Ação da Oi volta à casa de R$ 1: o que está acontecendo com a operadora?
Atraso no plano de recuperação e problemas de caixa são alguns dos motivos para a queda nas ações
Publicado por: Broadcast Exclusivo

Atraso no plano de recuperação e problemas de caixa são alguns dos motivos para a queda nas ações
Publicado por: Broadcast Exclusivo
Atualizado em
13/11/2024 às 15:14
Por Circe Bonatelli e Luana Pavani, do Broadcast
São Paulo, 12/11/2024 - A ação da Oi fechou na terça-feira 12/11 a R$ 1,00. Investidores já ficam ressabiados diante do risco de voltar a ser penny stock , termo que identifica ações negociadas na casa dos centavos. Por já ter passado por essa situação, a ação ordinária (ON) da Oi não está mais presente no Ibovespa, conforme as regras de liquidez e volume de negociação para participar do índice de primeira linha da Bolsa brasileira. Uma delas é que uma empresa listada não pode permanecer com ações abaixo de R$ 1,00 por mais de 30 pregões consecutivos.
A Oi não apresentou um bom terceiro trimestre, segundo analistas, e o mercado agora mira a eleição de novos membros do conselho de administração, que serão definidos na assembleia geral, marcada para o dia 11 dezembro, às 16 horas, de forma digital.
A medida vem após a companhia realizar o aumento de capital baseado na emissão e entrega de ações em troca do abatimento de dívidas. Com isso, os credores financeiros assumiram a posição de principais acionistas da Oi.
A questão é que a entrega de ações não conta com o mecanismo de lock-up, isto é, obrigação dos novos acionistas de permanecerem com os papéis por um prazo pré-definido. Desse modo, podem desmontar as suas posições livremente.
A gestora de recursos Pimco terá a maior fatia do grupo, fincando com 36,48% do capital, seguido por pelo SC Lowy (12,27%) e Ashmore (9,53%), como divulgado pela Oi. Outros acionistas ficarão com 39,71%.
Na assembleia daqui um mês, os acionistas vão deliberar sobre o novo formato do conselho, cujo número de membros será reduzido de nove para sete. "Esse número de membros está dentro da faixa prevista no estatuto social e parece adequado ao atual dimensionamento da companhia", afirmou a administração, na proposta.
A assembleia também irá deliberar sobre a reforma do estatuto social da companhia para refletir o aumento de capital.
O mandato terá duração de dois anos, até a assembleia dos acionistas de 2026. Todos os indicados são apresentados como membros independentes, e alguns dos nomes indicados são executivos com experiência em processos de recuperação judicial e reestruturação.
Na proposta para a assembleia, a administração reiterou que, após a venda dos últimos ativos, a Oi passará a ter foco operacional no atendimento a empresas, o chamado B2B, por meio da Oi Soluções, priorizando a rentabilidade e mantendo um negócio pouco intensivo em investimentos. A Oi Soluções tem hoje mais de 40 mil clientes, muitos deles entre as maiores empresas do Brasil, com receitas baseadas em contratos de longo prazo.
Na proposta para a assembleia, a administração reiterou que, após a venda dos últimos ativos, a Oi passará a ter foco operacional no atendimento a empresas, o chamado B2B, por meio da Oi Soluções, priorizando a rentabilidade e mantendo um negócio pouco intensivo em investimentos. A Oi Soluções tem hoje mais de 40 mil clientes, muitos deles entre as maiores empresas do Brasil, com receitas baseadas em contratos de longo prazo.
O principal buraco no orçamento foi aberto pela venda da operação de banda larga, a Oi Fibra, adquirida pela V.tal. O plano original era vender a subsidiária por R$ 7,3 bilhões, com pagamento em dinheiro, à vista, o que não se concretizou. Em vez disso, o negócio saiu por R$ 5,4 bilhões, numa operação com abatimento de dívidas e entrega de ações, sem envolver dinheiro. "O negócio gerou um impacto negativo de cerca de R$ 2 bilhões no plano", disse a diretora de finanças da Oi, Cristiane Sales, em teleconferência com investidores e analistas.
"O plano de recuperação já previa, se fechássemos a operação sem caixa, a possibilidade de levantarmos R$ 1,5 bilhão. Então, estamos estudando as necessidades ao longo deste ano e do próximo", afirmou Sales. Ela acrescentou que a Oi está tocando outras iniciativas para preservar o caixa, como redução de custos e recuperação de valores atrasados, bem como renegociação de prazos com credores.
No fim de outubro, a Coluna do Broadcast já havia antecipado que a Oi havia começado a buscar um novo financiamento no valor de R$ 1,5 bilhão para dar um respiro ao caixa, após o seu plano de recuperação não andar como inicialmente esperado.
Outro problema que surpreendeu a direção foi a demora para encerrar a concessão de telefonia fixa e mudar o regime para uma autorização, o que continua pendente. Esse é um passo fundamental para livrar a operadora de um negócio que caiu em desuso. "O atraso não foi considerado nas premissas do plano de recuperação", revelou Sales.
Em junho de 2023, a Oi e a Anatel passaram a negociar um acordo para por fim à concessão, sob mediação do Tribunal de Contas da União (TCU). Em abril de 2024, a Oi aprovou o plano de recuperação com credores. Já o acordo com a Anatel só saiu em julho de 2024, 13 meses depois do início das conversas. Depois disso, ainda foi preciso esperar mais dois meses para obter aval da Advocacia Geral da União (AGU), que saiu em setembro. Agora, falta a aprovação definitiva do conselho diretor da Anatel, o que, por sua vez, ainda requer o cumprimento de etapas burocráticas, sem um prazo definido.
O balanço da Oi no terceiro trimestre mostrou uma empresa ainda em dificuldades. A receita líquida caiu 14,4% na comparação anual, para R$ 2 bilhões. O recuo foi explicado pelo faturamento menor com serviços obsoletos, como telefonia fixa, internet por redes de cobre e TV satelital. Também houve queda na receita da Oi Soluções, o braço de conectividade e TI para empresas, que enxugou a oferta de serviços. Dessa forma, a Oi teve prejuízo operacional - medido pelo Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) - de R$ 388 milhões, perda 17% maior na comparação anual.
Apesar disso, a Oi teve lucro líquido de R$ 243 milhões. Esse ganho, porém, não representou entrada de dinheiro em caixa. Ele foi explicado pelo efeito contábil da valorização do real ante o dólar (que ajuda a aliviar a dívida em moeda estrangeira) e pela repactuação de dívidas com a Anatel.
No fim do terceiro trimestre, a Oi tinha em caixa apenas R$ 1,3 bilhão, montante 31% menor do que no fim do segundo trimestre e 60% abaixo do terceiro trimestre do ano passado, indicando que a empresa vem queimando caixa de forma recorrente. A dívida líquida foi a R$ 8,9 bilhões.
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