Bets têm até hoje para devolver R$ 1,24 bilhão: como investir a grana recuperada?
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
14/10/2026 às 13:41
Por Gabriela Pessanha, da Broadcast
São Paulo, 14/10/2026 - O dinheiro que antes era usado para tentar a sorte nas bets pode agora ganhar um destino mais seguro: o começo da construção do seu patrimônio. Antes de mais nada, é preciso lembrar: hoje é o Dia D para devolução dos saldos deixados nas casas de apostas, que têm até as 23h59 para restituir os valores aos usuários.
Ao todo, R$ 1,24 bilhão deve ser distribuído entre 26,3 milhões de apostadores, segundo a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda. Após esse prazo, o saldo não entregue deve ser repassado pelas plataformas para a Caixa Econômica Federal, que ficará responsável por finalizar o processo.
Mas o que fazer com esse dinheiro quando ele voltar para a sua conta? Seja R$ 100, R$ 500 ou R$ 1 mil, especialistas apontam que os valores podem representar uma oportunidade para quitar dívidas, começar uma reserva de emergência ou dar os primeiros passos no mundo dos investimentos.
Por onde começar?
De acordo com o CEO da Ludo Group, Luis Dornela, o dinheiro resgatado das casas de apostas pode ser utilizado de três formas eficientes.
1- Quitar dívidas, começando pelas contas e/ou inadimplências que tenham as cobranças de juros mais altos, como o cheque especial e o cartão de crédito;
2- Construir uma reserva financeira. O ideal é focar em alternativas de baixo risco, como Tesouro Selic e Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) com liquidez diária, explica o especialista;
3- Definir metas. "Ter os objetivos, prazos e nível de risco máximo a ser assumido estabelecidos é um caminho", diz.
Dornela reforça que os investimentos não devem ser pensados como uma forma rápida de recuperar o dinheiro perdido nas apostas, e que o sucesso nessa etapa depende da constância. "Mais importante do que buscar a maior rentabilidade é compreender onde o dinheiro está sendo aplicado e quais riscos estão envolvidos", explica.
Onde investir R$ 100, R$ 500 e R$ 1 mil?
Para Dornela, construir um patrimônio exige decisões financeiras fundamentadas. Ele explica que a quantia recuperada pode ajudar a definir a modalidade de investimento de forma mais assertiva.
Os ex-apostadores que receberem até R$ 100 podem direcionar a quantia para alternativas acessíveis de renda fixa, como títulos do Tesouro Direto ou CDBs que permitam pequenos aportes.
Com R$ 500, ele orienta, é possível reforçar a reserva de emergência e também optar por alternativas conservadoras.
Aqueles que receberem em média R$ 1 mil podem utilizar a quantia para objetivos mais amplos, como viagens e cursos, por exemplo, e por meio de investimentos com prazos compatíveis com o valor a ser usado para esse fim.
"Uma carteira pode ser construída considerando objetivos de curto, médio e longo prazo, respeitando o perfil de cada investidor. É importante destacar que diversificar não elimina os riscos e que nenhum investimento deve ser tratado como garantia absoluta de lucro", comenta.
O que fazer caso não receba seu dinheiro de volta pela plataforma?
Apesar do encerramento do prazo de devolução nesta quarta-feira, o atraso no depósito não é sinônimo de perda do saldo deixado nas plataformas de apostas.
O professor de direito contratual na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e no Insper, Thiago Amaral, explica que o primeiro passo é procurar a empresa e confirmar quando começou o processo de restituição, qual a conta indicada para o pagamento e a instituição financeira responsável.
"A restituição deve ocorrer em conta ativa de titularidade do próprio apostador, preferencialmente na conta de origem. Se essa conta tiver sido encerrada, deverá ser verificada a possibilidade de utilização de outra conta ativa de mesma titularidade", detalha.
Ele comenta que registrar o problema com a casa de aposta ajuda a embasar eventuais reclamações junto a órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
Há ainda outra fase que conta com a restituição pela Caixa dos valores que não forem depositados até o final do dia. O banco está responsável por receber os valores que não puderam ser devolvidos pelas bets e identificar os respectivos titulares de forma individualizada.
Em caso de pagamentos com valor errado, Amaral explica que é preciso entender se o equívoco ocorreu na apuração do saldo pela casa de aposta ou na execução da restituição.
"É necessário reconstruir o fluxo: qual era o saldo efetivamente devido, quanto o operador informou e disponibilizou para restituição e quanto foi efetivamente creditado ao apostador", diz.
Em caso de divergência, é preciso solicitar a demonstração do saldo final e a confirmação do valor encaminhado para restituição para apurar eventuais regularizações na devolução.
Começo do fim: legislação sobre casas de apostas mudou em setembro
As alterações que levaram à proibição das casas de apostas começaram em setembro com a edição da Medida Provisória (MP) 1.394/2026 pelo governo federal.
O documento de 25 de setembro proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade dessas plataformas de jogos no País.

