Análise Setorial | Petróleo e Distribuição de combustíveis | Janeiro 2026
Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB

Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Publicado em
29/01/2026 às 10:51
Atualizado em
29/01/2026 às 10:51
Na edição deste mês, você irá ler sobre a aquisição de ativos feita pela Brava após mudanças no seu comando, bem como sobre o contexto da disparada dos financiamentos em biocombustíveis no ano de 2025 e subsequente anúncio da Petrobras de planos para construir a primeira biorefinaria do país. A estatal, junto com sua subsidiária Transpetro aumentam os esforços de renovação e ampliação da frota marítima do sistema Petrobras. Também comentamos sobre as dinâmicas de uma oferta excedente no mercado de petróleo, mas como as recentes tensões geopolíticas tem adicionado prêmio de risco à .
Na seção de análise gráfica e contexto setorial, o ativo selecionado foi a Ultrapar, em um gráfico semanal discutindo os rumos recentes do papel.
Por fim, discutimos também os dados de volumes e participação de mercado em distribuição de combustíveis, comparando a atuação de Ipiranga, Raízen e Vibra. Boa leitura!
A NTS aprovou o investimento para dois projetos essenciais à expansão do gás natural do pré-sal: a Estação de Compressão de Japeri e o Ponto de Recebimento de Raia, ambos no RJ, após um ultimato da ANP que poderia abrir o ativo à concorrência de outras transportadoras. A Ecomp Japeri, necessária para elevar a capacidade de envio de gás do Rio para São Paulo e Sul do país de 12,5 para 20 milhões de m³/dia, deve entrar em operação em 2029 após impasse sobre a taxa de remuneração, resolvido com a aceitação do WACC de 7,47% proposto pela ANP. Já a conexão de Raia permitirá injetar até 16 milhões de m³/dia de gás do pré-sal, cuja produção começa em 2028, sendo o único novo gasoduto previsto nas bacias de Campos e Santos. A dinâmica evidencia como a venda das transportadoras NTS e TAG deixou projetos estratégicos na dependência de um operador privado para realizar investimentos essenciais à oferta de gás. O avanço apenas após pressão regulatória sinaliza prejuízo na sincronia entre produção, escoamento e demanda.
A Petrobras retomou a produção de fertilizantes nitrogenados nas fábricas da Bahia e de Sergipe após mais de dois anos de paralisação, em um momento marcado por maior risco no suprimento internacional de ureia. Em 2025, Brasil importou 1,87 bilhão de toneladas do produto, principalmente do Irã, Rússia e Venezuela. Estes países responderam por 24% das compras e o atual contexto sugere que fornecimento pode ser afetado por guerras, sanções e eventos geopolíticos.
Assim, a reativação das unidades do Nordeste reduz a dependência externa e fortalece a segurança de abastecimento. As duas FAFENs, em conjunto com a Araucária Nitrogenados (ANSA, no Paraná), responderão por 20% de toda a demanda de ureia do Brasil. A expectativa da companhia é elevar a produção nacional para 35% nos próximos anos, com uma nova planta em construção no Mato Grosso do Sul, de acordo com o diretor de Processos Industriais e Produtos, William França.

A Brava anunciou a compra de 50% das participações da Petronas nos campos de Tartaruga Verde e no Módulo III de Espadarte, na Bacia de Campos, em uma transação de US$ 450 milhões que inclui pagamentos escalonados e depende de aprovações de Cade e ANP para ser concluída em 2026. Este é o primeiro movimento estratégico após a chegada do novo CEO, Richard Kovacs, e reforça o foco da companhia em diversificação do portfólio e eficiência na alocação de capital. Os ativos adquiridos são considerados consolidados e altamente produtivos, com média de 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia em 2025. A companhia já havia divulgado a previsão de investir US$ 550 milhões em 2026, sendo dois terços em expansão, incluindo a perfuração de quatro poços entre 2026 e 2027, e o restante em manutenção.
O BNDES aprovou em 2025 um recorde de R$ 6,4 bilhões em financiamentos para projetos de biocombustíveis, impulsionando iniciativas como etanol de milho, etanol de trigo e biometano. Desde a retomada do apoio ao setor em 2023, o banco já financiou R$ 13,3 bilhões, crescimento de 204% frente ao quadriênio 2019–2022. O avanço colabora na redução de emissões e direciona o Brasil como protagonista na transição energética.
Na mesma linha de investimentos em baixo carbono, a Petrobras anunciou que vai investir R$ 6 bilhões para transformar a Refinaria Riograndense, em Rio Grande (RS), na primeira biorrefinaria do país. As obras devem começar no segundo semestre deste ano e devem colaborar com a expansão do refino da companhia e com o aumento da produção de combustíveis de baixo carbono, servindo como um piloto para futuras ampliações desse tipo de produto. A Riograndense é uma sociedade formada pela Petrobras, Braskem e Ultrapar. Após testes, a refinaria recebeu nesta semana a autorização definitiva para o processamento de matéria-prima renovável na produção de bioGLP.
A Petrobras e Transpetro assinaram, no último dia 20, contratos para construção de embarcações dentro do programa 'Mar Aberto', voltado à renovação e ampliação da frota do sistema Petrobras. Serão contratados cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores, com investimento total de R$ 2,8 bilhões. As embarcações serão operadas pela Transpetro e construídas em estaleiros de três Estados. A expectativa é de que a Transpetro triplique sua capacidade de transporte de GLP e derivados, e que as novas embarcações tenham sejam 20% mais eficientes no consumo de energia e gerem 30% menos emissões. O modelo de negócios permitirá maior verticalização na operação de bunkering, abastecendo polos como Belém, Rio de Janeiro, Paranaguá e Rio Grande. Para a Petrobras, essa renovação de frota deve reduzir custos, com menor dependência de afretamentos e possibilita acompanhar o crescimento da produção nos próximos anos. Mais detalhes aqui.
A Agência Internacional de Energia (AIE) elevou sua projeção para o crescimento da demanda global de petróleo, impulsionada por melhor perspectiva econômica e preços mais baixos, mas destacou que a oferta deve seguir consideravelmente superior ao consumo, o que deve manter pressão de baixa sobre o mercado. A Fitch Ratings vai na mesma direção, sinalizando que o excedente global continuará suficiente para compensar incertezas ligadas ao Irã e à Venezuela, projetando o Brent em US$ 63 de 2026. As análises reforçam um cenário de manutenção da expectativa de baixa nos preços, mas as recentes tensões geopolíticas, em especial no Oriente Médio, tem adicionado prêmio de risco à no curto prazo, ignorando alguns fundamentos de mercado.
O Brasil tem colaborado para esse contexto de maior alta na produção, junto com Canadá, Estado Unidos e Guiana. A Petrobras reportou uma alta de 11% na produção de petróleo no ano passado, ultrapassando em 0,5 p.p o limite superior da meta (+4%) estabelecida em seu PNE 2025-2029.
Nesta seção, realizamos, a cada mês, uma análise técnica de ativos selecionados, de indicadores relevantes para o setor ou de papéis cobertos pelo BB-BI. Neste mês, analisamos o desempenho da Ultrapar (UGPA3).
Nas últimas semanas, a Ultrapar acompanhou a forte alta do , e superou importante resistência na faixa dos R$ 22, máxima de novembro e dezembro do ano passado, mas também referência de preço de agosto/24. O movimento levou o papel para a faixa dos R$ 25, deixando caminho livre até a máxima histórica, um pouco acima dos R$ 27. Médias móveis alinhadas para cima, bem como MACD cruzado para compra e sem divergência com a tendência do IFR sugerem que a trajetória de alta deve persistir nas próximas semanas, principalmente caso o fluxo estrangeiro siga forte para o Brasil, o que colaborou para que este início de ano trouxesse recordes históricos para o índice.

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