Análise Setorial | Petróleo e Distribuição de combustíveis | Agosto 2026
Daniel Cobucci, especialista do BB Investimentos, apresenta dados setoriais de petróleo e distribuição de combustíveis.
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Publicado em
21/08/2026 às 14:52
Atualizado em
21/08/2026 às 14:52
A edição deste mês traz um resumo da temporada de resultados do 2T26 para o setor de O&G, que foi positivo para a maior parte das empresas cobertas.
Também tratamos da descoberta da Petrobras na Margem Equatorial, assim como os avanços na recuperação da subsidiária da Braskem no México.
Na seção de análise gráfica e contexto setorial, o ativo selecionado foi o Ibovespa, para contextualizar como o mercado vem se consolidando nos últimos dois anos, em um gráfico semanal.
Por fim, discutimos também os dados de volumes e participação de mercado em distribuição de combustíveis, comparando a atuação de Ipiranga, Raízen e Vibra. Boa leitura!
Petróleo em foco
O mercado de petróleo entrou em agosto com uma visão mais cautelosa, diante da menor perspectiva de um acordo nas negociações e de uma posição mais firme do Irã em suas demandas para encerrar o conflito, resultando na continuidade das restrições aos fluxos no Estreito de Ormuz, além de ataques houthis no Mar Vermelho e em ativos sauditas adicionando riscos logísticos e ampliando os prêmios de frete e seguro. O mercado parece adotar um cenário-base de conflito prolongado, mantendo déficits em petróleo, derivados e LNG, mas diante de um descolamento incomum entre petróleo e derivados: enquanto o preço do barril permanece relativamente contido devido à resiliência da demanda, ao uso de estoques e à menor participação da China nas compras internacionais, as margens de refino dispararam para níveis sem precedentes, especialmente no diesel e combustível de aviação. Isso indica que o gargalo atual não está na disponibilidade de petróleo bruto, mas na capacidade logística e de transformação em combustíveis refinados, uma consequência direta dos conflitos no Oriente Médio, com ataques iniciais a refinarias do Catar, Bahrein e Kuwait, e agora na Arábia Saudita, restrições agravadas diante dos ataques ucranianos às refinarias russas, tendo como uma das consequências uma virada nas compras de diesel pelo Brasil. Persistem fatores potencialmente altistas, dados os estoques de petróleo dos Estados Unidos no menor nível desde a década de 1980, reduzindo a capacidade de absorver interrupções inesperadas de oferta, enquanto a China começa a aumentar o processamento em refinarias e acelerar a utilização de estoques domésticos justamente em um momento de restrições logísticas para importações do Oriente Médio. Caso essa tendência persista, o país poderá ser forçado a retornar de forma mais agressiva ao mercado internacional nos próximos meses. Assim, apesar da continuidade dos aumentos de produção da Opep+ e de episódios pontuais de correção nos preços, a percepção atual é menos de excesso de oferta e mais de um mercado fisicamente apertado, sustentado por estoques em baixa, gargalos logísticos e elevada incerteza, condições que tendem a manter a volatilidade do petróleo elevada ao longo do segundo semestre de 2026 e início de 2027.

Notícias e dados do setor
A Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no poço pioneiro de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, com os primeiros indícios considerados promissores pela companhia. Embora ainda seja cedo para estimar o volume recuperável, os dados obtidos já permitem definir com maior precisão a localização dos próximos três poços exploratórios, transformando Morpho em um importante direcionador da campanha exploratória na Margem Equatorial. A administração reafirmou otimismo quanto ao potencial da área, ressaltando que há outras cinco locações já previstas e que a Petrobras aguarda licenças para ampliar as atividades na região. A descoberta reforça a tese de reposição de reservas em um momento em que o pré-sal caminha para seu pico de produção no início da próxima década, podendo sustentar o crescimento de longo prazo da companhia e preservar a posição do Brasil como produtor relevante de petróleo.
A Braskem anunciou um acordo para a reestruturação financeira da Braskem Idesa, sua controlada no México, envolvendo acionistas e a maior parte dos credores, com o objetivo de fortalecer a estrutura de capital da companhia. A operação prevê a captação de novos recursos e a redução da dívida sênior de aproximadamente US$ 2,5 bilhões para US$ 1,6 bilhão, diminuindo a alavancagem da subsidiária. Para implementar o plano, a Braskem Idesa ingressou com um processo de Chapter 11 pré-negociado (prepackaged) nos Estados Unidos, com conclusão esperada entre 60 e 90 dias. Como parte do acordo, a Braskem aportará um total de US$ 476 milhões, e deve manter o controle da operação após a reestruturação. As atividades industriais da Braskem Idesa seguirão durante o processo, ajudando a mitigar de um dos principais riscos financeiros associados ao ativo mexicano, que enfrenta o contexto de sobreoferta global de resinas, em condição agravada pela restrição no fornecimento de etano pela estatal mexicana Pemex.
A temporada de resultados do 2T26 do setor de O&G e distribuição de combustíveis foi positiva, marcada por um ambiente favorável de preços do petróleo, maior volatilidade dos derivados e melhora das condições competitivas no mercado brasileiro. A Petrobras se destacou pela forte captura da alta do Brent e pelo crescimento da produção do pré-sal, resultando em elevada geração de caixa e redução da alavancagem. Entre as distribuidoras, Vibra e Ultrapar apresentaram resultados semelhantes, com expansão das margens de comercialização, e beneficiadas pelas ações de combate às irregularidades no setor e por suas vantagens logísticas e de escala para manter margens altas ao mesmo tempo em que garante suprimento para suas redes. Com isso, puderam reportar maior rentabilidade, forte geração de caixa e desalavancagem. Já a Raízen também foi favorecida pelo bom desempenho da distribuição de combustíveis, mas continuou enfrentando desafios no segmento sucroenergético, o que limitou a recuperação operacional. A Braskem também trouxe uma forte recuperação operacional no trimestre, impulsionada pela melhora dos spreads petroquímicos globais, com lucro líquido e geração operacional de caixa positivos. Apesar do desempenho positivo, seguem no radar os desafios ligados à estrutura de capital, negociações com credores e ao cenário de sobreoferta global no setor petroquímico. Em comum, todas as companhias mostraram melhora na geração de caixa e disciplina financeira, com destaque para Petrobras, Vibra e Ultrapar, com posições financeiras mais confortáveis, enquanto Raízen e Braskem seguem buscando a execução de seus processos de desalavancagem.
O mercado de biometano tem tido avanços importantes. Os produtores defendem uma trajetória plurianual para o mandato de descarbonização do gás natural, elevando a mistura de biometano para dar previsibilidade aos investimentos, enquanto aguardam a regulamentação dos certificados de origem (CGOBs). Pelo lado da demanda, o transporte pesado desponta como vetor de crescimento, com potencial de mercado até duas vezes superior ao industrial, com a substituição do diesel em frotas urbanas e de carga. A Ultragaz abriu uma nova estação de abastecimento, e espera praticamente dobrar sua carteira de clientes até o fim de 2026.
Análise técnica: gráfico e contexto
Nesta seção, realizamos, a cada mês, uma análise técnica de ativos selecionados, de indicadores relevantes para o setor ou de papéis cobertos pelo BB-BI. Neste mês, analisamos o comportamento do Ibovespa.
O ativo está em uma forte tendência de alta, iniciada em jan/25, com principal suporte a região dos 167.800 pontos, que coincide com retração Fibonacci de 61,2%, ou seja, acima deste patamar, vemos continuidade do movimento altista. O gráfico semanal mostra que o ativo perdeu os dois primeiros suportes mais relevantes após atingir o topo histórico, primeiro nos 179.500, depois nos 169.800, restando essa faixa dos 167.800 como divisor de curto prazo para sustentar a força altista. O fato de o índice ter recuado até essa faixa e voltado a subir nesta semana traz sinais positivos, apesar da média móvel mais curta, de 5 períodos ter cruzado novamente para baixo da de 10 períodos, o que traz certa pressão, junto com o MACD ainda sinalizando venda. Para cima, resistência nos antigos suportes mencionados antes da busca por novas máximas, enquanto os próximos suportes estão em 160.500 e 158.500 (Fibonacci 50%).



