Caso Raízen (RAIZ4): credores alertam sobre urgência de aumento de capital
Publicado por: Broadcast Exclusivo

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Atualizado em
26/02/2026 às 11:21
Por Gustavo Boldrini, Altamiro Silva Junior, Talita Nascimento e Cynthia Decloedt, da Broadcast
A crise da Raízen (RAIZ4)) ganhou novos capítulos nesta semana, após credores enviarem cartas à Cosan (CSAN3) e à Shell, os controladores da companhia, pedindo por uma "substancial" na empresa.
Segundo apurou a Broadcast , os credores estimam que seja necessário um de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões para equilibrar as suas contas.
A ideia é que um aumento de capital poderia reduzir quase pela metade o nível de da companhia, que atingiu a relação / de 5,3 vezes no último trimestre, para abaixo de 3 vezes. A dívida líquida total da Raízen atingiu R$ 55 bilhões.
A crise na companhia que atua na produção e distribuição de etanol e cana de açúcar levou suas ações (RAIZ4) a caírem para menos de R$ 1 novamente neste mês, tornando-se uma "". Ontem, o papel marcou R$ 0,64 no fechamento.
O aumento de capital, ou capitalização, tem sido tratado como crucial para a Raízen começar a sair da crise que se encontra atualmente. A dúvida do momento é de onde virão esses recursos, e se a Shell e a Cosan vão aportar dinheiro para "salvar" a empresa.
A Broadcast apurou que os credores preveem um aporte de até R$ 12 bilhões por parte das controladoras da Raízen, somado a uma oferta de ações para levantar mais R$ 6 bilhões a R$ 8 bilhões.
A visão é de que, se os controladores ancorarem a oferta de ações com um montante relevante, a operação poderia atrair demanda de mercado. O objetivo maior é evitar uma , que, na visão de um interlocutor consultado pela Broadcast , seria o pior cenário para uma companhia desse porte.
Para mostrar a urgência de uma definição, uma fonte contou que o grupo de bancos estrangeiros credores da Raízen enviou a carta para a Cosan e a Shell falando da necessidade de capitalização em pleno domingo, no último dia 22.
Uma carta anterior já havia sido enviada, e com teor semelhante, por credores brasileiros, principalmente bancos. "O clima está tenso entre credores, e muita informação desencontrada", disse uma fonte.
Como mostrou a Broadcast, existe a possibilidade de que a Cosan utilize parte dos recursos que levantou em uma operação de no ano passado para destinar recursos à Raízen, sua subsidiária. No entanto, o montante disponível para isso seria de R$ 1,4 bilhão, bem distante dos R$ 6 bilhões pedidos pelos credores.
Há ainda um terceiro nome que participa das negociações, o BTG Pactual (BPAC11), que injetou recursos e se tornou sócio da Cosan no aumento de capital. O banco fez uma proposta que chegaria a até R$ 8 bilhões de com R$ 3 bilhões divididos entre Shell, Cosan e Rubens Ometto, fundador e controlador da Cosan, e uma oferta com fundos de geridos pelo BTG aportando R$ 5,3 bilhões.
No entanto, fontes afirmam que o BTG só aceitaria entrar nessa composição caso ocorra uma separação entre o negócio de usinas e a distribuição de combustíveis da Raízen, solução que não agrada a todos envolvidos, de acordo com apuração da Broadcast.
O governo federal está monitorando a situação da Raízen de perto, por se tratar de uma empresa grande que atua em uma área importante estrategicamente para o País, a energia. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), credor do grupo, também está acompanhando as conversas.
Segundo a Bloomberg, o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu recentemente com executivos de Cosan, Shell e BTG Pactual para discutir caminhos para enfrentar a crise da Raízen.
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