Brasil é nº 1 em cripto na América Latina, mostra Chainalysis
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
23/09/2026 às 10:25
Por Soraia Budaibes, da Broadcast
São Paulo, 23/09/2026 - O Brasil lidera a adoção de criptomoedas na América Latina, movimentando expressivos US$ 252,5 bilhões em 12 meses encerrados em 30 de junho deste ano - quase metade de tudo o que circulou nesse setor na região. Os dados fazem parte do Relatório sobre a Geografia das Criptomoedas, divulgado hoje pela plataforma de dados de blockchain Chainalysis.
No período, outro dado chama a atenção em relação ao perfil do investidor desse mercado: as carteiras brasileiras com saldos acima de US$ 10 mil em stablecoins - criptomoedas atreladas a moedas fiduciárias, como o dólar - dispararam 347%.
De acordo com os dados, o montante movimentado pelo País neste ano encerrado em junho passado - de US$ 252,5 bilhões - ficou à frente de mercados como Argentina, com US$ 88,5 bilhões, e México, com US$ 77,6 bilhões.
O peso do Brasil na região também aumentou nos últimos anos. No período de
2022, segundo o levantamento, o País respondia por 31,6% do valor cripto movimentado na América Latina, passando agora para quase 44%.
Plataformas locais ganharam espaço
Uma das mudanças identificadas pelo estudo está no fortalecimento das
plataformas locais, com a participação no fluxo de destino para exchanges no País passando de 1,5% para 12,5%. O movimento contrasta com o restante da América Latina, onde plataformas domésticas perderam mercado para concorrentes internacionais.
O relatório aponta que essa mudança pode refletir uma combinação de maior
clareza regulatória, investimentos e fortalecimento das ofertas locais.
No caso local, isso se deu após, em fevereiro deste ano, o Banco Central ter introduzido novas regras para prestadores de serviços de ativos virtuais, com exigências relacionadas a governança, gestão de riscos, segurança e compliance, além de requisitos mínimos de capital.
"As regras mais claras podem aumentar a confiança de bancos, empresas e outras instituições financeiras para se relacionarem com o ecossistema cripto, ampliando potencialmente a demanda e facilitando o desenvolvimento de produtos com ativos digitais dentro de negócios financeiros já estabelecidos", aponta a Chainalysis.
Stablecoins avançam
Desde julho de 2024, apontam os dados, o número de carteiras brasileiras com, pelo menos, US$ 10 mil em stablecoins aumentou 347%, bem acima do crescimento
observado no México, de 91%, na Argentina, de 82%, e no Chile, de 47%.
"A diferença se tornou mais acentuada a partir de meados de 2025, indicando um grupo crescente de carteiras com saldos mais elevados em stablecoins no Brasil, em paralelo ao aumento da atividade com esses ativos", comenta a companhia.
O uso desse tipo de ativo aparece por aqui particularmente associado ao mercado corporativo. "Empresas utilizam stablecoins para liquidez e transferências internacionais, enquanto o sucesso e a ampla utilização do Pix fazem com que esses ativos tenham menos destaque nos pagamentos cotidianos de consumidores", completa.

