Vale (VALE3) 4T24: operacional acima do esperado, com expressiva redução de custos e guidances atingidos, mas com prejuízo na última linha
Resultado operacional da maior mineradora do país no 4T24 veio acima das estimativas
Publicado por: Análise BB

Resultado operacional da maior mineradora do país no 4T24 veio acima das estimativas
Publicado por: Análise BB
4 minutos
Atualizado em
20/02/2025 às 16:24
Os números operacionais apresentados pela Vale no 4T24 vieram acima de nossas estimativas, de forma geral, e mostram que a companhia está sendo bem-sucedida em sua estratégia de busca de um crescimento sustentável no desempenho de suas operações, em nossa opinião.
Os volumes de produção acima das expectativas sinalizam a continuidade da evolução operacional mostrada nos trimestres anteriores. Vale ressaltar que a companhia atingiu todos guidances de produção para o ano de 2024 - cuja revisão foi anunciada no Vale Day 2024, com aumento de volumes estimados para todos os produtos, exceto o níquel, na comparação com as projeções iniciais divulgadas no mesmo evento do ano anterior. Já com relação às vendas, os volumes ficaram ligeiramente abaixo de nossas estimativas e tiveram redução na comparação anual, mas refletem principalmente a estratégia da companhia de otimização de portfólio para produtos de maior margem no segmento de Soluções de Minério de Ferro no período.
Como resultado, houve melhora sequencial tanto no prêmio de qualidade de minério, que atingiu US$ 4,6/t (+US$ 2,9/t em relação ao 3T24), como no preço médio realizado de finos, que avançou para US$ 93,0/t (ante US$ 90,6/t no 3T24), enquanto o preço médio de pelotas teve redução de US$ 5,2/t, para US$ 143,0/t, refletindo o efeito negativo dos ajustes de preços provisórios de embarques do trimestre anterior. Na comparação anual, no entanto, os preços médios dos finos e pelotas tiveram redução relevante (de 21% e 12%, respectivamente) em relação ao elevado patamar do 4T23, assim como o níquel (-12% a/a), enquanto no de cobre houve elevação de 16% a/a.
Vale mencionar a melhoria significativa em custos unitários em todos os produtos. O C1 sem compra de terceiros, que em razão da combinação de estabilidade operacional, desvalorização cambial e ganhos de eficiência, recuou para US$ 18,8/t no 4T24 (ante US$ US$ 20,8/t no 4T23), o menor patamar desde o 1T22, fechando o ano de 2024 em US$ 21,8/t, próximo do piso do guidance da companhia. Os custos all-in de cobre e níquel foram US$ 1.098/t (-66% a/a) e US$ 13.881/t (-8% a/a), respectivamente, e representam os menores patamares desde o 4T20 e o 1T22, respectivamente, e, em 2024, ficaram em US$ 2.616/t e US$ 15.420/t, em linha com o guidance.
Assim, no consolidado, todas as linhas do resultado tiveram queda na comparação anual: a receita líquida foi de US$ 10,1 bilhões (-26% a/a), o EBITDA ajustado proforma atingiu US$ 4,1 bilhões (- 40% a/a, que gerou uma margem de 40,7% (-11,9 p.p. a/a).

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Na última linha, a empresa registrou prejuízo líquido de US$ 694 milhões, revertendo o lucro de US$ 2,4 bilhões do 4T23, refletindo o resultado financeiro, que ficou negativo em US$ 1,8 bilhão (+101% a/a), impactado principalmente pelo efeito de instrumentos derivativos (swaps de moedas e taxas de juros), além da contabilização do reconhecimento da redução ao valor recuperável de ativos da Vale Base Metals, que somou ~US$ 2 bilhões.
Mesmo considerando o desembolso de US$ 656 milhões para a renovação de concessões ferroviárias e de US$ 1,8 bilhão para investimentos, e os pagamentos relacionados à descaracterização de barragens, Brumadinho e Samarco/Mariana, o caixa permaneceu robusto em US$ 5 bilhões (ante US$ 4,7 bilhões ao final do 3T24), de modo que a** dívida líquida expandida se mantivesse estável em relação ao balanço do 3T24, em US$ 16,5 bilhões**, dentro da meta de dívida líquida expandida da Vale, que permanece em US$ 10-20 bilhões. Apoiada na identificação de eficiências de projeto, a companhia revisou sua estimativa de capex para 2025, que reduziu de US$ 6,5 bilhões para US$ 5,9 bilhões.
Junto com a divulgação do resultado, a Vale anunciou a aprovação da distribuição de US$ 1,6 bilhão em dividendos (equivalentes a ~R$ 2,14/ação) a serem pagos em 14/03 (data ex-dividendos em 10/03), junto com os juros sobre capital próprio anunciados em novembro/24, de US$ 388 milhões (R$ 0,52/ação bruto). Os valores somados representam um yield de 4,6% sobre a cotação média de VALE3 nos últimos 12 meses. Além disso, a companhia anunciou um novo programa de recompras de ações, que prevê a aquisição de até 120 milhões de ações, que representam ~3% das ações em circulação, em até 18 meses.
Após o piso observado em janeiro/25, as ações VALE3 têm mostrado gradual recuperação, e chegaram a subir mais de 3% no pregão de hoje (20), após a divulgação do resultado do 4T24 (enquanto o Ibovespa permanecia relativamente estável), que foi bem recebido pelo mercado principalmente pela substancial redução de custos, além do anúncio dos dividendos e do novo programa de recompras.
Olhando à frente, as ações da empresa devem continuar com elevada volatilidade em reação tanto às discussões sobre tarifas de comércio exterior principalmente entre EUA e China, como às estratégias do governo chinês em relação aos estímulos à economia do país, que certamente serão impactadas pelo primeiro tema, além dos próprios fatores internos que já traziam a necessidade de apoio para destravar investimentos, consumo e a indústria domésticos.
Mesmo assim, dada a evolução operacional consistente apresentada pela companhia nos últimos trimestres, acreditamos que a Vale continuará entregando resultados operacionais satisfatórios no curto prazo e, que suas estratégias de longo prazo nos parecem adequadas para se aproveitar dos fundamentos de longo prazo de seus mercados de atuação. Assim, mantemos a recomendação de Compra e, até incorporarmos os resultados recentes em nosso valuation, o preço-alvo 2025e de R$ 74,00 para VALE3.


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