Como planejar as finanças para o Ano Novo sem cair em furadas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
4 minutos

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Atualizado em
26/12/2025 às 11:01
Por Naiara Ribeiro, especial para a Broadcast
"Ano novo, vida nova". Para muitas pessoas, essa máxima está ligada diretamente ao dinheiro e no melhor proveito ou retorno dele. É nessa hora que as promessas de retorno financeiro rápido podem ser uma armadilha.
Jogos e apostas incentivados e divulgados por programas de TV, bets e rifas virtuais disseminadas em larga escala por influenciadores via redes sociais. Há uma diversidade de opções de jogatina, que ficam ainda mais frequentes nesta época do ano.
Essas apostas, porém, não podem ser consideradas formas de investimento porque nelas não existe o básico, como planejamento, controle ou estratégia, apenas sorte. "Investir significa aplicar um valor em algo que tem potencial de gerar retorno no futuro, como ações, fundos ou um negócio próprio", explica Arethuza Zero, head de educação financeira da Educafinanceira.
Ao contrário disso, as apostas e loterias dependem do acaso. A probabilidade de ganho é mínima, e, na maioria das vezes, o resultado é a perda do dinheiro investido na esperança de um prêmio. Por isso, é importante entender que sorte não é estratégia, e que investimento de verdade se faz com planejamento, conhecimento e paciência.
Dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que as modalidades mais comuns entre os apostadores são: loterias tradicionais (71,3%), apostas esportivas digitais/bets (32,1%), jogo do bicho (28,9%), raspadinhas (18,8%) e jogos de cassino (12,4%).
Uma das armadilhas no mundo das apostas é a crença nos chamados tipsters (especialistas em apostas esportivas), ou "gurus das apostas", que se vendem prometendo bilhetes prontos e ganhos fáceis em jogos e esportes. Eles aparecem nas redes sociais mostrando só os acertos e escondendo os prejuízos, e muita gente acredita que esses ganhos são reais.
Arethuza, da Educafinanceira, aconselha que, para estabelecer metas financeiras realistas no ano novo, o primeiro passo é seguir uma regra básica das finanças pessoais: conhecer bem a sua realidade. Analise quanto você ganha, quanto gasta e quanto consegue realmente guardar por mês.
Com base nisso, defina objetivos possíveis e evite contar com dinheiro incerto, como prêmios, bônus eventuais ou ganhos em apostas e loterias. O ideal é buscar formas de renda que dependam do seu esforço, trabalho e planejamento, ou de investimentos bem estudados.
Ganhos rápidos e fáceis podem parecer atraentes, mas quase nunca trazem resultados duradouros. Por isso, trabalhe com metas concretas e alcançáveis. Você pode, por exemplo, quitar uma dívida até o meio do ano, formar uma reserva de emergência aos poucos e planejar um investimento de longo prazo. O segredo está na constância, na disciplina e no foco. É isso que realmente constrói uma vida financeira segura e equilibrada.
Ludopatia é como se chama o vício em jogos de azar, também conhecido como transtorno do jogo patológico. Ela já é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno caracterizado pela compulsão por jogos e apostas e avaliado como um desafio de saúde pública pelo Ministério da Saúde.
Segundo os dados do LENAD III, cerca de 10,9 milhões de brasileiros (7,3% da população com 14 anos ou mais) estão em risco com jogos de azar. Aproximadamente 1,4 milhão já se enquadra nos critérios clínicos de Transtorno do Jogo.
Para Kelly Andrade, psicóloga especialista em terapia cognitivo comportamental, "a expectativa de um grande prêmio libera dopamina e ativa o sistema de recompensa do cérebro, gerando prazer momentâneo. Porém, quando o ganho não vem, surgem frustração, ansiedade e até depressão. A pessoa passa a viver em um ciclo de esperança e decepção, o que afeta o equilíbrio emocional e a autoestima".
Para quem já está em situação de vício, é importante buscar ajuda médica para identificar e modificar pensamentos distorcidos que alimentam o comportamento compulsivo.
Algumas pessoas são mais suscetíveis a cair na armadilha das apostas e loterias para melhorar a situação financeira. Geralmente, são aquelas que enfrentam dificuldades financeiras, baixa tolerância à frustração e tendência a buscar soluções rápidas.
Perfis impulsivos, com histórico de outros comportamentos compulsivos ou alto nível de estresse, também são mais vulneráveis. Kelly Andrade conta que um padrão identificado é o da ilusão de "mudança instantânea de vida" com ciclo de prazer instantâneo, que se torna uma fuga emocional.
Para essas pessoas, os amigos e familiares podem - e devem - oferecer apoio, ser empáticos e não fazer julgamentos. "É importante incentivar a pessoa a buscar ajuda profissional, estabelecer limites claros (como não oferecer dinheiro) e participar de grupos de apoio. O envolvimento familiar é essencial para reduzir a sensação de isolamento e aumentar a motivação para a mudança", finaliza a psicóloga.
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