Ânima (ANIM3) despenca após aquisição da FMU: entenda reação negativa do mercado
Publicado por: Broadcast Exclusivo
5 minutos
Atualizado em
15/07/2026 às 16:46
Por Gustavo Boldrini e Júlia Pestana, da Broadcast
São Paulo, 15/07/2026 - As ações da Ânima Educação (ANIM3) registram nesta quarta-feira a queda mais acentuada dentre todos os ativos da B3. Fora do Ibovespa, o papel despencava mais de 32% perto das 15h45 (de Brasília), marcando sua queda intradiária mais acentuada desde que abriu capital, em 2013.
O movimento se deu após o anúncio da aquisição da FMU, rede de faculdades de São Paulo que possui 51 mil alunos distribuídos em seis campi e está atualmente em recuperação judicial. A Ânima acredita que as sinergias que a FMU encontrará dentro do grupo vão justificar o investimento. O mercado, porém, decidiu esperar pelos resultados antes de comprar essa tese.
Analistas veem o valor de R$ 410 milhões pago pela transação como alto, o que pode tirar da Ânima uma característica que a distinguia de rivais do setor educacional: a forte geração de caixa e pagamento de dividendos generosos.
Por que a ação da Ânima está caindo?
O negócio custou R$ 410 milhões, o equivalente a cerca de 35% do próprio valor de mercado da Ânima - ou seja, o valor de suas ações multiplicado pelo número de papéis que ela possui.
Considerando a dívida líquida ajustada da FMU, o valor implícito da operação sobe para R$ 560 milhões, cerca de 10 vezes o lucro operacional (Ebitda) ajustado da instituição nos últimos 12 meses.
Na prática, de acordo com analistas, a Ânima pagou um preço superior ao valor pelo qual suas próprias ações são negociadas na Bolsa, de cerca de 3,3 vezes o Ebitda, o que estaria bem acima do que negociam outras companhias listadas do setor, como Ser Educacional (SEER3), próxima de 3,1 vezes o Ebitda, e Yduqs (YDUQ3) e Cogna (COGN3), na faixa de 4,3 a 4,5 vezes.
O que dizem os analistas?
A análise desses múltiplos levou o BTG Pactual a rebaixar a recomendação para a ação da Ânima de compra para neutra após o anúncio da aquisição. Para o analista Samuel Alves, a aquisição muda "drasticamente" a tese de investimento construída em torno da companhia desde a compra dos ativos da Laureate, em 2020, apoiada até então em uma alocação de capital mais criteriosa.
O momento escolhido para a operação também foi questionado pelo banco, devido ao alto custo de capital do Brasil decorrente dos juros altos e um balanço "já esticado" da Ânima. Para Alves, é difícil justificar o valor pago por um ativo que passou recentemente por recuperação judicial - a FMU passou pelo processo
"Teríamos sido muito mais favoráveis a um programa de recompra de ações ou mesmo à aquisição de concorrentes listados, que provavelmente seriam negociados a múltiplos substancialmente menores", afirma Alves.
Já o Citi manteve recomendação neutra para as ações da empresa, com classificação de risco elevado. Para o banco, o prêmio pago pela FMU é difícil de justificar e calculou que um simples exercício de arbitragem de múltiplos apontaria para um potencial de queda de cerca de 36% no papel.
O que diz a Ânima?
Um dos principais atrativos da FMU, segundo a Ânima, é o desempenho da faculdade no ensino digital, onde cresceu acima da média do mercado mesmo durante o período de dificuldades financeiras que enfrentou nos últimos anos.
"Ela tem um know-how de digital que nós, com humildade, assumimos que não temos e vamos aprender", afirmou a presidente da Ânima, Paula Harraca, em entrevista à Broadcast .
A Ânima afirmou em comunicado que a margem operacional da FMU está hoje em 19%, bem abaixo da média de 41% registrada por instituições de porte semelhante dentro do próprio grupo.
A expectativa da companhia é elevar o resultado operacional da FMU dos atuais R$ 53 milhões para uma faixa entre R$ 97 milhões e R$ 131 milhões, caso a instituição alcance os patamares de rentabilidade das demais unidades da Ânima.
Quais são os próximos passos?
A aquisição ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), cujo desfecho deve acontecer até o final do ano.

