Suzano (SUZB3) 4T25: BB-BI analisa resultado e mantém recomendação e preço-alvo
No 4T25, a Suzano apresentou um resultado operacional positivo, em nossa opinião, com números ligeiramente acima de nossas estimativas
Publicado por: Análise BB
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Atualizado em
11/02/2026 às 14:53
No 4T25, a Suzano apresentou um resultado operacional positivo, em nossa opinião, com números ligeiramente acima de nossas estimativas, sustentado principalmente pelo volume recorde de vendas e pela continuidade da redução no custo de celulose; entretanto, a linha financeira voltou a impactar negativamente, o que levou a um tímido lucro líquido.
No segmento de celulose, após a forte deterioração em meados de 2025 em razão das incertezas trazidas pela política tarifária dos Estados Unidos, os preços da commodity tiveram uma ligeira recuperação, assim como o cenário de demanda em geral, em especial na China, e em meio a uma oferta global pressionada por paradas programadas para manutenção e cortes de produção. Na comparação anual, houve incremento de 8% no volume de vendas, mas o preço médio em US$ reduziu 8%, assim como a taxa de câmbio, o que resultou em uma receita líquida 12% menor a/a. Por outro lado, o custo caixa de produção de celulose manteve a tendência de queda vista ao longo de 2025, conforme expectativa da empresa. A combinação de todos esses fatores levou a uma queda de 16% a/a no EBITDA ajustado, que foi de R$ 4,8 bilhões, e de 2,0 p.p. a/a na margem EBITDA ajustada do segmento, que ficou em 49%.
Já no segmento de papel, o volume de vendas cresceu 10,2% a/a impulsionado principalmente pelas vendas no mercado internacional, que avançaram 29% a/a, ainda refletindo o volume de papelcartão advindo da Suzano Packaging US (cuja consolidação ocorreu em meados do 4T24), além do crescimento das exportações, enquanto no mercado interno as vendas ficaram praticamente estáveis na comparação anual. Já o preço médio teve ligeira queda de 1% a/a, mas vale pontuar o aumento de 12% a/a nos preços médios da Suzano Packaging US, em linha com a estratégia de recuperação da margem desta operação anunciada na aquisição e que, segundo a companhia, os aprendizados obtidos serão valiosos para a operação da JV com a Kimberly Clark, cuja conclusão está prevista para este ano. Os custos foram pressionados pela realização de paradas programadas para manutenção e pela valorização do US$, mas como houve redução de despesas e crescimento da receita líquida, o EBITDA ajustado do segmento avançou 4% a/a, com manutenção da margem em 24%.
No consolidado, a companhia registrou EBITDA ajustado de R$ 5,6 bilhões (-14% a/a e 2,3% acima de nossa estimativa), que representa uma margem de 42,6% (- 3,1 p.p. a/a). Na linha financeira, a companhia reportou um resultado negativo de R$ 3,4 bilhões, refletindo principalmente a variação cambial sobre a dívida em moeda estrangeira no 4T25 (efeito não caixa). Assim, na última linha, a empresa reportou lucro líquido de R$ 116 milhões (ante prejuízo de R$ 6,7 bilhões no 4T24).

Dívida líquida manteve-se estável e alavancagem financeira em US$ teve mínima redução, mas indicadores permaneceram elevados
A dívida bruta teve novo avanço e encerrou o ano em R$ 94,8 bilhões (+R$ 1,8 bilhão, equivalente a +2,0% em relação ao 3T25), refletindo a valorização do US$ no último trimestre do ano. Já o caixa avançou para R$ 25,4 bilhões (ante R$ 23,9 bilhões no 3T25), de modo que a dívida líquida se mantivesse praticamente estável, em R$ 69,4 bilhões.
A alavancagem financeira medida pelo indicador dívida líquida/EBITDA em US$ ficou em 3,2x (ante 3,3x no 3T25), permanecendo abaixo do limite estabelecido na política de endividamento da empresa (3,5x), mas ainda merecendo atenção.
Vale mencionar que, mesmo diante dos elevados desembolsos para investimentos, o fluxo de caixa livre seguiu positivo em R$ 3,4 bilhões. Além disso, dada a conclusão dos maiores projetos de investimento, o patamar de capex deverá reduzir neste ano: segundo as estimativas da companhia haverá um desembolso de R$ 10,9 bilhões (-18% em relação a 2025), o que, ao nosso ver, poderá reforçar a geração de caixa e, consequentemente, contribuir para a desalavancagem. Em teleconferência para apresentação dos resultados realizada nesta manhã (11), a companhia afastou a possibilidade de desinvestimentos para acelerar esse movimento, e reiterou que o plano é que a própria operação suporte o processo.
Recompra de ações
Junto com o resultado, a Suzano anunciou a conclusão do programa de recompras de ações anterior, em que recomprou 14,8 milhões de ações (~37% da quantidade limite), e a abertura de um novo programa que prevê a aquisição de até 40 milhões de ações (6,5% do total) em até 18 meses. No entanto, a companhia ressaltou que os movimentos serão oportunísticos, levando em consideração diversas variáveis, tanto de mercado, como relacionadas ao balanço da própria empresa.
Ações SUZB3 seguem com baixa performance em 2026
Após acumularem queda de 15% em 2025, as ações da Suzano permanecem afastadas do movimento positivo pelo qual a bolsa brasileira segue vislumbrando desde o 2S25, e acumulam ligeira queda de 0,6% em 2026 até o fechamento de ontem (10), na contramão do Ibovespa (+15,4% no período). Entendemos que esse desempenho continua refletindo a expectativa de resultados mais fracos para as empresas do setor diante do enfraquecimento do dólar, que retrai ~5,3% desde o início do ano, além dos preços de celulose ainda pressionados. Esses fatores, mais uma vez, impactaram negativamente os resultados da Suzano no 4T25, mas o reporte de números acima do consenso levou a uma reação positiva do mercado após a divulgação, com os papéis saltando mais de 5% na abertura do pregão de hoje (11).
A perspectiva segue levemente positiva para o setor, diante (i) da melhora da demanda de celulose na China, embora de maneira ainda lenta, (ii) dos estoques globais em nível mais baixos em razão de uma oferta sazonalmente mais pressionada, e (iii) dos elevados custos globais de produção, principalmente na China, em razão dos maiores custos de madeira – fatores que podem suportar a continuidade na recuperação dos preços da commodity. Vale pontuar que, junto com a divulgação do resultado, a Suzano anunciou que manterá, ao longo de 2026, um volume de produção de celulose 3,5% abaixo de sua capacidade nominal – tal como anunciado em agosto/25 sobre a produção esperada para o ano de 2025 –, após concluir que o volume marginal não proporcionaria retorno adequado para a companhia, o que sinaliza a expectativa de um mercado menos aquecido, mas que entendemos como positivo, dado o potencial impacto positivo na oferta global e na rentabilidade da companhia. Continuam contando a favor da empresa a sua elevada competitividade e a perspectiva de espaço para maiores reduções de custos, que devem contribuir para compensar, ao menos parcialmente, o efeito de preços e câmbio em patamares mais baixos, conforme temos visto nos últimos resultados.
Por fim, diante da forte desvalorização das ações, a companhia segue negociada a um EV/EBITDA com desconto de 18% em relação à média histórica, que, em conjunto com os demais pontos comentados anteriormente, nos leva a manter a recomendação de Compra e o preço-alvo de R$ 70,00 para SUZB3.


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