Bitcoin em queda: por que os investidores estão fugindo dos ETFs da criptomoeda?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
03/07/2026 às 12:46
Por Gustavo Boldrini, da Broadcast
São Paulo, 03/07/2026 - O Bitcoin (BTC) segue amargando fortes perdas em 2026, desde que atingiu seu maior valor da história (US$ 126 mil) em outubro do ano passado.
Nas últimas semanas, analistas têm reforçado o papel que a saída de investimentos dos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) ligados ao criptoativo desempenham neste movimento baixista.
Segundo dados da CoinGlass compilados pelo Investalk/Broadcast , os ETFs de Bitcoin listados nos EUA registraram saída acumulada de mais de US$ 2,3 bilhões em recursos.
O pregão de ontem, 2, foi o primeiro do período a ter um fluxo positivo de entrada nesses fundos, com US$ 223,35 milhões. O recorde de fluxo negativo foi registrado em 25 de junho, quando saíram US$ 691,7 milhões.
A saída de recursos dos ETFs de BTC tem contribuído para a baixa da criptomoeda mais popular do mundo, segundo analistas. Na manhã desta sexta-feira, o Bitcoin operava na casa dos US$ 62 mil, acumulando queda de 29% neste ano e de 43% nos últimos 12 meses.
Por que investidores estão vendendo seus ETFs de BTC?
A questão dos juros nos Estados Unidos tem sido apontada como motivo para o "inverno" vivido pelo Bitcoin nos últimos meses. Após a última decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), no mês passado, cresceu a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar os juros ainda este ano, e essa perspectiva afeta negativamente o apetite por ativos de risco, como o BTC.
"Esse cenário pressiona o Bitcoin porque juros mais altos fortalecem o dólar, tornam a renda fixa americana mais atrativa e reduzem a liquidez disponível para ativos como cripto, ouro e ações de crescimento", explica Fabricio Tota, vice-presidente de Negócios Cripto do Mercado Bitcoin (MB).
Segundo Tota, esse cenário de aversão a risco fez com que junho fosse o pior mês para os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA desde o lançamento desses produtos, no início de 2024. "Enquanto esses fluxos não estabilizarem, os ETFs seguem como uma das principais forças vendedoras do mercado", avalia.
Quando o Bitcoin vai voltar a subir?
A virada do segundo para o terceiro trimestre pode representar uma oportunidade para o BTC recuperar parte das perdas recentes, uma vez que muitos investidores rebalanceiam nas suas carteiras.
Historicamente, esses momentos de mudança de trimestre apoiam entradas de ETFs após períodos em que o BTC tem desempenho inferior ao das ações, apontam analistas da corretora K33.
O índice Fear and Greed da CoinMarketCap, que mede o apetite dos investidores pelo mercado cripto, mostra alguma melhora, saindo de um ambiente de "extremo medo" na semana passada, mas ainda se mantendo em um cenário de "medo" - indicando que a aversão a risco ainda predomina.
"Do ponto de vista técnico, a retomada dos US$ 60 mil é positiva, mas ainda precisa ser confirmada. O próximo passo importante é o BTC conseguir sustentar fechamentos acima dessa região e voltar a buscar a média móvel de 200 semanas, próxima de US$ 62,4 mil", avalia Fabrício Tota, do MB.

