Klabin (KLBN11) 3T26: recuperação dos preços compensada pela pressão dos custos e do câmbio sobre as margens; novo preço 2027e
Conforme esperado, a Klabin reportou um resultado mais pressionado no 3T26, refletindo o aumento dos custos e a valorização do real frente ao dólar, apesar da recuperação dos preços e da estabilidade dos volumes totais
Publicado por: Análise BB
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Atualizado em
28/10/2026 às 14:06
Conforme esperado, a Klabin reportou um resultado mais pressionado no 3T26, refletindo o aumento dos custos e a valorização do real frente ao dólar, apesar da recuperação dos preços e da estabilidade dos volumes totais. A receita líquida consolidada totalizou R$ 5,6 bilhões (+2,6% a/a), mas o EBITDA ajustado recuou 12,3% a/a, para R$ 1,9 bilhão, com margem de 33,3% (-5,7 p.p. a/a). As medidas preventivas para o El Niño e a parada programada de Otacílio Costa – SC (produção de papel para papelão ondulado - “kraftliner”) pressionaram os custos. O resultado financeiro foi negativo em R$ 337 milhões (ante R$ 670 milhões negativos no 3T25), o que levou a um lucro líquido de R$ 393 milhões (-17,7% a/a).
Celulose
No segmento de celulose, o volume de vendas variou entre os tipos de fibra (+9,0% a/a na fibra longa/fluff e -2,0% a/a na fibra curta), assim como os preços médios em US$/t (estáveis na fibra longa/fluff e +18,0% a/a na fibra curta). Na comparação trimestral, os preços avançaram 5,0% na fibra longa/fluff e recuaram 3,0% na fibra curta. Segundo a companhia, a alocação de volumes entre produtos, regiões e mercados de maior rentabilidade também contribuiu para essa evolução. Assim, a receita líquida foi de R$ 1,5 bilhão (+6,0% a/a), com a melhora dos preços médios mais do que compensando o efeito cambial. O EBITDA ajustado do segmento totalizou R$ 712 milhões (estável a/a), com margem de 47,1% (-2,9 p.p. a/a).
Papéis e embalagens
O segmento de papéis teve incremento de 1,0% a/a no volume de vendas, refletindo o avanço de 9,0% a/a em papelcartão, impulsionado pelas exportações (+23,0% a/a) e pela evolução da produção da MP28. Já o volume de containerboard recuou 10,0% a/a, pela parada de Otacílio Costa e de restrições logísticas. Já os preços médios em R$/t avançaram 3,0% a/a e 4,0% t/t. Assim, a receita líquida totalizou R$ 1,9 bilhão (+4,0% a/a).
No segmento de embalagens, o volume de vendas recuou 3,0% a/a, refletindo a queda de 2,0% a/a em papelão ondulado e de 10,0% a/a em sacos industriais. As exportações de sacos retraíram 21,0% a/a, em meio às medidas tarifárias. Os preços por tonelada avançaram 3,0% a/a em ambas as categorias, compensando parcialmente a retração dos volumes. Assim, a receita líquida totalizou R$ 2,0 bilhões (-1,0% a/a). O EBITDA ajustado de papéis e embalagens foi de R$ 1,14 bilhão (-18,5% a/a), com margem de 29,4% (-7,2 p.p. a/a).
Custo caixa total por tonelada
O custo caixa total por tonelada, incluindo paradas, avançou 12,0% a/a e 9,0% t/t, para R$ 3.483/ton, refletindo principalmente (i) as medidas de mitigação do El Niño, (ii) a pressão dos conflitos geopolíticos sobre insumos e fretes, (iii) o aumento dos custos logísticos e operacionais, (iv) a parada de Otacílio Costa, entre outros. Nos 9M26, atingiu R$ 3.345/ton, no topo do guidance para 2026.
Dívida líquida fica estável e alavancagem em US$ teve incremento marginal
A dívida bruta encerrou o 3T26 em R$ 33,5 bilhões (-R$ 688 milhões t/t), pelo efeito positivo dos swaps, amortizações e juros. A posição de caixa recuou R$ 633 milhões, para R$ 9,5 bilhões, mantendo a dívida líquida praticamente estável em R$ 24,0 bilhões. A alavancagem em US$ subiu marginalmente para 3,3x dívida líquida/EBITDA ajustado (3,2x no 2T26), interrompendo a queda trimestral. Vale destacar que, desde o pico de 4,5x em reais no 4T24 (3,9x em US$), o saldo da dívida líquida em reais recuou cerca de R$ 9,3 bilhões, de R$ 33,3 bilhões para os atuais R$ 24,0 bilhões.

Desempenho da ação e perspectivas
As units da Klabin acumulam queda de 0,4% em 2026 até o fechamento de 27/10, bem atrás do Ibovespa no período (+9,1%). Em nossa visão, a recuperação dos preços da celulose na China a partir de setembro e os reajustes anunciados para outubro podem favorecer os próximos resultados, assim como a dinâmica favorável da celulose fluff. No entanto, a implementação dos novos reajustes ainda não está confirmada, e entendemos que a sustentação da demanda após a recomposição de estoques, bem como a dinâmica da oferta serão determinantes para uma recuperação mais duradoura dos preços. Além disso, as pressões sobre insumos e fretes permanecem pontos de atenção para a rentabilidade, mas seus impactos podem ser parcialmente compensados pela recente desvalorização do real, caso esse movimento se sustente.
Quanto aos fundamentos da Klabin, acreditamos que o modelo de negócios diversificado e a evolução da MP28 continuam favorecendo o desempenho da companhia. A diversificação de indústrias atendidas, com elevada exposição a setores básicos da economia, e a flexibilidade para direcionar volumes entre produtos e mercados de maior rentabilidade devem continuar contribuindo para mitigar as dificuldades em negócios específicos. No âmbito operacional, os custos associados à preparação para o El Niño permanecem como um desafio para a recuperação das margens. Em nossa visão, a melhora dos preços e os avanços operacionais têm espaço para se traduzir em recuperação das margens e maior geração de caixa. Assim, acreditamos que uma recuperação mais consistente dos papéis dependerá da captura dos reajustes e da redução das pressões de custos, favorecendo também a continuidade da desalavancagem.

Revisão de projeções
Aproveitamos a divulgação do resultado para atualizar nosso modelo financeiro, e apresentamos nosso novo preço-alvo 2027e para KLBN11 de R$ 23,00 (antes R$ 25,74 para 2026e), e mantemos a recomendação de Compra.
Tese de investimento
(i) modelo de negócios integrado e diversificado entre florestas, celulose, papéis e embalagens, combinando liderança em mercados relevantes, flexibilidade operacional e exposição a diferentes geografias e setores consumidores, contribuindo para maior resiliência dos resultados ao longo dos ciclos; (ii) posição de liderança no mercado brasileiro de papéis e embalagens, com exposição relevante a segmentos mais resilientes, produtos de maior valor agregado e oportunidades de substituição de materiais plásticos por papéis; (iii) maturação dos investimentos realizados nos últimos anos, com potencial de captura de volumes, melhora de mix e eficiência operacional, ao mesmo tempo em que a redução gradual da necessidade de investimentos favorece a geração de fluxo de caixa livre; (iv) competitividade da operação de celulose, apoiada pela integração florestal e diversificação entre fibras curta, longa e fluff, permitindo exposição a diferentes dinâmicas de mercado; e (v) perspectiva de maior geração de fluxo de caixa livre e continuidade da desalavancagem.
Riscos
(i) desequilíbrio entre oferta e demanda global de celulose, pressionando preços e a rentabilidade do segmento; (ii) enfraquecimento da demanda por papéis e embalagens no Brasil ou nos mercados de exportação, limitando volumes, reajustes de preços e a absorção das capacidades adicionadas por novos projetos; (iii) pressões sobre custos de madeira, químicos, combustíveis, energia e logística, incluindo efeitos climáticos sobre disponibilidade e transporte de madeira, sem repasse equivalente aos preços dos produtos; (iv) valorização do real frente ao dólar, reduzindo a conversão das receitas em moeda estrangeira;(v) ramp-up, utilização de capacidade e retorno sobre os investimentos abaixo do esperado, reduzindo a geração incremental de EBITDA e postergando a melhora do fluxo de caixa livre; e (vi) desalavancagem e geração de fluxo de caixa livre abaixo do esperado.
Valuation Nosso modelo financeiro utiliza a metodologia de Fluxo de Caixa Descontado para a Firma (FCFF), cujas principais premissas e resultados estão resumidos abaixo:


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