Maior alavancagem operacional e ROE. Confira a análise do resultado do 3T24 do BTG Pactual pelo BB-BI
Segundo analistas do BB Investimentos, o BTG Pactual entregou no 3T24 um resultado positivo.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
14/11/2024 às 21:18
O BTG Pactual apresentou no 3T24 um resultado que consideramos positivo, com lucro líquido recorrente de R$ 3,2 bilhões, equivalente a um ROAE de 23,5%. O resultado foi favorecido pelo avanço de praticamente todas as linhas de receitas com os custos também avançando, mas em menor ritmo.
Momento. O BTG permanece exibindo robustez em determinadas linhas de negócios em níveis capazes de mitigar eventuais sazonalidades associadas a negócios mais voláteis, tudo com custos controlados.
Os destaques positivos, em nossa visão, ficaram por conta dos segmento Corporate Lending, Asset e Wealth Management e Sales and Trading, enquanto o negativo foi Investment Banking.
Corporate Lending (crédito PJ) registrou impressionante variação de 11,6% t/t e 29,5% a/a na receita, enquanto o portfólio de crédito cresceu 8,0% t/t e 29% a/a, à medida que o BTG ganha market share e expande a novas geografias. O portfólio SMEs (Pequenas e Médias Empresas) cresceu em ritmo ainda mais acelerado: 9,5% t/t e 45,2% a/a, com o banco gradualmente diversificando ofertas de produto a este segmento.
O segmento de Asset Management seguiu boa toada, com receita recorde, superando os R$ 600 milhões no trimestre, com maiores fees de administração e gestão, além de contribuição de investimentos em assets independentes, com NNM (captações líquidas) também superando o marco de R$ 30 bilhões. Já o segmento Wealth também registrou recordes, com a receita ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão no tri, e captação líquida no maior nível histórico: R$ 47,3 bilhões, mostrando que o BTG segue ganhando market share nos segmentos Private e Varejo Alta Renda.
Sales and Trading voltou a registrar forte receita, (R$ 1,67 bilhão: +20,5% t/t e +14,9% a/a) graças à expansão das franquias de clientes, mas tendo o uso do menor VaR histórico pelo banco: 0,16%.
O ponto de menor brilho, em nossa leitura, ficou com Investment Banking, que responde de forma mais volátil aos ciclos de mercado, e neste trimestre se viu em meio a um mercado de DCM ainda bom, mas aquém do 2T24, que registrou o segundo melhor trimestre da história nesta linha no BTG. Enquanto ECM permanece bastante fraco (apenas uma transação), M&A foi o destaque do tri, com 17 transações anunciadas e um volume de R$ 6 bilhões, mais que o dobro do 2T.
Os custos acompanharam o crescimento no agregado (+5,5% t/t e +9,9% a/a), com destaque trimestral para a linha Bônus, refletindo a maior transacionalidade do BTG. No entanto, com as receitas gerais avançando em ritmo superior, o índice de eficiência melhorou, chegando a 40,4% ante 41,1% no 2T24 e 41,8% no 3T23.

Desempenho das ações
Nos últimos 12 meses, a unit do BTG operou de maneira muito próxima ao Ibovespa, apesar da sequência de entregas bastante favoráveis. Em nossa análise, esse desempenho pode estar mais conectado a uma percepção de ausência de gatilhos positivos para a companhia, que tende a se beneficiar de um mercado de capitais mais aquecido, algo que custa a se materializar, especialmente no segmento ECM.
Temos recomendação de compra de BTG desde 13/5/2020. Desde então o ativo se valoriza 291% quando considerados proventos.

Perspectivas
Permanecemos otimistas quanto ao BTG, imaginando que o desempenho apresentado até agora diante de um ambiente pouco frutífero para algumas vertentes de negócios possa se fortalecer na hipótese do reaquecimento do mercado de capitais – algo que consideramos inevitável mais cedo ou mais tarde.
Admitimos, no entanto, que o conjunto de gatilhos aguardado para essa narrativa se encontra reduzido em comparação ao que era aguardado no início de 2024 dados os diversos ruídos, que incluem política monetária, fiscal e até geopolítica. Ainda assim, vemos no BTG uma solidez de resultados, diversificação e consistência de entregas com poucos paralelos no mercado, o que nos mantém reticentes em abandonar a tese no curto prazo, mesmo diante de um cenário momentaneamente menos empolgante.
Preço-alvo e recomendação
Incorporamos os números do 3T24 ao valuation e efetuamos uma majoração no custo de capital próprio (Ke) graças a movimentações nos elementos macro recentes, o que acarretou em uma alteração em nosso preço-alvo, para R$ 40,00 (antes R$ 40,60) para o final de 2025.
Por conta da qualidade das entregas e motivos citados no parágrafo “perspectivas”, mantemos a recomendação de compra.






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