Inter & Co. (INBR32) 4T25: Operação segue avançando, mas retorno estimado parece distante
O desempenho operacional do banco manteve trajetória ascendente ao longo do ano.
Publicado por: Análise BB
5 minutos
Atualizado em
11/02/2026 às 13:23
O Inter & Co. encerrou o 4T25 com lucro líquido de R$ 374 milhões (+11% t/t; +36% a/a), totalizando R$ 1,3 bilhão em 2025 – o maior resultado anual da sua história. O ROE atingiu 15,1% no trimestre, novo patamar em relação ao início do ano. O desempenho foi sustentado pela combinação de forte crescimento da carteira de crédito, expansão da receita líquida de juros e evolução da margem ajustada ao risco, que manteve trajetória ascendente ao longo do ano.
Momento
Ao longo de 2025, o Inter percorreu uma trajetória de crescimento acompanhada de ajustes de rota: um 1T ofuscado pelos efeitos regulatórios da Resolução 4.966; um 2T marcado por reaceleração; e um 3T que consolidou o avanço operacional. O 4T25 se insere exatamente nessa narrativa. O banco segue executando bem, com crescimento acima da indústria, engajamento elevado e melhora gradual de eficiência e rentabilidade, mas ainda sem alterar de forma decisiva o quadro de que a meta de 30% de ROE, declarada pela companhia para 2027, continua ambiciosa. Considerando também a forte valorização das ações na janela recente, entendemos que o Inter vive um momento operacional favorável, com rentabilidade crescente, mas boa parte dessa execução já se encontra refletida nos preços.
Perspectivas
O conjunto dos resultados de 2025 reforça a leitura de que a tese de “neobank que cresce com rentabilidade e qualidade” foi preservada, mesmo em um ambiente de juros elevados. Para 2026, enxergamos continuidade das tendências observadas: crescimento em escala (mais clientes e maior engajamento), monetização (NIMs crescentes, ARPAC líquido recorde, expansão da carteira), e avanços em eficiência, ainda que, mais recentemente, essa métrica tenha mostrado estabilidade diante da pressão de custos e da dinâmica menos vigorosa das receitas não juros. Por outro lado, ainda não identificamos o salto de rentabilidade necessário para convergir ao ROE de 30% até 2027. O 1T26 deve ser sazonalmente mais fraco, conforme o padrão histórico do setor, e será importante para calibrar se esses vetores podem acelerar o suficiente para reduzir essa distância.

Desempenho das ações
Após a enorme valorização dos BDRs do Inter (INBR32) em 2025, o ímpeto se reduziu, levando a performance em 12 meses para um patamar próximo ao Ibovespa. Em resposta a essa valorização, e diante de avanços mais contidos em direção a uma maior rentabilidade, revisamos a recomendação de compra para neutra em 13/11/2025. Desde então o ativo se desvalorizou 4%, enquanto o Ibovespa viu alta de praticamente 20%.

Preço-alvo e Recomendação
Incorporamos os números do 4T25 e de 2025 ao modelo, e apresentamos nosso novo preço-alvo de R$ 50,00 para os BDRs do Inter (INBR32) ao final de 2026. Após uma expressiva alta ao longo do ano anterior, entendemos que boa parte das expectativas de crescimento e entrega do plano estratégico já foram precificadas pelo mercado. Por isso, apesar de tipicamente não deixarmos de recomendar a compra de empresas que se encontram em momentos favoráveis, mantemos nossa recomendação neutra, aguardando elementos dos trimestres vindouros ou uma eventual assimetria entre execução e preço para uma eventual revisão desta recomendação.
Destaques do resultado
Positivos: (i) Crescimento robusto da carteira de crédito (+35,6% a/a), com força em consignado privado, imobiliário (+48% a/a) e cartão (+29% a/a); (ii) NIMs em alta: NIM 2.0 em 9,6% e NIM ajustada ao risco em 5,9%, consolidando a tendência de melhoria das margens vista ao longo de 2025; (iii) Engajamento elevado: 25 milhões de clientes ativos (+21,5% a/a), taxa de ativação em 58% e 21,5 milhões de logins/dia; (iv) Ecossistema em expansão: Seguros (+91% a/a em contratos), Investimentos (R$ 180 bi em AuC) e Conta Global (5,4 mi de clientes).
Negativos: (i) Pressão de despesas: SG&A total +21% a/a, com destaque para D&A (+85% a/a) e despesas administrativas (+18,7% a/a); (ii) Fees mais fracos: fee income ratio recua para 24,1% (vs. 31,8% no 4T24), mantendo tendência já observada no 3T25; (iii) Custo de risco elevado: leve alta do NPL >90 dias para 4,7%, refletindo maior peso da carteira de consignado privado em aceleração.
Disclaimer
Este é um relatório público e foi produzido pelo BB-Banco de Investimento S.A. (“BB-BI”). As informações e opiniões aqui contidas foram consolidadas ou elaboradas com base em informações obtidas de fontes, em princípio, fidedignas e de boa-fé. Embora tenham sido tomadas todas as medidas razoáveis para assegurar que as informações aqui contidas não sejam incertas ou equivocadas, no momento de sua publicação, o BB-BI não garante que tais dados sejam totalmente isentos de distorções e não se compromete com a veracidade dessas informações. Todas as opiniões, estimativas e projeções contidas neste documento referem-se à data presente e derivam do julgamento de nossos analistas de valores mobiliários (“analistas’), podendo ser alteradas a qualquer momento sem aviso prévio, em função de mudanças que possam afetar as projeções da empresa, não implicando necessariamente na obrigação de qualquer comunicação no sentido de atualização ou revisão com respeito a tal mudança. Quaisquer divergências de dados neste relatório podem ser resultado de diferentes formas de cálculo e/ou ajustes. O Disclaimer completo encontra-se no relatório.


