Braskem (BRKM5) confirma recuperação extrajudicial: como ficam os acionistas?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
24/08/2026 às 11:13
Por Gustavo Boldrini, Beth Moreira e Cynthia Decloedt, da Broadcast
São Paulo, 24/08/2026 - A Braskem confirmou há pouco que seu conselho de administração aprovou nesta segunda-feira o ajuizamento de um pedido de recuperação extrajudicial e de algumas controladas da companhia. A informação havia sido antecipada pela Broadcast .
No processo, a petroquímica buscará negociar com credores a fim de implementar uma reestruturação de dívidas na ordem de US$ 10,9 bilhões, de acordo com fato relevante enviado há pouco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A Braskem informou ainda que a recuperação extrajudicial terá "escopo limitado e estritamente financeiro". Ou seja, ela focará em dívidas e obrigações financeiras, e não abrangerá obrigações com fornecedores, clientes e demais stakeholders.
As ações da petroquímica iniciaram o pregão desta segunda-feira com forte volatilidade após a notícia. Perto das 10h30, o papel preferencial A da empresa (BRKM5) recuava 3,35%, a R$ 4,90. No ano, o ativo acumula perda na casa dos 38%.
O que é recuperação extrajudicial?
A recuperação extrajudicial é uma alternativa utilizada para companhias com alto nível de endividamento. Trata-se de um acordo celebrado entre a empresa devedora e seus credores para renegociar seus débitos. Nela, pode-se chegar, por exemplo, a um desconto nos vencimentos, ao alongamento dos prazos, redução de parcelas etc.
O nome extrajudicial significa que essa negociação é feita diretamente entre devedor e credor. O pedido é protocolado na Justiça, mas não há uma participação direta do Judiciário nas negociações. Ou seja, em tese, é um processo menos burocrático e mais rápido, com foco na resolução voluntária do problema de endividamento em acordo com credores.
Como ficam os acionistas da Braskem?
Uma empresa que entra em recuperação extrajudicial está com algum tipo de problema de dívidas. Com isso, espera-se que a cotação de suas ações reflita essa situação. No caso da Braskem, o noticiário sobre o endividamento da empresa já vinha fazendo preço nas ações, que acumulam baixa de 40% nos últimos 12 meses.
Mas, para além de eventuais volatilidades nas ações da empresa, a recuperação extrajudicial não tem nenhum efeito direto sobre os acionistas, uma vez que a companhia tratará de renegociar as dívidas com seus credores - ou seja, os bancos e os detentores de debêntures, bonds e outros títulos de sua dívida corporativa.

