Multiplan (MULT3) 3T25: números operacionais seguem em destaque, embora despesas financeiras limitem resultados
Equipe do BB Investimentos analisa o resultado do 3T25 de Multiplan
Publicado por: Análise BB

Equipe do BB Investimentos analisa o resultado do 3T25 de Multiplan
Publicado por: Análise BB
Atualizado em
31/10/2025 às 15:25
O portfólio de shoppings da Multiplan apresentou crescimento de 6,9% a/a em suas vendas totais no 3T25, atingindo R$ 6,05 bilhões, avanço ainda maior quando consideramos o acumulado dos 9 primeiros meses do ano (+9,3% a/a). Tal performance das vendas fica ainda mais evidente considerando o incremento de 4,8% do indicador vendas mesmas lojas (SSS) inferior ao crescimento de vendas totais no período, indicando que a gestão tem integrado novas lojas ao mix com performance superior à do portfólio. A taxa de ocupação, que já vinha em patamares elevados, voltou a apresentar incremento, aos 96,3% (+0,1 p.p. a/a, +0,2 p.p. t/t). A inadimplência líquida recuou e atingiu o menor nível da história da história, aos -1,9%, sinalizando recuperação líquida de valores em atraso no período. Já o aluguel das mesmas lojas (SSR) mostrou crescimento de 9,3%, avanço real de 3% além do comportamento do IGP-DI no período. O custo de ocupação trouxe leve alta nas bases de comparação, aos 13,1% no 3T25 (+0,3 p.p. a/a, +0,5 p.p. t/t), mas permanece bastante competitivo.
A receita líquida atingiu R$ 617,6 milhões (+13,3% a/a, -11% t/t), com recuo trimestral influenciado por base forte de comparação, dado o menor reconhecimento de receitas de vendas do empreendimento Golden Lake desenvolvimento residencial localizado em Porto Alegre (RS). Ainda assim, considerando apenas receitas de locação de lojas, estacionamento e serviços, houve leve incremento até mesmo na comparação trimestral (+0,7% t/t, +8% a/a). As despesas gerais e administrativas cresceram 1,3% a.a, representando 7,6% da receita líquida do período, uma melhor percepção de diluição na base anual (-1,1p.p. a/a, +0,2 p.p. t/t). Assim, o EBITDA alcançou R$ 435,6 milhões (+8,6% a/a, -5,3% t/t), e mesmo retraindo em termos absolutos na base trimestral, apresentou resiliência na margem EBITDA aos 70,5% (+4,2 p.p. t/t, -3,1 p.p. a/a). Vale comentar que o cenário de juros domésticos pressionados pesou nos resultados da companhia, com as despesas financeiras somando R$ 200 milhões no trimestre (+19% t/t, +135% a/a), e acabaram se mostrando as principais detratoras do período. Assim, o lucro líquido somou R$ 221 milhões no 3T25 (-21% a/a, -16% a.a), acompanhado de redução na margem líquida para 35,8% (-15,5 p.p. a/a, -2,3 p.p. t/t).
A companha se movimentou em relação ao endividamento, através de uma emissão de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) de R$ 500 milhões, a um custo de 98% CDI a.a. e prazo de 10 anos, utilizando parte dos recursos para amortização antecipada de dívida com remuneração de CDI + 1,75% a.a. e vencimento em 2027. Ainda que a dívida líquida da Multiplan tenha encerrado o trimestre em R$ 4,4 bilhões (+1% t/t), como uma pequena diluição na relação Dív. Líquida/EBITDA para 2,26x (2,27x no 2T25), vemos com bons olhos os movimentos de alongamento do perfil da dívida e adequação dos custos aos patamares atuais. No entanto, enquanto os juros domésticos permanecerem em níveis elevados, o resultado financeiro da Multiplan tende a seguir correndo parte significativa dos bons números operacionais apresentados ao longo dos últimos trimestres, já que a sua desalavancagem deve ser gradual e de acordo com a geração de caixa orgânica da companhia. Ainda nessa linha, não vemos, ao menos nesse momento, desafios adicionais relacionados aos pagamentos de curto prazo, já que o FFO registrado nos últimos 12 meses é suficiente para arcar sozinho com os compromissos financeiros até praticamente o final de 2028, não gerando complicações para a rolagem dessa dívida.

As ações MULT3 sobem 38,5% em 2025 até ontem (30), superando com folga a performance de +23,7% do Ibovespa no período. Tal movimento é amparado pelo desempenho operacional de destaque do portfólio de shoppings da Multiplan, que vem mantendo elevado nível de ocupação, baixa inadimplência, crescimento consistente das vendas e geração de receitas. Ao mesmo tempo, o nível de endividando tem limitado parcialmente o real reflexo dessa performance nos resultados líquidos da companhia, que tendem a permanecerem assim até que o ciclo de aperto monetário doméstico deixe de vigorar. Vale lembrar que o seu recente incremento no nível de endividamento se deu de uma maneira oportunística, consumindo caixa para adquirir uma participação acionária na própria Multiplan, detida até então por um fundo institucional, em transação que entendemos como bastante positiva sob o ponto de vista de governança e geração de valor ao acionista. Embora a companhia tenha realizado movimentos interessantes de estrutura de dívida, alongando o prazo e reduzindo o custo relativo, esse processo de desalavancagem gradual tende a permanecer no radar dos investidores ao longo dos próximos trimestres.
Tudo considerado, reiteramos a nossa recomendação de Compra e preço alvo de R$ 35,00 para final de 2026 para MULT3.

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