A Tenda acelerou o lançamento de empreendimentos no trimestre, tanto em suas operações tradicionais, como através da Alea, alcançando 62 lançamentos ao todo no ano de 2023. A companhia conseguiu reverter a forte utilização de caixa percebida nos dois anos anteriores para uma geração de caixa operacional de R$ 60 milhões no 4T23 e de R$ 100 milhões em 2023. O ano também marcou uma melhora no nível de alavancagem, que saiu de 111,5% sobre o PL em 2022 para 53,4% em 2023, resultado da conclusão do processo de follow-on, possibilitando uma reestruturação de seu passivo e reduzindo as pressões que se fizeram presentes nos exercícios antecedentes.
Dentro das despesas com SG&A, as despesas com vendas avançaram no 4T para R$ 70,9 milhões (+14,2% t/t), mas permaneceram abaixo do observado no acumulado do ano anterior atingindo R$ 239 milhões (-1,5% a/a). Embora a companhia siga registrando prejuízo líquido de R$ 19,6 milhões no 4T23 (-17,6% t/t), acumulando prejuízo de R$ 95,8 milhões no ano, o resultado consolidado foi 82,5% melhor que em 2022, se aproximando do ponto de lucratividade.
Desempenho das ações
As ações da Tenda recuam mais de 26% em 2024 (até ontem, 14), e embora tenham corrigido parte relevante dos ganhos observados no ano de 2023, ainda acumulam alta de quase 80% em 12 meses. Tal movimento de correção também foi observado em outras companhias do setor nesse primeiro trimestre do ano, especialmente aquelas que se encontram em meio a processos de turnaround (como é o caso da Tenda). No entanto, ressaltamos que a Tenda vem demonstrando recuperação constante, passado o momento de maior turbulência no pós pandemia, e a melhora tanto nos resultados operacionais como na situação de equilíbrio da dívida vem trazendo o preço de suas ações para uma patamar mais próximo do que entendemos como razoável.
Perspectivas
Para frente, permanecermos com boas expectativas quanto à evolução de lançamentos e melhor repasse de preços, bem como com relação (i) aos primeiros contratos firmados junto ao programa Pode Entrar de SP, que não imputam em dispêndio com força de vendas; (ii) à proximidade das avaliações finais para início da utilização do FGTS futuro para a faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, que deve trazer bastante affordability (acessibilidade) para essa parcela da população, que é o principal foco da companhia; e (iii) à finalização da tramitação do Regime Especial de Tributação (RET1), que equivale a uma alíquota especial de 4 tributos federais e que passa a impactar positivamente empreendimentos do Faixa 1 do programa.
Por fim, a companhia encerrou 2023 com um prejuízo líquido, mas expressivamente melhor que o registrado no ano anterior, representando uma margem líquida de -3,3% (+19,4 p.p a/a), se aproximando do patamar de lucratividade de seus resultados e que, somado a um cenário de custos mais estáveis, dá força para considerarmos uma perspectiva positiva para os próximos exercícios.
Por ora, permanecemos nossa recomendação de Compra com preço-alvo em R$ 17,00 para o final de 2024.
Destaques Operacionais e Financeiros
A Tenda lançou 21 novos empreendimentos no trimestre, totalizando R$ 1,149 bilhão (+30,5% t/t e +52,4% a/a), fruto da evolução nos lançamentos tanto de sua vertente principal de incorporação, bem como pela Alea, sua linha de construção pré-fabricada em madeira, localizada em condomínios fechados. No consolidado, o preço médio por unidade avançou para R$ 208,8 mil (+6,8% t/t e +4,7% a/a), embora no acumulado do ano de 2023 tenha ficado em R$ 201,8 mil (+3% a/a).
Já nas vendas, o destaque positivo ficou a cargo da melhoria do nível de distratos para 13% das vendas brutas (-0,6 p.p. t/t e -0,9 p.p. a/a), enquanto o preço médio em R$ 206 mil (-0,1% t/t e +9,0% a/a) e as 4,7 mil unidades negociadas (-9,3% t/t e +15,3% a/a) mostraram um trimestre mais lento que o anterior. Assim, as vendas líquidas atingiram R$ 842,4 milhões no 4T23 (-8,8% t/t e +25% a/a).
Movimento semelhante foi registrado na Velocidade de Vendas. Na comparação mensal, houve um recuo na VSO Líquida para 26,1% (-4,1 p.p t/t e +0,5 p.p. a/a). Ainda assim, o ano de 2023 encerrou com uma evolução nesse quesito, atingindo 56,8% (+2,1 p.p. a/a).
Pelo segundo trimestre consecutivo, a Tenda não reportou desvios de custos, e apresentou R$ 755 milhões de Receita Líquida (-4% t/t e +19,6% a/a), com Lucro Bruto de R$ 168 milhões (-1,7% t/t e +143,9% a/a), refletindo em uma Margem Bruta de 22,2% (+0,5 p.p. t/t e +11,3 p.p. a/a) no 4T23.
As despesas com pessoal (SG&A) foram de R$ 111 milhões (-5,8% t/t e +3,2% a/a), mas houve impacto positivo de reversão de R$ 12 milhões da rubrica de despesa com plano de opções de ações. Olhando apenas para as despesas com vendas, essas atingiram R$ 70,9 milhões, (+14,2% t/t e +22,1% a/a), evolução considerável no último trimestre, mas ao menos permanecendo dentro de um nível equilibrado no ano, aos R$ 241,3 milhões (-1,5% a.a). Assim, o EBITDA ficou em R$ 45,6 milhões no 4T23, acima dos R$ 25,6 milhões do trimestre passado e consideravelmente acima do apresentado no mesmo período de 2022 (R$ -62 milhões), contribuindo com nossa expectativa de retomada da rentabilidade nos próximos trimestres.
A Tenda finalizou o 4T23 com Resultado Financeiro negativo em R$ 33,5 milhões, melhora na visão anual, mas piora na comparação trimestral (+19,9% t/t e -47% a/a), justificada, principalmente, por acordo de renegociação de parcelamento de impostos que compõe de outras despesas financeiras. Dessa forma, a Tenda seguiu mais um trimestre no campo negativo, com prejuízo Líquido de R$ 19,6 milhões, embora represente uma melhora significativa nas bases de comparação (-17,3% t/t e -87,4% t/t) e Margem Líquida negativa de 2,6% (-0,4 p.p. t/t e -22 p.p. a/a).
No consolidado anual, conforme esperado em razão da melhora operacional, das substituições de dívidas mais onerosas e do follow-on, o indicador Dívida Líquida por Patrimônio Líquido recuou para 53,4% (vs. 111,5% em 2023) o que, na nossa opinião, é positivo, mas deve permanecer em acompanhamento à medida que a companhia retorne a patamares de equilíbrio operacional.
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