% tem adicionado montantes correspondentes a 7% da receita líquida total. Frente a um ciclo mais intensivo de investimentos, a Engie vem mantendo liquidez saudável, com acesso a linhas de crédito e reservas financeiras suficientes para honrar as obrigações de curto prazo. A alavancagem financeira segue controlada, com índice dívida líquida / EBITDA UDM* de 2,7x ao fim do 3T24.
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