Santander Brasil (SANB11) 1T26: estável, com gatilhos para maior lucratividade pouco claros
O banco apresentou no 1T26 um resultado visto como resiliente, porém limitado em termos de evolução estrutural de rentabilidade.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
29/04/2026 às 16:13
O Santander apresentou no 1T26 um resultado que consideramos resiliente, com lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões (-7,3% t/t e -1,9% a/a), equivalente a um ROAE de 16,0% (queda de -1,6 p.p. t/t e -1,5 p.p. a/a). O trimestre foi apoiado por margem com clientes e comissões sólidas, com um spread ligeiramente maior ajudando um crescimento de carteira mais contido, além de despesas controladas no comparativo anual, o que levou o banco a um resultado predominantemente estável nas óticas margem financeira e custos, enquanto a maior alíquota de IR penalizou a última linha.
Momento
Embora pouco inspirador, o momento não é particularmente crítico, em nossa opinião. Salientamos três pontos importantes do resultado para o entendimento da dinâmica: o primeiro é que o 1T é sazonalmente mais fraco para bancos e isso apareceu destacadamente no recuo de receitas de juros e de serviços, não representando de fato um ponto de alerta; em segundo lugar, quando olhamos para a ótica de qualidade do resultado, é evidente que as principais alavancas, como margem financeira, crescimento de carteira, custo do crédito e despesas não decepcionam, mas tampouco evoluem. O terceiro ponto - e aí sim algo a se acompanhar de perto - é a deterioração disseminada da qualidade do crédito, com a inadimplência crescendo em todas as modalidades, mas de forma mais pronunciada nas PF e PMEs, segmentos mais suscetíveis e que corroboram a leitura setorial de uma demografia pressionada pelo elevado endividamento.
Perspectivas
Seguimos vendo um Santander com vetores positivos de médio prazo focado em eficiência (especialmente tecnologia e redução da estrutura física – este último ponto já visível nas linhas de custos), foco em segmentos rentáveis e disciplina de preço, mas o ritmo de monetização ainda parece aquém do necessário para um ciclo mais claro de expansão da rentabilidade. Além disso, a piora da qualidade do crédito no começo de 2026 reforça que a normalização do risco não é linear, o que tende a nos manter extra cautelosos para com os próximos trimestres.

Desempenho das ações
As units do Santander (SANB11) acompanhavam de perto o Ibovespa pela maior parte dos últimos 12 meses, basicamente até fevereiro, quando por conta de uma leitura em que predominou uma perda de ímpeto operacional, o ativo se descolou e passou a operar significativamente abaixo do benchmark. Foi justamente em 4 de fevereiro que rebaixamos nossa recomendação de Compra para Neutra. Desde então o ativo se desvaloriza aproximadamente 15%.

Preço-alvo e recomendação
Sem alterações no valuation mantemos nosso preço‑alvo para R$ 34,30 para o final de 2026, bem como a recomendação Neutra. Entendemos que a mudança realizada no 4T25 foi adequada ao capturar a perda de momentum operacional e a redução de assimetria naquele momento. Mantemos, portanto, uma postura cautelosa, reconhecendo a entrega operacional estável (custos/fees/margem com clientes), mas aguardando evidências mais claras de gatilhos de rentabilidade e de estabilização mais disseminada da qualidade de crédito.
Destaques selecionados
Destaques positivos: (i) Margem com clientes em expansão, totalizando R$ 16,6 bilhões, +4,8% a/a, apoiada por volume e mix, mesmo com carteira crescendo aquém do mercado e com efeitos de calendário no trimestre; (ii) Receitas de Serviços em trajetória sólida: total de R$ 5,4 bilhões, +5,8% a/a, com destaques para cartões (+9,8% a/a), seguros (+12,2% a/a) e boa dinâmica em administração de recursos; (iii) Custo de crédito comportado, com 3,73% no 1T26, estável e no menor nível da sequência recente, refletindo mix mais conservador e crescimento moderado da carteira; (iv) Despesas bem controladas: despesas gerais de R$ 6,6 bilhões, +0,9% a/a e estáveis t/t, mantendo o índice de eficiência em patamar saudável.
Destaques negativos: (i) ROAE em queda para 16,0%, reforçando a percepção de que a rentabilidade está estagnada/ligeiramente cadente e sem gatilhos óbvios no curto prazo; (ii) Qualidade de crédito como principal sinal de alerta: inadimplência de 15–90 dias em 3,4% (alta de +0,1 p.p. t/t), inadimplência >90 dias em 3,3% (alta de +0,2 p.p. t/t e +0,6 p.p. a/a) e percentual da carteira em estágio 3 em novo incremento (7,8% no 1T26 de 7,5% no 4T25 e 6,4% no 1T25); (iii) Margem com mercado ainda pressionada, apesar de melhora: -R$ 771 milhões (vs. -R$ 1.486 milhões no 4T25) favorecida pelo menor número de dias úteis.
Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.


