Braskem (BRKM5) 2T26: Resultado expressivo traz alívio de curto prazo, mas estrutura de capital pressionada e sobreoferta global devem manter pressão no papel
Especialista do BB Investimentos analisa os resultados da Braskem (BRKM5) no 2º trimestre de 2026.
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
14/08/2026 às 15:54
Os resultados do 2T26 da Braskem trouxeram melhoria da rentabilidade em todos os segmentos, beneficiados pela forte recuperação dos spreads petroquímicos globais. O EBITDA recorrente atingiu US$ 1,0 bilhão (R$ 5,3 bilhões), mais de 13 vezes superior ao registrado no 2T25, enquanto a margem EBITDA avançou de 2% para 24%. A recuperação foi favorecida pelo aumento dos preços internacionais de resinas e químicos, pela redução do CPV e por créditos fiscais, permitindo à companhia voltar a reportar lucro líquido e geração operacional de caixa positiva. Apesar desse desempenho, a estrutura de capital segue como ponto de atenção, com negociações com credores em andamento para buscar uma solução que recomponha a estrutura de capital da companhia.
Resultado por segmento.
No segmento Brasil, a combinação entre spreads mais altos e boa estratégia comercial permitiu compensar a queda de 8% a/a dos volumes vendidos. As exportações recuaram 23% a/a, mas os spreads de resinas e principais químicos mais do que compensaram, elevando a receita líquida em 35% a/a, o que trouxe o EBITDA recorrente para US$ 869 milhões (+260% a/a). A margem EBITDA avançou para 27%, ante 6% no ano anterior, refletindo a melhora de preços e uma bem-vinda redução dos custos unitários. Nos segmentos Estados Unidos e Europa, o trimestre também trouxe recuperação da rentabilidade. Os volumes vendidos ficaram estáveis t/t e -1% a/a, mas a melhora dos spreads PP colaboraram para o avanço de 47% da receita líquida, com melhores margens. O EBITDA recorrente veio em US$ 147 milhões, contra US$ -19 milhões no 2T25. Por fim, o México finalmente apresentou avanços, apesar de continuar como o segmento mais desafiador do portfólio, com questões estruturais de suprimento e elevado endividamento. As vendas de PE recuaram 20% a/a, com taxa de utilização 43%, dentro do contexto de restrições de matéria-prima. A recuperação dos spreads permitiu reverter o prejuízo visto no ano anterior, com um EBITDA recorrente positivo de US$ 57 milhões, mas com pouca visibilidade para resolução do fornecimento de etano, o que deve limitar uma recuperação mais robusta.


Em resumo, o 2T26 representou uma recuperação operacional mais favorável do que a observada no primeiro trimestre, impulsionada pela expansão dos spreads petroquímicos, resultando em melhores margens e geração de caixa positiva, com fluxo de caixa operacional de R$ 1,9 bilhão. Apesar de tais avanços, permanecem como pontos de atenção as condições de sobreoferta global, puxada pela elevada oferta Chinesa, bem como as incertezas relacionadas ao endividamento e estrutura de capital da companhia. Ou seja, os resultados do trimestre são excelentes para trazer um alívio de curto prazo, mas seguimos vendo o nome com cautela até que ocorra uma combinação de um ciclo favorável ao setor com avanços nas discussões com credores sobre uma solução estrutural para as condições de endividamento.
Desempenho da ação.
A Braskem recua 23% apenas neste mês, acumulando 33% de baixa neste ano e -68% nos últimos dois anos. Em nossa leitura, a pressão de venda se deve ao contexto que temos comentado, de um ciclo desfavorável no setor e desafios específicos da Braskem, com as preocupações sobre os andamentos de uma possível reestruturação impactando mais do que a evolução pontual vista neste trimestre.
BRKM5 vs IBOV



