PicPay (PICS - Nasdaq) 1T26: crescimento robusto, mas qualidade segue pressionada
Lucro líquido e expansão generalizada no trimestre não afastam cautela com qualidade do crédito.
Publicado por: Análise BB

Lucro líquido e expansão generalizada no trimestre não afastam cautela com qualidade do crédito.
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
03/06/2026 às 17:33
O PicPay encerrou o 1T26 com lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões (-10% t/t e +92% a/a), equivalente a um ROE de 15,5%, um recuo diante dos 22% no 1T25 dada a elevação do patrimônio líquido decorrente dos recursos do IPO ocorrido no período. O resultado veio favorecido por uma expansão generalizada das receitas e da carteira de crédito, mas compensado parcialmente por despesas com provisões mais pronunciadas, além de despesas também crescentes dado o momento operacional de plena expansão da companhia.
Momento
Em nossa leitura, o PicPay segue mostrando forte tração operacional, com expansão relevante da receita, continuidade do crescimento da base ativa e avanço consistente da monetização por cliente. No 1T26, os clientes ativos atingiram 44,3 milhões, alta de 10% a/a, enquanto a receita por cliente ativo (ARPAC) trimestral alcançou R$ 80,7, crescimento de 14% t/t. O custo de servir (CTS) ficou estável em R$ 20,3 e a razão ARPAC/CTS subiu a 4x, o que consideramos positivo. Esse conjunto reforça que a companhia continua ganhando escala e monetizando a base, em uma dinâmica operacional que segue claramente favorável. Ao mesmo tempo, entendemos que a trajetória do crédito ainda inspira cautela: A carteira total alcançou R$ 28,0 bilhões, alta de 116% a/a e 17% t/t, com maior participação de produtos com garantias, que passaram a representar 54% do saldo total. Ainda assim, embora a companhia destaque um mix mais resiliente, nossa leitura é de que os índices continuam mostrando pressão relevante na qualidade: tanto as despesas com provisões quanto as despesas de funding cresceram acima da própria receita de crédito, enquanto a inadimplência acima de 90 dias seguiu avançando, assim como como o percentual de Estágio 3 da carteira segundo a resolução 4966. Em verdade, o custo do crédito enquanto percentual da carteira se manteve estável, mas a margem financeira na mesma ótica, se retraiu, evidenciando margem líquida (NIM) significativamente menor.
Perspectivas
Nossa leitura é de que o 1T26 não altera a tese estrutural de crescimento do PicPay, mas mantém a necessidade de monitoramento rigoroso da qualidade da carteira. De um lado, os vetores que sustentam a história continuam presentes: expansão da base, maior monetização, crescimento expressivo das receitas de crédito e não crédito, e melhora de eficiência operacional. Por outro lado, continuamos entendendo que a frente de crédito, que ocupa papel central na leitura prospectiva, deve continuar se mostrando desafiadora, especialmente em um contexto macro em que a capacidade de pagamento das famílias segue pressionada e o mercado de crédito permanece seletivo. Assim, seguimos vendo espaço para crescimento e expansão do lucro, mas ainda cautela elevada quanto à qualidade deste.

Desempenho das ações
Enxergamos que como companhia recém-listada, o PicPay tende a continuar exibindo elevada sensibilidade à leitura do mercado sobre a qualidade dos resultados, especialmente no que diz respeito à sustentabilidade do crescimento da carteira, ao comportamento da inadimplência e à evolução do custo do crédito. O avanço operacional observado no 1T26 ajuda a sustentar a tese de médio e longo prazo. Ainda assim, entendemos que uma eventual recuperação da cotação seguirá condicionada à capacidade de a companhia demonstrar que o crescimento vem sendo acompanhado por melhor qualidade de crédito e maior previsibilidade da rentabilidade, o que no momento vem perdendo clareza.

Preço-alvo e recomendação
Apesar de reconhecermos a continuidade do bom momento operacional do PicPay, com receitas e lucros ainda em expansão, entendemos que o 1T26 tornou a relação risco/retorno da tese incrementalmente mais delicada. Os indicadores de crédito seguem mostrando alguma deterioração, com avanço da inadimplência, maior participação do Estágio 3 e provisões ainda crescendo em ritmo elevado, o que reduz a visibilidade sobre a qualidade do crescimento e reforça a volatilidade inerente a um modelo de negócios ainda em maturação. Por esse motivo, mantemos nossa recomendação de Compra, mas passamos a qualificá-la como Compra – Alto Risco, e revisamos nosso valuation, ajustando o preço-alvo para US$ 18,50, ante US$ 20,40 anteriormente, refletindo basicamente uma NIM menor. Em nossa visão, a tese segue atrativa do ponto de vista direcional, mas passa a exigir maior cautela na calibragem do risco, especialmente até que haja sinais mais consistentes de estabilização da qualidade do crédito.
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.
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