Setorial Indústria - Setembro 2026
BB-BI analisa o panorama setorial das indústrias no Brasil.
Publicado por: Análise BB
3 minutos
Atualizado em
11/09/2026 às 11:49
Dados de julho divulgados pelo IBGE revelam recuperação marginal da indústria brasileira no mês, porém acompanhada de um conjunto de dados ainda negativo, com baixa confiança do empresário industrial e com queda da utilização da capacidade instalada, segundo a CNI. Em nossa avaliação, o desempenho aponta mais na direção de uma estabilização após alguns meses negativos do que para uma retomada.
Com relação à produção, a indústria avançou 0,2% m/m, após quedas em maio e junho, mas permaneceu -0,5% a/a. No acumulado do ano, o crescimento foi de 1,1% e, nos últimos 12 meses, de 0,6%. Três das quatro grandes categorias econômicas cresceram, sendo elas bens de consumo duráveis, bens de capital e bens semiduráveis e não duráveis. Entretanto, bens intermediários, que representa a maior parcela da estrutura industrial, recuou, limitando uma leitura mais positiva. Dentre as atividades, observamos heterogeneidade, com destaque positivo para eletrônicos e ópticos, vestuário e elétricos e, pelo lado negativo, papel e celulose, químicos, farmacêuticos e metalurgia.
Os indicadores operacionais da CNI reforçaram a dinâmica de estabilização, porém confirmando o ambiente de pouco dinamismo na visão agregada. O faturamento real, junto aos indicadores de mercado de trabalho, como horas trabalhadas e emprego, subiram marginalmente no mês, mas seguem em patamar negativo no acumulado do ano. Além disso, a utilização da capacidade instalada recuou para 76,8%, menor patamar dos últimos anos. A combinação de faturamento acumulado em queda, menor utilização dos ativos e mercado de trabalho praticamente estável sugere um ambiente de maior pressão sobre margens, principalmente para empresas de custos fixos elevados.
Embora os dados de produção tenham relevado algum avanço, o índice de confiança do empresário industrial (ICEI¹) permaneceu abaixo da linha dos 50 pontos pelo 20° mês consecutivo, indicando falta de confiança. Além disso, as expectativas capturadas pela sondagem CNI mostraram intensificação da tendência de queda. Todos os indicadores (demanda, exportação, compras, empregados e investimento) mostraram piora de sentimento, o que eleva nossa percepção de risco para o setor, já que tal sentimento pode limitar decisões de investimento, contratação e expansão de capacidade à frente.
Em contrapartida, observamos a indústria automotiva com forte crescimento em veículos leves, tanto em volume de produção quanto em volume de vendas, embora veículos pesados ainda mostrem pouco dinamismo. Ainda assim, a qualidade do crescimento pode não ser totalmente favorável para a cadeia local, em nossa opinião, já que, segundo a Anfavea, aproximadamente dois terços do aumento da produção acumulada no ano vieram de veículos montados em CKD e SKD², modalidades nas quais a maior parte do conteúdo é importada. Portanto, o crescimento pode beneficiar alguns agentes, como montadoras e fornecedores, mas com efeito reduzido sobre autopeças, emprego e conteúdo industrial doméstico, dado o avanço dos importados, especialmente chineses.
Em nossa opinião, os dados mostram estabilização, mas ainda não configuram um ponto de inflexão. O ambiente atual parece mais favorável a companhias com exposição a mercados externos, receitas em moedas diversificadas, com menor alavancagem e boa geração de caixa. Empresas mais dependentes do mercado doméstico, com estrutura de custos fixos elevada e maior exposição à concorrência de produtos importados permanecem com um cenário desafiador.
Fonte: Abimaq, IBGE, MDIC, UFMG, CNI, IPEA, Bacen e BB-BI. ¹Índice de Confiança do Empresário Industrial.
²Regimes de produção onde parte do conteúdo montado localmente é importado.
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