Tenda (TEND3) 4T25: expansão de margens e alongamento do perfil de dívida dão suporte para correção de rota em Alea
Equipe do BB analisa resultado da Tenda (TEND3).
Publicado por: Análise BB
6 minutos
Atualizado em
06/03/2026 às 13:36
A Tenda lançou 15 empreendimentos no 4T25, sendo 1 deles através da subsidiária Alea, que atua em um segmento industrial offsite em madeira. Os lançamentos no trimestre consolidaram um valor geral de vendas (VGV) potencial de R$ 1,77 bilhão (+10,6% a/a, +13,6% t/t), a um preço médio de R$ 237 mil, crescimento nominal de 10,6% sobre o mesmo período de 2024. Quanto aos lançamentos no ano de 2025, houve uma redução de 1,8% no volume financeiro (R$ 5,36 bilhões), ainda que o preço médio tenha apresentado evolução de 6% a/a, aos R$ 229,2 mil. A redução do volume lançado na base anual aconteceu após o projeto Casapatio Canoas não obter licenças pendentes e consequentemente atrasar a contabilização. O projeto, que compreende 1.500 unidades para famílias afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul, e que totalizam um VGV de R$ 300 milhões, tem expectativa de ser considerado lançado e vendido ao longo do primeiro semestre de 2026.
Já as vendas líquidas consolidadas alcançaram R$ 1,23 bilhão no trimestre (+24%,5 a/a, -0,6% t/t), levando o acumulado do ano para R$ 4,7 bilhões (+4,8% a/a). Com 89% desse total relativo ao segmento Tenda, esse patamar representa um recorde histórico em um único ano e atinge o guidance estabelecido para 2025. A companhia compartilhou o desempenho parcial dos dois primeiros meses de 2026, com crescimento de 27% nas vendas a/a.
A receita operacional líquida (ROL) alcançou R$ 1,18 bilhão no trimestre (+39% a/a, +4% t/t), acumulando uma ROL de R$ 4,17 bilhões em 2025 (+27% a/a). Assim, o lucro bruto contábil atingiu R$ 354,7 milhões no 4T25 (+54% a/a, +6% t/t) com avanço da margem bruta nas bases de comparação, aos 30% (+2,9 p.p. a/a, +0,5 p.p. t/t). A Tenda também atualizou a margem bruta rasa de novas vendas, estimada em 33,4% no 4T25, ou seja, a margem bruta contábil tende a receber incrementos graduais ao longo dos próximos trimestres. Com relação aos guidances fornecidos anteriormente, a companhia entregou vendas líquidas e margem bruta ajustada do segmento Tenda em regiões centrais das bandas estimadas. No entanto, o segmento Alea acabou exibindo um resultado aquém do esperado inicialmente, mas que já vinha sendo corrigido ao longo do segundo semestre de 2025. A subsidiária enfrentou desafios de custos na escalabilidade de suas operações, e optou por reduzir suas regiões de atuação e estabilizar a atividade para voltar a um maior ritmo de crescimento no futuro próximo.
Já as despesas com vendas, gerais e administrativas chegaram a R$ 167 milhões, com melhor diluição em relação à receita líquida nas bases de comparação, representando 13,2% da ROL no trimestre (-2,4 p.p. a/a, -3 p.p. t/t), e se mantendo em patamar competitivo. O resultado financeiro contábil foi de R$ -48 milhões (+11,2% a/a), impactado por uma despesa de R$ 11,8 milhões envolvendo swaps vigentes da companhia. O endividamento bruto encerrou 2025 em R$ 1,3 bilhão (+26% a/a, +17,5% t/t), com o avanço na comparação trimestral em função da captação de R$ 300 milhões via Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI), com remunerações médias de CDI +1% e IPCA +9% a.a., e vencimentos entre 2030 e 2032, alongando o perfil de dívida da companhia.

Com uma posição de caixa de R$ 1,05 bilhão, a dívida líquida no 4T25 foi de R$ 266 milhões (+32% t/t, +38% a/a), atingindo uma relação dívida líquida sobre patrimônio líquido de 22,1% (+5,9 p.p. t/t, +2 p.p. a/a). Tal crescimento nas bases de comparação também foi impactado por eventos de recompras de ações e distribuição de proventos no trimestre, que somaram R$ 84,4 milhões. No entanto, como parte significativa de seu endividamento consolidado se refere a financiamento de obras pelo SFH, não incluídos nos covenants vigentes, a relação da dívida líquida corporativa sobre o patrimônio líquido ficou em -4,5%, ainda distante dos 15% permitidos pelos covenants. Por fim, a companhia apresentou um lucro líquido de R$ 105 milhões no trimestre, substancialmente acima dos R$ 21,3 milhões entregues no mesmo período do ano anterior, consolidando um lucro líquido de R$ 505,7 milhões em 2025 (+375% a/a).
Desempenho da Ação. As ações TEND3 avançam 99% nos últimos 12 meses, e +11,3% parcialmente em 2026 até ontem (05), acompanhando a substancial recuperação operacional da companhia ao longo dos últimos trimestres, com resiliência no ritmo de lançamentos e vendas e melhora gradual das margens. Os desafios relacionados ao segmento Alea devem seguir em pauta em 2026, com expectativa de estabilização do consumo de caixa e otimização dos custos, e em um cenário positivo, com potencial de atingir o breakeven.
Diante das condições competitivas que vem sendo mantidas pelo programa Minha Casa Minha Vida, em conjunto com a expertise acumulada pela Tenda na operação de programas habitacionais, temos expectativas que a companhia siga em um ritmo operacional semelhante ao longo de 2026. Dessa forma, mantemos a nossa recomendação de Compra, e o preço alvo para R$ 40,00 para final de 2026 para as ações TEND3.

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