Axia Energia 2T26: melhoria operacional continua trazendo frutos, mas sazonalidade impede sequência de trimestre excepcional; positivo.
BB faz análise de resultados da Axia Energia no 2T26.
Publicado por: Análise BB
3 minutos
Atualizado em
06/08/2026 às 15:55
A Axia divulgou ontem (5/8), após o fechamento do mercado, seu resultado referente ao 2T26, mostrando constante avanço em seu desempenho operacional, ainda que não tão excelente quanto o reportado no 1T26 que contou com preços e volumes disponíveis de energia mais altos. A margem de contribuição da Geração avançou e da Transmissão se manteve estável na comparação anual, garantindo crescimento de EBITDA em ritmo superior ao da receita, beneficiado também por não recorrentes.
A receita regulatória consolidada do 2T26 veio em R$ 10 bilhões (+4,3% a/a) e somou R$ 21,6 bilhões no 6M26 (+12% a/a), com impulso de melhores preços e maiores volumes de energia no segmento de Geração, compensando a estabilidade da receita de Transmissão no 2T26 e sua queda no 6M26.
A receita líquida na Geração foi R$ 6,1 bilhões no 2T26 (+3,5% a/a) e R$ 14,4 bilhões no 6M26 (+21,4% a/a), com (i) maior volume de energia disponível em função da descotização de mais usinas e GSF mais favorável, (ii) maiores preços de curto prazo no Norte, Nordeste e Sul compensando preços menores do Sudeste e (iii) maior ganho com modulação (variação intradiária de preço) compensando a queda de receita decorrente da venda das usinas térmicas em outubro de 2025. A receita líquida na Transmissão veio em R$ 4 bilhões no 2T26 (+1,3% a/a) e R$ 7,4 bilhões no 6M26 (-6% a/a), com melhora na parcela de ajuste e incremento de receita de reforços e melhorias compensando, totalmente no trimestre e parcialmente no semestre, o impacto negativo do menor fluxo de recebimento da RBSE a partir de julho de 2025.

Os custos e despesas operacionais ex-depreciação apresentaram queda mais uma vez na comparação anual, somando R$ 3,4 bilhões no 2T26 (-3,7% a/a), favorecidos por (i) menores custos de compra e transporte de energia, que somaram R$ 2,1 bilhões no 2T26 (-14,9% a/a), (ii) pela redução de despesas com pessoal, materiais e serviços, que somaram R$ 1,58 bilhão (-3,9% a/a), e por resultado em alienações de ativos, que reduziu em R$ 261 milhões as outras despesas operacionais. No 6M26, os custos e despesas ex-D&A somaram R$ 6,6 bilhões (-18,7% a/a), com melhora em todas as linhas de custos e despesas, tendo destaque o custo com energia que somou R$ 4,1 bilhões (-27% a/a).
O avanço da receita acompanhado de boa gestão de custos e despesas permitiu crescimento de EBITDA maior que a receita no 2T26, vindo em R$ 6,5 bilhões (+9,1% a/a). Mesmo excluindo o resultado com alienações de ativos (R$ 261 milhões), o EBITDA teria avançado mais que a receita. No 6M26, o impacto do resultado excepcional do 1T26 impulsionou ainda mais o EBITDA, que alcançou R$ 15 bilhões (+34,6% a/a). A margem EBITDA do 2T26 ficou em 65,7% (+2,9 p.p. a/a) e a acumulada no 6M26 ficou em 69,3% (+11,6 .p.p. a/a).

A dívida líquida consolidada da companhia encerrou o trimestre em R$ 45,4 bilhões, em alta de 12,4% na comparação anual com maiores investimentos e distribuição de dividendos no período. Porém o excelente avanço operacional suaviza o impacto do maior endividamento sobre a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA dos últimos 12 meses, que ficou em 1,7 vezes ao final do 2T26, ante 1,4 vezes um ano antes. Somando as obrigações com CDE e bacias hidrográficas assumidas com a privatização, o endividamento ficou em R$ 88,4 bilhões e a alavancagem fechou o trimestre em 3,4 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses, ante 3,6 vezes um ano antes.
Os investimentos também seguem acelerando, tendo a Axia desembolsado R$ 3,1 bilhões no 2T26, montante 52% superior ao investido no 2T25, concentrados em Transmissão, tanto em reforços e melhorias como em novos projetos conquistados em leilões recentes. No 6M26 os investimentos acumulados somam R$ 4,4 bilhões (+47,2% a/a). Destacamos também a conquista de três novos lotes de projetos na segunda etapa do Leilão de Transmissão 001/2026 realizada no último dia 3/7.
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