Lucro da Movida (MOVI3) cresce mais de 100% mas ações caem na bolsa. Entenda por que com a análise do BB-BI
A Movida apresentou um forte resultado. Porém, expectativas para o próximo trimestre deixam pouca margem de alta em relação ao consenso de mercado.
Publicado por: Análise BB
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Atualizado em
11/08/2026 às 16:05
A Movida apresentou um resultado do 2T26 positivo, em nossa opinião, com destaque especial para o segmento RAC¹. O segmento apresentou crescimento significativo do volume de diárias, beneficiado pela combinação de uma maior frota com uma maior taxa de ocupação, juntamente com um crescimento de tarifa acima da média de mercado, o que contribuiu para o crescimento de 30% a/a da receita líquida do segmento, com manutenção de margens. Além disso, o segmento GTF² também demonstrou bons resultados, com o yield³ médio dos novos contratos acima da média atual da carteira, contribuindo para a expansão da rentabilidade. Por fim, a vertical de Seminovos também favoreceu o bom desempenho do trimestre, com o preço médio do carro vendido em linha com as estimativas de valor residual da companhia, o que contribuiu para a manutenção das taxas de depreciação, embora o menor volume de vendas tenha conduzido à retração da receita. No consolidado, a Movida entregou o 2T26 com um lucro líquido de R$ 136 milhões (+101% a/a), ROIC⁴ recorde de 16,7% (+4,0 p.p. a/a) e alavancagem controlada de 2,7x dívida líquida / EBITDA (-0,3x a/a).
No RAC, a Movida apresentou um crescimento da tarifa média de 7% a/a, combinado à expansão de 20% da frota e à taxa de ocupação de 76% (+2,1 p.p. a/a), o que levou a um avanço de 30% a/a da receita líquida e de 31% a/a do EBITDA, com ganho de 0,2 p.p. a/a da margem. Já no GTF, o desempenho também foi positivo, com crescimento de 16% a/a da receita líquida e de 18% a/a do EBITDA. Mas o foco maior foi na rentabilidade, com ganho de 1,8 p.p. a/a da margem EBITDA e com a adição de novos contratos com yield de 3,7% a.m. (acima dos 3,2% a.m. de média da carteira), o que tende a contribuir para a qualidade dos resultados do segmento no futuro. Por fim, em Seminovos, a Movida vendeu ~19 mil carros (aprox. 5 mil a menos do que no 2T25), com preço médio de venda 10% maior e idade média dos carros vendidos em linha com o 2T25, o que levou a uma receita de R$ 1,5 bilhão (-18% a/a devido ao menor volume).
No consolidado, a Movida encerrou o trimestre com receita líquida de R$ 3,8 bilhões (+2,4% a/a), EBITDA de R$ 1,7 bilhão (+22% a/a) com ganho de 7,3 p.p. a/a de margem e lucro líquido de R$ 136 milhões (+101% a/a). Adicionalmente, para o 3T26, a companhia divulgou um guidance de R$ 130-150 milhões de lucro líquido, em linha com o consenso de mercado, porém, abaixo de nossas estimativas. Permanecemos otimistas em relação à Movida para o longo prazo, sem perder de vista, entretanto, os riscos associados à tese, em especial, os efeitos da entrada significativa dos veículos chineses no Brasil e o comportamento da alavancagem da empresa à frente. Após atualizar nosso modelo financeiro, reiteramos recomendação de Compra para MOVI3, com preço-alvo de R$ 13,00 para o final de 2027.
As ações MOVI3 acumulam variação de -27% em 2026 e +0,4% em 12 meses, contra +4% e +24% do Ibovespa nos mesmos períodos, respectivamente. Investidores acompanham a dinâmica de execução dos principais pilares estratégicos da companhia, a saber: (i) recomposição de preços e expansão de yield¹ tanto no RAC quanto no GTF; (ii) manutenção da produtividade de vendas em Seminovos; (iii) ganho de eficiência operacional; e (iv) redução da alavancagem. No momento da confecção desse relatório, as ações MOVI3 caíam 6%, enquanto o índice caía 2,4%, indicando recepção negativa dos resultados pelo mercado. Acreditamos que o guidance divulgado pela companhia para o 3T26 possa ter deixado pouco espaço para revisões altistas de projeções, dado que os números estão próximos ao consenso de mercado.
Fonte: Movida, Economática e BB-BI. ¹Rent-a-Car, segmento focado em contratos de curto prazo. ²Gestão e Terceirização de Frotas, segmento focado em contratos de longo prazo. ³Receita mensal por carro operacional / ticket médio de aquisição da frota. ⁴Retorno sobre capital investido.



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