O resultado apresentado pela Vale no 4T25 foi positivo, em nossa opinião, com números acima de nossas estimativas, apoiados pelo sólido desempenho operacional da companhia em todos os segmentos, tal como comentamos no relatório de produção e vendas, bem como em função de preços mais elevados e menores custos de fretes marítimos.
No segmento de Minerais Ferrosos, esses fatores foram compensados pelo impacto negativo da valorização do real frente ao dólar, e por maior custo caixa C1 sem compra de terceiros – de US$ 21,3/t (+13% a/a, sendo que no ano de 2025 ficou dentro do guidance), e que já era esperado. Assim, o EBITDA ajustado do segmento ficou estável a/a, em US$ 4,0 bilhões, com manutenção da margem em 47,4%.
Já na Vale Base Metals (VBM) o desempenho foi excepcional, principalmente no cobre, que além do maior volume de vendas trimestral desde 2018, foi favorecido pelo salto de 12% no preço médio realizado de cobre no 4T25. Além disso, foi observada uma significativa redução nos custos all-in proporcionada principalmente pelas elevadas receitas com subprodutos (especialmente o ouro, cuja cotação continuou avançando), que são contabilizadas como redução dos custos de cobre e níquel, e superaram o CPV, levando os custos all-in ao campo positivo (reversão da dedução). Já o níquel contou com quase todos os mesmos fatores positivos, porém com efeito menos significativo do que o cobre, exceto os preços realizados, que recuaram 3% no 4T25. Os custos all-in reduziram 35% a/a e, assim como os custos all-in de cobre, ficaram abaixo do guidance para o ano, que já havia sido revisado para baixo duas vezes anteriormente. Como resultado de todos esses fatores, o EBITDA ajustado da VBM saltou 157% a/a para US$ 1,4 bilhão, e a margem teve expressivo ganho de 24,3 p.p. a/a para 51,8%.
No consolidado, o EBITDA ajustado proforma atingiu US$ 4,8 bilhões (+17,4% a/a), e houve ganho de 3,0 p.p. a/a na margem EBITDA proforma, que foi de 43,7%. No entanto, o resultado líquido foi significativamente afetado (i) pela contabilização de impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel no Canadá, decorrente da revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo do níquel, e (ii) pela redução de US$ 2,8 bilhões decorrente da baixa de imposto diferido de subsidiárias, que levaram ao reporte de prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões (ante prejuízo líquido de US$ 700 milhões no 4T24). Desconsiderando-se os itens não recorrentes (sem efeito caixa neste momento), o lucro líquido ajustado foi de US$ 1,5 bilhão (+68% a/a).
Dívida líquida expandida continuou reduzindo
A Vale encerrou o 4T25 com posição de caixa de US$ 7,6 bilhões (ante US$ 6,1 bilhões no 3T25), dada a maior geração de fluxo de caixa livre neste trimestre, o que contribuiu para a redução da dívida líquida expandida para US$ 15,6 bilhões (ante US$ 16,6 bilhões no 3T25), em linha com a perspectiva de redução gradual ao longo de 2025 compartilhada pela empresa, e tendo se aproximado do centro do intervalo da meta de endividamento estabelecida pela companhia, de US$ 10 a 20 bilhões. Vale lembrar que, conforme ouvimos dos dirigentes da companhia ao longo de 2025, inclusive em nosso videocast "Conversa com Quem Decide“, em que conversamos com o CFO Marcelo Bacci, a redução consistente da dívida líquida expandida aumenta as chances de remuneração extraordinária aos acionistas. Nessa linha, a companhia aprovou, em novembro/25, a distribuição de US$ 2,8 bilhões em proventos (R$ 3,58/ação, tendo R$ 1,24/ação sido pago em janeiro/26, e o restante será pago em março/2026).
A Vale encerrou o 3T25 com posição de caixa de US$ 6,1 bilhões (ante US$ 5,7 bilhões no 2T25), dada a maior geração de fluxo de caixa livre neste trimestre, refletindo o incremento no EBITDA e a redução em capital de giro, o que contribuiu para a redução da dívida líquida expandida para R$ 16,6 bilhões (ante 17,4 bilhões no 2T25), em linha com a perspectiva de redução gradual ao longo de 2025 compartilhada pela empresa no trimestre anterior. Em teleconferência realizada nesta data para apresentação do resultado do 3T25, a companhia reforçou que a forte geração de caixa e a manutenção dos apresentação do resultado do 3T25, a companhia reforçou que a forte geração de caixa e a manutenção dos preços de minério de ferro acima de US$ 100/t por mais tempo do que o esperado aumentam a probabilidade de aprovação de dividendos extraordinários nos próximos meses, em linha com o que já vínhamos ouvindo dos dirigentes da empresa anteriormente, inclusive em nosso videocast "Conversa com Quem Decide“, em que conversamos com o CFO Marcelo Bacci.
Ações tiveram alta expressiva nos últimos meses
A combinação de expectativa de bons resultados – sustentada pela evolução operacional da companhia e o cenário favorável de preços de minério de ferro – com o momento positivo da bolsa brasileira, que tem atraído um volume expressivo de fluxo estrangeiro, tem favorecido a performance de VALE3. As ações, que já vinham em uma trajetória consistente de alta em todo o 2S25, avançaram mais de 30% no rali observado nos últimos 2 meses, atingiram máxima histórica e seguem negociadas acima de nosso preço-alvo 2026e, de R$ 75,00. Além disso, com a forte alta recente, a companhia está sendo negociada a um EV/EBITDA com prêmio de ~50% em relação à média histórica.
Assim, apesar da expectativa de continuidade de resultados robustos à frente, bem como mantermos nossa visão positiva sobre a companhia e sobre a atratividade da tese de investimento, por ora, mantemos a recomendação Neutra para as ações VALE3. A decisão reflete a ausência de potencial de valorização frente ao nosso preço‑alvo, que permanece em R$ 75,00 até a incorporação dos resultados do 4T25 em nosso modelo.
Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes fidedignas e de boa-fé, tendo sido tomadas medidas razoáveis para assegurar sua exatidão no momento de publicação. Contudo, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio. O BB-BI não garante o lucro e não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas nesse material, que tem por finalidade apenas informar e servir como instrumento que auxilie a tomada de decisão de investimento, não devendo ser interpretado como material promocional, recomendação, oferta ou solicitação de oferta para comprar ou vender quaisquer títulos e valores mobiliários ou outros instrumentos financeiros. Investimentos nos mercados financeiros e de capitais estão sujeitos a riscos de perda superior ao capital investido. A rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Nos termos do art. 22 da Resolução CVM 20/2021, o BB-BI, em conjunto com o Conglomerado Banco do Brasil S.A. (“Grupo”), declaram que (i) podem ser remunerados por serviços prestados ou possuir relações comerciais com a(s) empresa(s) analisada(s) neste relatório ou com pessoa natural ou jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse dessa(s) empresa(s); (ii) podem possuir participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% do capital social da(s) empresa(s) analisada(s), e poderão adquirir, alienar ou intermediar valores mobiliários da(s) empresa(s) no mercado.