Vamos (VAMO3) avança em receita mas desafios permanecem, segundo BB-BI
Segundo o BB-BI, resultado foi pressionado por custos e despesas financeiras.
Publicado por: Análise BB

Segundo o BB-BI, resultado foi pressionado por custos e despesas financeiras.
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
26/03/2026 às 16:00
A Vamos divulgou um resultado misto no 4T25, em nossa opinião, com destaque positivo para a expansão de receitas, tanto de locação quanto de venda de ativos, porém com destaque negativo para o aumento de custos e despesas, principalmente custo com venda de ativos e despesas financeiras, o que levou à queda significativa do lucro líquido e à perda de rentabilidade, medida pelo ROIC¹. No ano, a Vamos avançou nos contratos com mesmos ativos e ativos usados, mas teve retração nas linhas que utilizam ativos novos, o que reflete bem o atual momento da companhia de equalizar os estoques antes de voltar a crescer. Tudo o mais considerado, a companhia se manteve relativamente estável em relação ao endividamento líquido e à alavancagem.
Ao longo dos últimos anos, a Vamos enfrentou elevados níveis de inadimplência e de rescisões contratuais por parte de seus clientes, especialmente aqueles ligados ao setor agro, o que resultou na retomada antecipada de diversos ativos antes alugados. Esses ativos provocaram um aumento excessivo do estoque e reduziram a taxa de ocupação da frota, frustrando receitas e aumentando os custos. Para mitigar os impactos, a companhia tomou algumas medidas estratégicas, tais como o lançamento da linha Sempre Novo, modalidade de aluguel que utiliza os ativos usados como subjacente, e o aumento do esforço de vendas para aqueles ativos em estoque.
O Sempre Novo proporcionou a abertura de uma nova linha de negócio, dando uma segunda vida útil aos ativos e atendendo a um perfil de cliente antes pouco explorado, o que resultou em um crescimento de 12% da receita de serviços em 2025, enquanto o aumento do esforço de vendas impulsionou em 85% as receitas com venda de ativos no mesmo período.
Entretanto, os custos com venda de ativos, tais como manutenção, transporte, documentação, comissão de vendas, bem como as despesas com depreciação, aumentaram significativamente devido ao excesso de estoques e pressionaram a rentabilidade da companhia, que perdeu 10 p.p. de margem EBITDA e 1,7 p.p. de ROIC no ano. Além disso, o custo de capital mais alto, combinado com a alavancagem de 3,2x dívida líquida / EBITDA, elevaram em 34% as despesas financeiras, o que, na última linha, resultou em queda de 60% do lucro líquido.
Para 2026, a Vamos continuará o processo de equalização dos estoques, aumentando a receita com venda de ativos, expandindo a taxa de ocupação da frota e impulsionando a linha Sempre Novo, além de reduzir a alavancagem para ~3,0x. Consideramos a estratégia da companhia correta, porém ainda não avaliamos o balanço de riscos como favorável para o investidor. Por isso, reiteramos recomendação neutra para VAMO3, com preço-alvo de R$ 4,10 para o final de 2026.
As ações VAMO3 apresentam variação de +14% em 2026 e -27% em 12 meses, contra +14% e +38% do Ibovespa nos mesmos períodos, respectivamente. Por ser uma companhia de uso intensivo de capital, os papéis observam forte sensibilidade em relação à expectativa das taxas de juros. Além disso, por estar diretamente ligada ao setor de transportes, riscos climáticos, riscos comerciais e flutuações de preço de commodities, inclusive petróleo, podem afetar a demanda por seus produtos e exercer influência importante sobre suas ações, o que pode ajudar a explicar o desempenho negativo desde meados de 2023. No momento da confecção desse relatório, as ações caem 1,6% contra 1,4% do índice, indicando reação relativamente neutra do mercado.
Em nossa avaliação, investidores devem monitorar principalmente o desempenho da companhia em relação à redução dos estoques e ao avanço das vendas de seminovos, bem como o nível de margens e de alavancagem.
Por fim, a pressão nos custos com combustíveis recentemente causada pelo aumento do risco geopolítico global pode impactar o setor de transportes como um todo, em especial aqueles mais dependentes do transporte rodoviário em longas distâncias, como o agronegócio, o transporte de combustíveis e o industrial, dentre outros. Agentes de mercado podem reduzir produção, adiar investimentos, buscar modais alternativos para transporte, etc. e, por consequência, reduzir a demanda por produtos da Vamos. Medidas governamentais têm sido tomadas para contenção dos impactos, tais como a isenção de impostos federais sobre o diesel (principal insumo para o transporte rodoviário). Porém, em nossa visão, tais medidas terão efeito limitado, caso os custos permaneçam elevados por muito mais tempo. Esse será um novo ponto de atenção a ser monitorado, com potencial de deslocar a balança de riscos acerca de VAMO3 para o lado negativo.

Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.
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