Como usar IA nos investimentos? Entenda os riscos e benefícios da tecnologia
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
26/06/2026 às 15:32
Por Patrícia Queiroz, da Broadcast
Há tempos, a inteligência artificial (IA) deixou de ser algo distante da vida das pessoas, restrita, por exemplo, a programadores ou outros profissionais do universo da tecnologia.
Hoje, o Brasil possui cerca de 50 milhões de usuários da IA generativa, com idades a partir dos 10 anos, o que corresponde a mais de 30% das pessoas que navegam todos os dias na internet, segundo dados mais recentes divulgados pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
- Entre a classe A, esse porcentual sobe para 69%, enquanto nas D e E é de 16%. Sobre o grau de escolaridade, enquanto 59% dos usuários possuem ensino superior, 17% deles concluíram apenas o ensino fundamental.
Como usar a IA de forma positiva?
Mas, se essa aplicação rotineira já é real, como usar a IA de forma produtiva, segura e útil? O professor de inteligência artificial da Universidade Federal de Goiás, Celso Camilo, dá alguns caminhos possíveis.
Entre elas, lista a organização de ideias, resumo de documentos, planejamento de estudos, revisão de textos, montagem de cronogramas ou comparação de informações. O ganho real, explica, depende da forma como a pessoa interage com a ferramenta.
"A IA deve ser usada como uma parceira de análise, não como uma geradora de respostas automáticas para tudo. Ela ajuda a economizar tempo, organizar informações e ampliar repertório, porém o usuário precisa continuar conferindo dados, fazendo boas perguntas, utilizando do contraditório e aplicando senso crítico ao resultado", explica o especialista.
Dá para usar IA para investir?
Para o professor, sim, isso é totalmente viável. No cotidiano do investidor, as ferramentas de IA são excelentes para alguns propósitos principais.
Entre eles, elenca, estão a possibilidade de sintetizar grandes volumes de informação, como resumir relatórios financeiros longos e atas do Copom, além de interpretar e analisar cenários, simulando impactos conceituais de variáveis econômicas em diferentes classes de ativos.
"Elas podem ainda apoiar no aprendizado do investidor, já que funcionam como um tutor de finanças pessoal para explicar conceitos complexos de forma simples e didática", orienta Camilo, que recomenda para o uso diário dos investidores, por exemplo, as ferramentas generativas mais robustas do mercado atualmente, como o ChatGPT (OpenAI), o Gemini (Google) e, principalmente, o Claude (Anthropic).
Começar pelo simples
Segundo o especialista, o melhor caminho é começar pelo simples e sem medo. O investidor deve acessar as versões gratuitas das ferramentas e interagir como se estivesse conversando com um assistente. "Uma ótima forma de começar é testar comandos (prompts) contextuais", diz.
Ele cita alguns exemplos práticos. "Cole o texto de uma notícia econômica complexa e digite 'explique o impacto prático desta notícia para um investidor comum de forma simples e direta'. Conforme o usuário ganha familiaridade, ele pode evoluir para perguntas mais analíticas e detalhadas", afirma.
Alucinação de dados
O professor Celso Camilo reforça um dado fundamental, as IAs generativas funcionam por associação estatística de palavras e, às vezes, podem inventar dados, estatísticas ou históricos de rentabilidade com uma aparência de total certeza.
"A regra de ouro que fica é: nunca tome uma decisão de investimento baseada em um dado numérico fornecido pela IA sem antes checar em uma fonte oficial, como o site da CVM ou da Bolsa, por exemplo", completa.
Camilo lembra ser fundamental que o investidor nunca forneça dados sensíveis, como extratos bancários reais, senhas, CPF ou o valor exato do seu patrimônio nos chats públicos de IA, já que essas informações podem ser utilizadas para treinar os modelos existentes.

