Análise Setorial | Petróleo e Distribuição de combustíveis | Maio 2025
Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB

Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB
Publicado em
30/05/2025 às 12:07
Atualizado em
30/05/2025 às 12:10
Você irá ler ao longo deste relatório uma visão mais detalhada sobre as dinâmicas recentes do petróleo, que caminha para encerrar maio no menor patamar desde 2021, pressionado por uma combinação de aumento da oferta e enfraquecimento da demanda global. Nesse contexto, tratamos da recente revisão das projeções pela EIA, indicando um maior excedente de oferta, sinalizando continuidade da pressão baixista, ainda que guerra tarifária e conflitos geopolíticos sigam no radar e fazendo preço.
Também falamos da recente aquisição feita pela Prio, do Campo de Peregrino, bem como sobre a proposta para aquisição da fatia detida pela Novonor na Braskem e sobre a autorização do Ibama para a Petrobras realizar a Avaliação Pré-Operacional (APO) no bloco 59 da Bacia da Foz do Amazonas, último passo antes da liberação da licença para perfuração de poço exploratório. Boa leitura!
O Ministério de Minas e Energia (MME) divulgou a minuta do decreto do biometano, buscando viabilizar o início do mandato de descarbonização do setor de gás natural já em 2026, conforme previsto na Lei do Combustível do Futuro. O texto estabelece que a comprovação da meta será feita exclusivamente por meio dos Certificados de Garantia de Origem do Biometano (CGOBs), buscando simplificar a implementação e evitar a dupla contagem de emissões. A ideia seria contar com um mercado regulado e transparente que possa favorecer projetos para financiamento e incentivos fiscais, além da integração com outras políticas públicas, como o RenovaBio. Entidades como IBP, Abrace e Abegás questionam a obrigatoriedade da aposentadoria dos CGOBs pelos produtores de gás, argumentando que isso limita a flexibilidade do mercado (possibilidade de revenda no secundário) e pode elevar os custos do gás natural. Para entrar em vigor, o mandato de biometano ainda depende de análise de impacto econômico e do CNPE.
O Ineep publicou em seu mais recente boletim de E&P um alerta sobre o contexto de queda na produção no pós-sal, que acumula um declínio superior a 65% desde 2010, principalmente devido ao amadurecimento dos campos e à baixa alocação de investimentos em revitalização e exploração. Para o Instituto, a mudança de estratégia da Petrobras a partir de 2016, com foco no pré-sal e desinvestimentos no pós-sal, contribuiu para essa retração e abriu espaço para maior atuação de outras petroleiras. O cenário indica uma tendência de aumento na produção do pós-sal, impulsionada pelo início das operações nos campos Wahoo, operado pela Prio, e Maromba, da BW Offshore, ambos na Bacia de Campos, além dos campos Neon e Goiá, da Karoon, na Bacia de Santos, e os da Petrobras, que prevê a revitalização de campos maduros e o avanço de projetos como o Raia (bacia de Campos) e SEAP (Sergipe Águas Profundas). Ainda assim, é necessário um aumento das atividades exploratórias, especialmente em novas fronteiras, para reverter esse cenário, garantir a segurança energética e compensar a futura queda esperada na produção do pré-sal a partir de 2030.

O petróleo tipo Brent se encaminha para fechar o mês de maio no menor nível desde 2021, com uma combinação de fatores minando as perspectivas altistas. Para começar, no mês de abril, a Opep+ iniciou um processo de aumento da produção, mesmo diante do contexto de maior incerteza na demanda global. Em reunião desta semana, o grupo decidiu manter o nível atual de produção até o final de 2026, mas pendente para a reunião de amanhã (31), oito dos países membros (incluindo Arábia Saudita, Rússia e Emirados Árabes Unidos) avaliam possíveis aumentos voluntários de produção para julho, em 411 mil bdp. Ao mesmo tempo, em relatório recente, a EIA (agência internacional do petróleo) reviu suas projeções de demanda, prevendo aumento da oferta neste ano (via OPEP+ e também de países como Canada, Brasil, e China) e uma demanda menor, resultando em um saldo excedente na ordem de 700 mil barris/dia, o triplo da análise anterior, sugerindo que os preços mais baixos devem persistir ao longo de 2025. Assim, vemos assimetrias, com maior oferta e demanda afetada pela guerra comercial dos Estados Unidos e a possível desaceleração econômica. Isso porque o cenário ocorre diante de um contexto de menor demanda pela China, que costumava absorver forte volume em importações da commodity, mas que tem reduzido sua demanda e focado em energias mais limpas e eletrificação, reforçando essa tendência de queda nos preços. Como possíveis gatilhos para um eventual cenário de alta, estão no radar o andamento da imposição de tarifas e seus impactos na demanda, bem como de conflitos geopolíticos, notadamente a recente possibilidade de ataque de Israel às instalações de petróleo no Irã, cujo desenrolar poderia afetar fortemente a logística global caso ocorra uma interrupção do fluxo de navios no estreito de Ormuz, o que poderia disparar os preços da commodity. O impacto para as companhias brasileiras do setor seria muito mais expressivo nas companhias independentes do que para a Petrobras, dada a resiliência da estatal devido ao seu menor custo de extração.
A Prio anunciou a aquisição de 60% de participação e operação dos Campos de Peregrino e Pitangola da Equinor Brasil Energia por US$ 3,35 bilhões. O negócio adicionará 202 milhões de barris de reservas de petróleo à Prio e ainda depende da aprovação da ANP e do Cade, com previsão de conclusão entre o final de 2025 e meados de 2026. Ainda que promova um aumento temporário na alavancagem, vemos o movimento como positivo, na medida em que reforça suas reservas e dá continuidade a uma estratégia já bem sucedida, que deve agregar geração de caixa a partir de 2026.
A Braskem comunicou ter recebido uma proposta para aquisição da fatia detida pela Novonor na companhia. Feita pelo empresário Nelson Tanure, de acordo com a mídia local, a oferta envolveria um aporte de US$ 70 milhões à Novonor, bem como a possibilidade de que a Novonor mantivesse entre 3,5% e 5% da Braskem, evitando o acionamento da cláusula de tag along (que daria direito a outros acionistas, incluindo a Petrobras, de vender suas ações nas mesmas condições). Apesar do anúncio de um acordo de exclusividade com Tanure, os bancos afirmam que ainda não concederam exclusividade, e em nosso entendimento o momento para a transação não é dos mais oportunos, com a ação nas mínimas devido ao contexto do forte ciclo de baixa nos spreads petroquímicos.
O Ibama autorizou a Petrobras a realizar a Avaliação Pré-Operacional (APO) no bloco 59 da Bacia da Foz do Amazonas, último passo antes da liberação da licença para perfuração de poço exploratório. A autorização veio após a aprovação do Plano de Proteção e Atendimento à Fauna Oleada (PPAF), parte do Plano de Emergência Individual (PEI) da empresa. A APO incluirá simulações de resgate de fauna e testes de resposta a acidentes com óleo, envolvendo mais de 400 pessoas, embarcações, helicópteros e a sonda de perfuração. A autorização deixa a estatal mais próxima de poder iniciar as atividades de exploração, ainda que controvérsias e pressão de ambos lados sigam no radar.
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