A novela continua: BRF deve aprovar fusão com Marfrig, mas CVM endurece o jogo
Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos

Publicado por: Broadcast Exclusivo
7 minutos
Atualizado em
05/08/2025 às 11:07
Por Gustavo Boldrini e Leandro Silveira, da Broadcast
São Paulo, 05/08/2025 - Após meses de idas e vindas, ocorre hoje a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da BRF (BRFS3) para deliberar sobre a fusão com a Marfrig(MRFG3). A operação, que criará a MBRF Global Foods Company, conta com a aprovação da maioria dos acionistas da BRF, mas não deve encontrar facilidade na análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A companhia informou na semana passada que a maioria dos seus acionistas que optaram por votar antecipadamente na Assembleia (43,79%) aprovavam a fusão, enquanto apenas 17,43% rejeitaram a proposta.
Se efetivada, a operação resultará na incorporação da totalidade das ações da BRF pela Marfrig Global Foods, com exceção daquelas já detidas pela Marfrig, criando a MBRF. A proposta da transação foi formalizada em 15 de maio.
Ainda que seja aprovada pelos acionistas, a operação ainda passará pelo crivo do Cade, o órgão responsável por zelar pela livre concorrência no Brasil e que analisa as fusões e aquisições em solo brasileiro.
Na última sexta-feira (1), o presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, determinou a reclassificação da análise da fusão entre BRF e Marfrig de rito sumário para ordinário, diante da complexidade da operação e de potenciais riscos à concorrência no mercado de carne bovina in natura.
A decisão atende a um pedido da Minerva (BEEF3), concorrente da Marfrig, e precisará ser votada no plenário do Cade.
Um dos principais pontos levantados é a presença da Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic) e de sua subsidiária, a Salic International Investment Company (Siic), no capital das três companhias: Marfrig, BRF e Minerva. Segundo a Minerva, esse cenário pode reduzir a concorrência ao facilitar alinhamentos estratégicos entre grupos teoricamente rivais.
As operações de fusão e aquisição analisadas pela Cade podem passar por um rito sumário ou ordinário de aprovação. O rito sumário é mais simples, aplicado a operações que não apresentam riscos concorrenciais muito elevados.
Já o ordinário é um procedimento mais complexo e demorado, utilizado quando há necessidade de uma análise mais minuciosa devido a possíveis impactos significativos na concorrência. Ele pode incluir a coleta de mais informações, realização de estudos detalhados e consultas a terceiros interessados - como concorrentes.
Ontem, BRF e Marfrig solicitaram formalmente ao Cade que reconsidere a decisão de converter a análise para o rito ordinário. O pedido foi protocolado pelo escritório Mudrovitsch Advogados, que representa as empresas.
No pedido, elas destacam que a operação já foi analisada três vezes pelo Cade - nos atos de concentração de 2021 e 2023, quando a Marfrig se tornou acionista da BRF - inclusive sob o rito ordinário -, e em todas as ocasiões os riscos concorrenciais foram afastados com base nas baixas participações de mercado das requerentes.
Sobre a participação da Saudi Agricultural and Livestock Investment Company (Salic), acionista da BRF e da Minerva, as empresas afirmam que se trata de um investimento "financeiro, sem caráter de controle".
O enrosco na operação de fusão tem afetado o desempenho dos papéis da BRF, que recuam 12,60% no acumulado dos últimos três meses. No mesmo período, que marca o anúncio da operação, as ações da Marfrig têm baixa acumulada de 1,20%.
No ano, BRF acumula queda de 22,59%, enquanto Marfrig sobe 25,25%.
Invista com app Investimentos BB
Quer dar uma nota para este conteúdo?