Braskem (BRKM5) 1T25: melhora operacional ainda distante de reverter situação de queima de caixa
Especialista do BB Investimentos analisa os resultados da Braskem (BRKM5) no 1o trimestre de 2025
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
12/05/2025 às 14:03
A Braskem reportou números mistos no 1T25, beneficiada por melhores spreads de PE, elevando os resultados das operações no Brasil e no México, atenuados por resultados menos favoráveis dos spreads de PP e PVC, afetando volumes e margens. No Brasil, houve uma bem vinda elevação na taxa de utilização das plantas (+4 p.p. t/t) e modesto aumento nas vendas de PP e PE, mas forte recuo nas vendas de PVC e de principais químicos. Nos EUA/Europa, a utilização de plantas de PP avançou 13 p.p. (t/t), elevando volumes em 11% (t/t), enquanto no México, os maiores spreads de PE compensaram a queda de 5% (t/t) nas vendas.
Assim, o EBITDA Recorrente do 1T25 atingiu R$ 1,3 bilhão, refletindo a recuperação operacional. Porém, o fluxo de caixa operacional segue negativo, neste trimestre em R$ 936 milhões, ainda dentro do contexto que mencionamos em nossa última revisão de preço: segue em vigor uma condição de sobreoferta de produtos petroquímicos, puxada por forte expansão na China, que não teve encontro com o ritmo de crescimento da demanda pós pandemia, resultando em menores preços e baixo uso das capacidades instaladas, em especial para operações com base nafta, que tem custo maior do que o do etano ou propano.
Neste trimestre, a queima de caixa ficou em R$ 2,7 bilhões. De modo geral, maiores gastos com capital de giro e pagamento de juros tem levado o consumo de caixa a níveis bastante elevados, um dos principais fundamentos para nossa recomendação de venda no papel.
Em conferência, a companhia apontou os caminhos que espera adotar para passar por esse momento de spreads reduzidos, com foco em três frentes: i) transformação de ativos, com redução nos custos e otimização dos ativos base nafta e até eventual hibernação de linhas com menor competitividade, combinados com um aumento na base gás (etano/propano/HLR); ii) Medidas de contingência, com foco na preservação financeira e fluxo de caixa, vide a previsão do menor capex em dólares dos últimos anos; iii) reforço das ações de busca por competitividade na indústria brasileira.

A Braskem reportou um importante avanço nas operações do México: a conclusão, no começo de maio, da construção do terminal de importação de etano, operado pela TQPM. O terminal tem capacidade para 80 mil barris/dia (120% da demanda da Braskem Idesa em capacidade máxima), o que representa um estoque para 12 dias. Os tanques são conectados ao complexo petroquímico via tubulações, e o investimento, que totalizou US$ 580 milhões, é fundamental para garantir o suprimento de etano e competitividade da operação mexicana, maior gargalo para a operação da Braskem no país nos últimos anos.
Desempenho da Ação.
A Braskem cai 11% em 2025 e -46% nos últimos 12 meses, refletindo o cenário de cautela adotado por investidores diante do cenário atual de persistência de spreads reduzidos no setor, o que vem resultando em aumento do endividamento e queima de caixa. Importante notar que, a despeito da maior pressão de endividamento, evidenciada no gráfico abaixo, a Braskem não enfrenta uma crise de liquidez, com forte volume de disponibilidades, dado o caixa robusto e vencimento longo das dívidas. No entanto, como apontamos acima, seguimos vendo o papel pressionado pelo contexto descrito, o que justifica a manutenção da nossa recomendação de venda, a despeito do potencial de upside relevante em nossa avaliação por fluxo de caixa descontado.

BRKM5 vs IBOV



