BB-BI analisa a Alloha Fibra (Giga+) sob a ótica do crédito privado
Análise de emissores de crédito privado
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
05/09/2025 às 17:33
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A Alloha Fibra, controlada pela gestora eB Capital, consolidou-se como uma das maiores operadoras independentes de fibra óptica FTTH (Fiber To The Home) do Brasil, com uma base nacional de clientes e extensão de rede de aproximadamente 1,6 milhão de assinantes e uma malha de mais de 149 mil quilômetros de fibra. Com atuação em 22 estados e presença em mais de 864 cidades, a companhia, ao final de 2024, ocupava a quarta posição nacional em número de assinantes e extensão de rede de fibra óptica, além de liderar entre os Provedores de Pequeno Porte (PPP) no segmento FTTH, segundo dados da Anatel¹.
A estrutura corporativa passou recentemente por uma reorganização. Em substituição ao modelo regional anterior, com diversas marcas, o Grupo Alloha Fibra ficou segmentado em duas unidades de negócios: B2C (business to consumer) com a marca Giga+ Fibra voltada ao consumidor final, e B2B (business to business) com a Giga+ Empresas direcionada a clientes corporativos, entes públicos, operadoras e ISPs (Internet Service Provider). Ademais, a Alloha Fibra obteve registro de companhia aberta na categoria “A” junto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), habilitando a empresa a realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO), caso venha a decidir por esse caminho no futuro.
A Alloha Fibra tem conduzido uma estratégia de expansão inorgânica acelerada desde 2018, resultado em um aumento do seu endividamento. Entre as principais aquisições realizadas, destacam-se: Mob Telecom em 2020, consolidando atuação nas regiões Norte e Nordeste, e outras marcas como Wirelink, Vip, Click, Univox, Ligue e Niufibra em 2021, reforçando sua presença nacional. Em 2024, a compra da maranhense Atex Telecom, adicionou 63 mil clientes e fortaleceu a atuação em 31 municípios. O modelo de negócios da empresa combina aquisição de ativos em regiões com baixa competição e integração operacional padronizada. Nos últimos trimestres, tem se dedicado a integração dos ativos adquiridos, com unificação de sistemas e processos. Em mar/2025, reportou alavancagem (dívida líquida/EBITDA anualizado) de 2,95x. Em maio, realizou a 9ª emissão de debêntures no montante de R$ 750 milhões.

Contexto operacional recente e análise financeira
A consolidação do setor de ISPs ganhou força no Brasil, particularmente a partir de 2018, impulsionada pela ampliação da tecnologia FTTH e por mudanças regulatórias promovidas pela Anatel para as Prestadores de Pequeno Porte (PPP) – operadoras com até 5% de participação nacional, como a Alloha. Essas novas regras trouxeram vantagens competitivas frente às grandes operadores, como menores custos regulatórios e maior flexibilidade no cumprimento de obrigações de atendimento ao consumidor. Em 2020, adicionalmente, a pandemia de COVID-19 acelerou ainda mais a demanda por serviços de internet de alta qualidade, uma vez que o trabalho remoto, a educação a distância e o entretenimento online se tornaram essenciais. Isso levou as operadoras a intensificarem seus investimentos em infraestrutura, combinando crescimento orgânico com aquisições em um mercado bastante pulverizado.
Nesse cenário, a Alloha Fibra se destacou por meio de uma forte expansão, com quase 20 aquisições entre 2018 e 2022, concentrando sua atuação em municípios de médio porte e menor concorrência direta. A partir de 2022, a companhia passou a promover a integração dos ativos adquiridos, simplificando estruturas e otimizando processos, com resultados que começaram a ser observados a partir de 2024. No 1T25, reportou receita líquida de R$ 433,9 milhões, avanço de 5,5% em comparação ao 1T24. O lucro bruto somou R$ 218,2 milhões, reflexo da diluição de custos fixos e ganhos de escala operacional. O EBITDA atingiu R$ 201 milhões, com pequeno avanço de 2,2% na comparação anual. Apesar do desempenho operacional ligeiramente melhor, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 3,6 milhões, pressionada por despesas financeira que somaram R$ 132,7 milhões – alta frente aos R$ 85,9 milhões do ano anterior –, o que resultou em um resultado financeiro líquido negativo de R$ 102 milhões.
A dívida líquida da companhia encerrou o trimestre em R$ 2,3 bilhões, ante os R$ 2,1 bilhões em 2024, com 27,5% da dívida de curto prazo. A companhia apresentou aumento da alavancagem em relação ao mesmo período (+0,20x), atingindo uma razão dívida líquida/EBITDA UDM de 2,95x. A proximidade da métrica em relação aos covenants financeiros (<= 3,0x), assim como a liquidez apertada, requer atenção, sobretudo diante do cenário atual, com juros e inflação ainda em patamares elevados, o que pode limitar a capacidade de financiamento da companhia dentro de um setor bastante competitivo e com necessidades de investimentos contínuos. A gestão ativa do passivo foi reforçada pela 9ª emissão de debêntures, realizada em maio, no montante de R$ 750 milhões, com prazos entre seis e dez anos. Os recursos foram destinados para modernização e ampliação das redes de transmissão, pagamento integral de principal e juros das parcelas vincendas em 2025 e 2026, além da recomposição e reforço de caixa para os negócios da empresa, que sinalizou para o mercado a possibilidade de realizar novas aquisições – a emissão foi classificada com rating “brA” com perspectiva estável pela S&P.
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