Bitcoin pode manter retomada gradual em agosto, mas riscos persistem, dizem analistas
Publicado por: Broadcast Exclusivo
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Atualizado em
04/08/2026 às 09:59
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 04/08/2026 - O Bitcoin (BTC) começou agosto em alta, voltando à casa dos US$ 63 mil após ter ficado abaixo da faixa dos US$ 60 mil no fim de junho, diante de uma correção dos ativos de tecnologia pelo mundo. O índice Fear and Greed, da CoinMarketCap, deixou a faixa de "medo extremo" e segue no nível de "medo", mas perto de atingir o patamar neutro, segundo leitura da manhã desta terça-feira.
Analistas consultados pelo InvesTalk/Broadcast avaliam que o criptoativo mais popular do mundo continua sendo uma opção mais resiliente em relação aos seus pares, especialmente em um momento em que ainda pairam incertezas, tanto do ponto de vista geopolítico quanto do ponto de vista macroeconômico.
"Depois de recuperar parte das perdas registradas no segundo trimestre, o Bitcoin demonstra maior resiliência diante das incertezas macroeconômicas, sustentado pela retomada gradual do interesse em ETFs e pela manutenção de uma demanda institucional consistente", avalia Julián Colombo, diretor sênior de políticas públicas e estratégia para a América do Sul na Bitso.
Nos últimos sete dias, de acordo com dados da Coinglass, os fundos negociados em bolsa (ETFs) de BTC registraram entrada líquida de US$ 120,2 milhões.
Caso Coldcard
Na avaliação de Fabricio Tota, VP de negócios cripto do Mercado Bitcoin, a melhora no apetite pelo criptoativo só não foi mais intensa devido à notícia de um roubo histórico de carteiras de Bitcoin da Coldcard, que, segundo a Galaxy Research, pode ter superado os US$ 110 milhões.
"O caso não foi uma falha da rede Bitcoin, mas na geração das chaves por determinados modelos e versões da carteira. Em vez de criar combinações realmente imprevisíveis, a falha reduziu a segurança das frases de recuperação geradas, o que permite acessar os fundos, tornando algumas carteiras vulneráveis", diz Tota.
Portanto, apesar da reação negativa do mercado após o fato registrado na última sexta-feira (31), segundo Tota, a blockchain do Bitcoin não foi quebrada, o que segue reforçando a tese de segurança do ativo.
"A mensagem principal é: os fundamentos de segurança do Bitcoin seguem intactos, mas a forma como o investidor guarda seus BTCs continua sendo uma decisão essencial", afirma o especialista do Mercado Bitcoin.
Juros, guerra e regulação
Duas questões continuam sendo cruciais para determinar os próximos passos do Bitcoin, segundo os especialistas: a trajetória dos juros nos Estados Unidos e os desdobramentos da guerra no Oriente Médio.
"Mesmo sem o Fed subir juros na última reunião, os juros longos dos EUA avançaram com força, o que mostra que o mercado ainda está preocupado com inflação, déficit público, guerra no Oriente Médio e a dificuldade do banco central americano em levar a inflação de volta para a meta de 2%", avalia Fabrício Tota, do MB.
Ele acrescenta, no entanto, que essa incerteza ajuda a reforçar as vantagens do BTC, uma vez que, "enquanto o sistema tradicional depende cada vez mais das decisões, comunicações e ajustes do banco central, o Bitcoin possui uma política monetária previsível, transparente e definida em código", diz.
Outra questão importante para a tese do ativo, segundo Julián Colombo, da Bitso, é a regulação nos Estados Unidos. O marco regulatório chamado de Clarity Act está parado no Senado aguardando por uma votação, o que pode ameaçar a possibilidade de aprovação ainda neste ano.
"Embora ainda existam incertezas em torno da aprovação definitiva da Clarity Act, o debate sobre um marco regulatório mais claro para ativos digitais reforça a expectativa de um ambiente mais seguro para investidores institucionais e empresas do setor ao longo dos próximos meses", aponta Colombo.
Por fim, o especialista da Bitso destaca que agosto "tende a favorecer ativos que combinam liquidez, adoção institucional e papel estratégico no desenvolvimento da infraestrutura do mercado cripto."

