PicPay (PICS - Nasdaq) 2T26: operação acelera, mas qualidade de crédito segue sem mostrar estabilização
Expansão generalizada no trimestre não afasta sinal amarelo com qualidade do crédito.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
25/08/2026 às 13:56
O PicPay encerrou o 2T26 com lucro líquido ajustado de R$ 283 milhões, alta de 67% t/t e 135% a/a, equivalente a um ROAE anualizado de 20,2%, refletindo mais um trimestre de forte expansão operacional e ganhos relevantes de rentabilidade. O resultado foi impulsionado por crescimento robusto das receitas, avanço da monetização por cliente, melhora da eficiência operacional e expansão da margem financeira, compensando parcialmente o aumento sequencial dos indicadores de inadimplência.
Momento
Em nossa visão, o PicPay continua atravessando um momento de forte tração operacional. A receita total e financeira atingiu R$ 4,1 bilhões, alta de 17% t/t e 67% a/a, enquanto o ARPAC alcançou R$ 92, crescimento de 14% t/t e 52% a/a. O custo de servir avançou de forma mais moderada para R$ 21,3 por cliente ativo, permitindo que a razão ARPAC/CTS aumentasse para 4,3x, o melhor patamar desde o início de nossa cobertura.
Na frente de crédito, a carteira total alcançou R$ 31,9 bilhões, alta de 14% t/t e 99% a/a, continuando a ser impulsionada principalmente pelo consignado privado, que atingiu R$ 7,2 bilhões e permaneceu como o principal vetor de crescimento da carteira, com a companhia promovendo uma migração gradual para produtos garantidos ou parcialmente garantidos, que já representam 55% dos saldos totais, contribuindo para sustentar a rentabilidade da operação mesmo em um contexto de expansão acelerada do crédito. Nesse sentido, consideramos positiva a melhora da NIM para 19,4%, bem como a praticamente estável NIM ajustada ao custo de crédito em 12,1%.
Ainda assim, a leitura da qualidade do crédito permanece ambígua. Por um lado, alguns indicadores antecedentes mostraram evolução favorável: A inadimplência entre 15 e 90 dias recuou para 7,5%, ante 8,4% no trimestre anterior, enquanto a formação de Estágio 3 diminuiu para 3,6%, sugerindo algum alívio potencial para os próximos períodos. Por outro lado, o NPL acima de 90 dias avançou significativamente para 9,8%, frente a 8,9% no 1T26, enquanto a participação do Estágio 3 aumentou para 12,9%. Em nossa leitura, tais números não sugerem perda de controle do risco ou deterioração abrupta da carteira, especialmente considerando que o custo de risco permaneceu em 3,9% e que o Loss Absorption Ratio encerrou o trimestre em 56,5%, ainda dentro da faixa de conforto definida pela própria companhia. Entretanto, permanece evidente que a qualidade do crédito ainda não encontrou um ponto claro de estabilização. Também entendemos ser importante destacar o papel do programa Desenrola na dinâmica observada no trimestre, com a própria companhia reconhecendo os impactos favoráveis sobre a formação de Estágio 3, provisões e qualidade geral da carteira, sem o qual a deterioração nos indicadores de inadimplência teria sido ainda mais notável.


Perspectivas, preço-alvo e recomendação
Em nossa interpretação, os vetores positivos continuam se acumulando: expansão da receita, crescimento da carteira, maior monetização da base, melhora da eficiência operacional e recuperação da rentabilidade sugerem uma companhia que vem executando até mesmo acima do que imaginávamos no início da cobertura. A evolução do ARPAC, o fortalecimento da receita não relacionada a crédito (que deverá ser majorada com a aquisição da Kovr, finalizada em agosto) e a recorrente melhora do índice de eficiência reforçam a percepção de que o crescimento da instituição vem sendo sustentado por múltiplas avenidas de expansão. Por outro lado, seguimos entendendo que o principal ponto de atenção da tese permanece concentrado na qualidade da carteira. Embora a deterioração observada até aqui pareça compatível com a estratégia deliberada de crescimento em produtos mais rentáveis e mais arriscados, permanece incerto onde se encontra o ponto de estabilização desse processo.
Em nossa visão, esse risco continua sendo parcialmente mitigado por um mercado de trabalho aquecido, renda relativamente resiliente e mecanismos governamentais de renegociação. Contudo, à medida que o ambiente monetário restritivo persista e o elevado endividamento das famílias continue pressionando a capacidade de pagamento dos consumidores, o risco de deterioração adicional da carteira se torna relevante. Não enxergamos sinais de criticidade no momento, mas seguimos entendendo que os próximos trimestres serão fundamentais para determinar se a inadimplência se aproxima de um teto ou se continuará avançando.
Apesar de permanecermos cautelosos quanto à evolução da qualidade do crédito, entendemos que os avanços operacionais e de rentabilidade observados no trimestre possuem peso maior neste momento. Dessa forma, mantemos nossa recomendação de Compra para as ações do PicPay, ainda qualificada como Alto Risco dada a sensibilidade do valuation, e atualizamos nosso preço-alvo para US$ 20,50, agora com data-base em 2027, refletindo principalmente a continuidade da expansão operacional e a maior geração de resultados observada ao longo dos últimos trimestres.
Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.


